Tudo agora nos faz pensar no aquecimento global. No momento em que escrevo, por exemplo, faz um calor de derreter geleiras (caso estranhem a imagem, esclareço que é preciso adequar o estilo ao politicamente correto). A canícula sempre nos torturou nesta época do ano, mas hoje temos uma razão para explicá-la. Esse calor causticante deve ser motivado pelo tal efeito estufa.
E nos anos anteriores, em que o mormaço era praticamente o mesmo e não se falava em aquecimento do planeta? O que fazia o tempo esquentar? É preciso dar uma boa explicação para isso, do contrário vamos terminar achando que se pinta o aumento da temperatura da Terra com um catastrofismo desnecessário.
Paranoia ou não, acabou de haver em Copenhague um encontro para discutir o tema. Ali, sim, o termômetro subiu. As discussões foram acaloradas e não se chegou a um consenso, entre outros motivos porque havia entre os participantes quem não vê razão para se temer tanto a febre do planeta. Um deles é Bjorn Lomborg, que há alguns meses deu uma entrevista a “Veja” dizendo que esse foco excessivo no clima está nos alheando do que é prioritário.
Lomborg afirma, por exemplo, que “segundo a Organização Mundial de Saúde, 150 mil pessoas morrem por ano por causa das mudanças do clima (...). Enquanto isso, 15 milhões de pessoas morrem de doenças infecciosas facilmente curáveis”. Em seguida, ele faz um alerta grave: “... se não fizermos nada quanto à crise da aids na África, nós veremos o colapso do continente. Seria um paraíso para o terrorismo, um lugar onde poderíamos ter armas nucleares e biológicas.”
E agora? Dizem que o dinamarquês representa os interesses das grandes corporações industriais, que reduziriam seu crescimento se tivessem de limitar a emissão de poluentes na atmosfera. Mas o apelo dele ao social me parece convincente, e não apenas no âmbito humanitário. Também no plano econômico seria mais lucrativo investir na África do que no Protocolo de Kyoto. “Se você gastar US$ 1 com o Protocolo”, argumenta Lomborg, “o benefício será de 30 centavos (...). Compare com o que se pode fazer contra a disseminação e pela prevenção do vírus da aids na África subsaariana, em que cada dólar gera outros 40 em benefícios.”
Os ecologistas não se sensibilizam com esse tipo de argumento e seguem impávidos na sua cruzada contra tudo que possa aumentar a temperatura da Terra. Por enquanto o grande vilão é o dióxido de carbono emitido pelas chaminés das indústrias e maior responsável pelo efeito estufa; mas no futuro as restrições certamente vão abranger outras fontes e outros poluentes.
Penso inclusive nas fontes e nos poluentes humanos, já que somos emissores de gases pestilentos que resultam dos nossos processos fisiológicos. Por meio de flatos e eructações degradamos aos poucos o ar, e não será impossível que no futuro o cerco se volte contra nós. Seremos, todos, tratados como hoje se tratam os fumantes, e deveremos procurar um lugar apropriado para satisfazer nossas necessidades, digamos, emissivas.
Enquanto esse dia não chega, continuemos comendo em paz nossa batata- doce e nosso repolho -- que certamente serão banidos, junto com o ovo, do cardápio dos novos tempos.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
Terapias
Ele andava triste, sem ânimo, às vezes com vontade de morrer. Os amigos notaram o seu estado e o aconselharam a procurar um médico. Recusou com veemência, pois não acreditava em medicina para a alma.
Mas uma noite teve um sonho esquisito. Sonhou que era um macaco pequeno, o único macaco entre seus irmãos. A mãe o olhava com indisfarçável repugnância e hesitava entre alimentá-lo ou deixá-lo morrer de fome. Ele então chorava, gritando e agitando uma campainha. Isso provocava a raiva do pai, que abraçava a mulher e o ameaçava com um facão. Enciumado, ele procurava um canivete para matar o pai mas era impedido pelos irmãos, que resolviam levá-lo para um zoológico. Lá o enfiaram numa cela, onde ficou se debatendo até que um funcionário chegou junto dele e perguntou: “O que é que está havendo? Fale! Fale!”. Não conseguia dizer nada.
Ficou tão intrigado com o sonho, que decidiu vencer o preconceito e consultar um psicólogo. Mas quem? E, sobretudo, de que linha? Resolveu divulgar o sonho na internet e aguardar sugestões. Eis alguns e-mails que recebeu:
1) Seu sonho reflete um complexo de Édipo mal resolvido. Você e o seu pai disputam o amor da sua mãe, daí o ódio que sente por ele e o desejo de matá-lo. A oposição entre o facão e o canivete é uma representação metafórica da inveja do pênis associada ao temor da castração. Sua terapia deve ser psicanalítica, e de base freudiana.
2) Impressionou-me, no seu sonho, a repugnância da mãe ao constatar o aspecto simiesco do filho. A dúvida entre alimentá-lo ou não é uma clara metonímia do conflito entre o seio bom e o seio mau. Você ainda hoje não sabe se ela o ama ou o odeia, e precisa resolver esse conflito. Do contrário, a sensação de desmamado o acompanhará pelo resto da vida. Sugiro-lhe uma psicoterapia kleiniana.
3) Seu sonho é carregado de significantes -- a referência ao som da campainha, por exemplo. Uma das onomatopeias para esse objeto é “ding”, que remete à Coisa (Das Ding), ou seja, ao Objeto Perdido. Sintomaticamente, você não fala. Se não fala, não tem o falo, o que não é nenhuma falácia (talvez uma faloácia). A ausência da fala/falo o deixa fulo e mostra que você se encontra numa posição infantil diante do Nome-do-Pai. É preciso trabalhar isso. Procure já um terapeuta lacaniano.
4) O sonho é claríssimo, ora. O macaco representa a porção animal que você se recusa a inibir diante do pai opressor. É preciso dar vazão a essa torrente instintual por meio de uma terapia regressiva, que o reconduza à liberdade da horda primeva. Procure a terapia do grito primal.
5) Esqueça qualquer tipo de simbolismo para esse sonho. O motivo do seu sofrimento são pensamentos errados. Posso acompanhá-lo a um zoológico, em cinco sessões, para mostrar que você não é macaco coisa nenhuma. Compararemos seu comportamento com o dos símios e você se convencerá de que gosta de mais coisas além de banana e não consegue andar com tanta destreza sobre o tronco das árvores. Recomendo-lhe (e me apresento) um terapeuta cognitivo-comportamental.
Mas uma noite teve um sonho esquisito. Sonhou que era um macaco pequeno, o único macaco entre seus irmãos. A mãe o olhava com indisfarçável repugnância e hesitava entre alimentá-lo ou deixá-lo morrer de fome. Ele então chorava, gritando e agitando uma campainha. Isso provocava a raiva do pai, que abraçava a mulher e o ameaçava com um facão. Enciumado, ele procurava um canivete para matar o pai mas era impedido pelos irmãos, que resolviam levá-lo para um zoológico. Lá o enfiaram numa cela, onde ficou se debatendo até que um funcionário chegou junto dele e perguntou: “O que é que está havendo? Fale! Fale!”. Não conseguia dizer nada.
Ficou tão intrigado com o sonho, que decidiu vencer o preconceito e consultar um psicólogo. Mas quem? E, sobretudo, de que linha? Resolveu divulgar o sonho na internet e aguardar sugestões. Eis alguns e-mails que recebeu:
1) Seu sonho reflete um complexo de Édipo mal resolvido. Você e o seu pai disputam o amor da sua mãe, daí o ódio que sente por ele e o desejo de matá-lo. A oposição entre o facão e o canivete é uma representação metafórica da inveja do pênis associada ao temor da castração. Sua terapia deve ser psicanalítica, e de base freudiana.
2) Impressionou-me, no seu sonho, a repugnância da mãe ao constatar o aspecto simiesco do filho. A dúvida entre alimentá-lo ou não é uma clara metonímia do conflito entre o seio bom e o seio mau. Você ainda hoje não sabe se ela o ama ou o odeia, e precisa resolver esse conflito. Do contrário, a sensação de desmamado o acompanhará pelo resto da vida. Sugiro-lhe uma psicoterapia kleiniana.
3) Seu sonho é carregado de significantes -- a referência ao som da campainha, por exemplo. Uma das onomatopeias para esse objeto é “ding”, que remete à Coisa (Das Ding), ou seja, ao Objeto Perdido. Sintomaticamente, você não fala. Se não fala, não tem o falo, o que não é nenhuma falácia (talvez uma faloácia). A ausência da fala/falo o deixa fulo e mostra que você se encontra numa posição infantil diante do Nome-do-Pai. É preciso trabalhar isso. Procure já um terapeuta lacaniano.
4) O sonho é claríssimo, ora. O macaco representa a porção animal que você se recusa a inibir diante do pai opressor. É preciso dar vazão a essa torrente instintual por meio de uma terapia regressiva, que o reconduza à liberdade da horda primeva. Procure a terapia do grito primal.
5) Esqueça qualquer tipo de simbolismo para esse sonho. O motivo do seu sofrimento são pensamentos errados. Posso acompanhá-lo a um zoológico, em cinco sessões, para mostrar que você não é macaco coisa nenhuma. Compararemos seu comportamento com o dos símios e você se convencerá de que gosta de mais coisas além de banana e não consegue andar com tanta destreza sobre o tronco das árvores. Recomendo-lhe (e me apresento) um terapeuta cognitivo-comportamental.
sábado, 21 de novembro de 2009
Soneto desnaturado
(variação sobre um velho tema)
Ser mãe é cuidar bem do próprio corpo
(de preferência, numa academia);
é desmamar o pirralho bem cedo
para livrar o seio das estrias.
É dormir como um justo, ressonando,
depois de uma passagem na “balada”,
e acordar sem remorsos, no outro dia,
por ter deixado o filho com a empregada.
É não abdicar dos seus projetos,
fugir de ser babá dos próprios netos
(caso venham chamá-la para isso).
É desprezar o chato que a condena,
dizendo que a pior de suas penas
seria “padecer num paraíso”.
Ser mãe é cuidar bem do próprio corpo
(de preferência, numa academia);
é desmamar o pirralho bem cedo
para livrar o seio das estrias.
É dormir como um justo, ressonando,
depois de uma passagem na “balada”,
e acordar sem remorsos, no outro dia,
por ter deixado o filho com a empregada.
É não abdicar dos seus projetos,
fugir de ser babá dos próprios netos
(caso venham chamá-la para isso).
É desprezar o chato que a condena,
dizendo que a pior de suas penas
seria “padecer num paraíso”.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Nudez imprópria
Numa passagem de “Dom Casmurro”, Bentinho passeia com o agregado José Dias numa das ruas centrais do Rio. Vão conversando amenidades (José Dias disparando seus superlativos) quando uma mulher tropeça a poucos metros deles. Com a queda, ela deixa ver parte da liga que lhe aperta uma das meias.
Para Bentinho, seminarista sem vocação, o efeito é arrebatador. Os dois continuam a conversa mas o rapaz não consegue tirar a cena da cabeça. Sua perturbação não diminui quando ele chega ao seminário, pois, como escreve Machado, “as batinas tinham ar de saias”. Ou seja, a indumentária dos padres evocava o tombo da mulher e a exposição do artefato erótico.
“Uma liga!” -- se espantará o leitor de hoje. É certo que não se usam mais ligas, nem meias, nem aqueles vestidões compridos que pareciam embalsamar o corpo feminino. Naquele tempo a roupa quase não mostrava nada, e justamente por isso o pequeno elástico que fazia a meia aderir à coxa era um poderoso estopim erótico. Era uma pista, um indício que acendia a imaginação e com ela o desejo (o erotismo não está no que se explicita, mas no que se entremostra).
Lembrei-me dessa passagem a propósito da estudante de São Bernardo do Campo que foi vaiada, e quase linchada, por haver ido à faculdade seminua. A televisão mostrou e repetiu a cena: a moça acuada numa sala, chorando, e do lado de fora uma multidão uivando como uma horda de lobos morais. Se pudessem a estraçalhavam ali, em nome dos bons costumes. Quando ela saiu, sob escolta, teve que ouvir gritos de p... até deixar o estabelecimento.
Muito se discutiu o comportamento da turba, que parecia tomada por uma ira santa. Uns o consideraram injustificável numa época de costumes arejados. Não se explicaria tanto puritanismo em pleno século 21, quando a mulher quebrou tabus a ponto de usar biquíni e fio dental. Mais do que zelo pelos bons costumes, haveria nas vaias intolerância e preconceito.
A reação não parecia coisa de civilizados, concordo, mas é preciso reconhecer que a moça apelou. Foi para a faculdade com um microvestido vermelho que lhe deixava as pernas de fora e era um chamariz para os olhares masculinos. Quem vai às aulas daquele jeito quer mesmo estudar? Ou quer chamar a atenção para si com a mira em outros propósitos? O exibicionismo do corpo não se harmoniza com a concentração e o recato exigidos numa sala de aula.
Se faltou à turba moderação, faltou à garota senso. O despropósito com que se vestiu mostra que ela não tinha noção de onde estava. Ou, se tinha, ignorou a praxe e acabou atentando contra o decoro. As vaias agressivas seriam uma forma de revidar o acinte.
Estamos longe do tempo em que a visão de uma liga era capaz de tirar o sono de um adolescente. A liga se foi, e com ela o pudor, que tornava o corpo feminino um mistério. Ninguém precisa fantasiar o que se escancara nas ruas, nos bares, nas praias, e torna banal a nudez. Certos limites, contudo, devem ser preservados. Se à mulher não é mais proibido se desnudar, que pelo menos ela se dispa em locais convenientes.
Para Bentinho, seminarista sem vocação, o efeito é arrebatador. Os dois continuam a conversa mas o rapaz não consegue tirar a cena da cabeça. Sua perturbação não diminui quando ele chega ao seminário, pois, como escreve Machado, “as batinas tinham ar de saias”. Ou seja, a indumentária dos padres evocava o tombo da mulher e a exposição do artefato erótico.
“Uma liga!” -- se espantará o leitor de hoje. É certo que não se usam mais ligas, nem meias, nem aqueles vestidões compridos que pareciam embalsamar o corpo feminino. Naquele tempo a roupa quase não mostrava nada, e justamente por isso o pequeno elástico que fazia a meia aderir à coxa era um poderoso estopim erótico. Era uma pista, um indício que acendia a imaginação e com ela o desejo (o erotismo não está no que se explicita, mas no que se entremostra).
Lembrei-me dessa passagem a propósito da estudante de São Bernardo do Campo que foi vaiada, e quase linchada, por haver ido à faculdade seminua. A televisão mostrou e repetiu a cena: a moça acuada numa sala, chorando, e do lado de fora uma multidão uivando como uma horda de lobos morais. Se pudessem a estraçalhavam ali, em nome dos bons costumes. Quando ela saiu, sob escolta, teve que ouvir gritos de p... até deixar o estabelecimento.
Muito se discutiu o comportamento da turba, que parecia tomada por uma ira santa. Uns o consideraram injustificável numa época de costumes arejados. Não se explicaria tanto puritanismo em pleno século 21, quando a mulher quebrou tabus a ponto de usar biquíni e fio dental. Mais do que zelo pelos bons costumes, haveria nas vaias intolerância e preconceito.
A reação não parecia coisa de civilizados, concordo, mas é preciso reconhecer que a moça apelou. Foi para a faculdade com um microvestido vermelho que lhe deixava as pernas de fora e era um chamariz para os olhares masculinos. Quem vai às aulas daquele jeito quer mesmo estudar? Ou quer chamar a atenção para si com a mira em outros propósitos? O exibicionismo do corpo não se harmoniza com a concentração e o recato exigidos numa sala de aula.
Se faltou à turba moderação, faltou à garota senso. O despropósito com que se vestiu mostra que ela não tinha noção de onde estava. Ou, se tinha, ignorou a praxe e acabou atentando contra o decoro. As vaias agressivas seriam uma forma de revidar o acinte.
Estamos longe do tempo em que a visão de uma liga era capaz de tirar o sono de um adolescente. A liga se foi, e com ela o pudor, que tornava o corpo feminino um mistério. Ninguém precisa fantasiar o que se escancara nas ruas, nos bares, nas praias, e torna banal a nudez. Certos limites, contudo, devem ser preservados. Se à mulher não é mais proibido se desnudar, que pelo menos ela se dispa em locais convenientes.
domingo, 25 de outubro de 2009
Sorrir de novo
“Quero o sorriso dele de volta.” Esse foi o apelo de Maria Oliveira, mãe de César, o rapaz que procurou o Hospital da Asa Norte, em Brasília, para extrair dois dentes. No transcorrer da operação o dentista constatou que ele tinha uma “patologia grave” e não contou conversa: sem consultar a família, os superiores nem a própria vítima, arrancou-lhe de uma vez a dentadura toda.
César entrou no consultório um, e saiu outro. A mãe levou um choque ao ver a boca murcha do filho, que agora anda triste pelos cantos e não quer sair de casa. Evita ir à escola e conversar com os amigos. A família vai entrar na Justiça alegando danos morais e materiais. Por que não também danos estéticos? A cirurgia desfigurou o rosto do rapaz, dando-lhe um ar de velhice precoce.
Essa foi mais uma das pequenas tragédias protagonizadas pelos que precisam da medicina pública no Brasil. Nem todas chegam à mídia; a maior parte das vítimas, por descrença ou temor, prefere fechar a boca e se resignar, agradecida por não ter havido coisa pior. “Vão-se os dentes, fique o rosto” -- poderiam ter pensado Maria Oliveira e o marido. Felizmente não pensaram assim.
César é deficiente mental, o que pode ter concorrido para a decisão truculenta de quem o operou. Deficientes mentais não avaliam bem os fatos e tendem a não responder por si. Seria fácil convencer o rapaz de que a cirurgia era necessária e fazê-lo suportar o incômodo de tantos dentes extraídos de uma vez. Se foi esse o raciocínio, a responsabilidade pelo crime é maior. A condição mental de César o inabilitava a se decidir pelo que foi feito e tornava imprescindível a consulta aos familiares.
“Se ele tinha uma patologia ou não na arcada dentária, o dentista tinha que ter me comunicado. Ele tinha que saber se eu aceitaria o procedimento” -- protestou a mãe, inconsolável. Esse “eu aceitaria” supõe, da parte do paciente, um poder de decisão que nem sempre ele tem quando está diante do médico. Se isso ocorre no âmbito da iniciativa privada, imagine-se no da pública, onde os serviços são precários e boa parte dos profissionais, em sua maioria mal pagos, atendem aos pacientes como se fizessem um favor. “A cavalo dado não se olham os dentes”, diz o ditado, e na condição de humilde beneficiário César não poderia reclamar dos que perdeu.
O lado bom e um tanto irônico de tudo isso é que ele vai receber implantes, conforme decisão do Conselho Regional de Odontologia. “Bom” porque o Conselho reconheceu a “falha ética” de um dos seus associados e se dispõe a reparar o dano. “Irônico” porque César, por transversas e dolorosas vias, realizará o que para muitos ainda é um sonho. Implantes dentários custam caro; em que outra circunstância o rapaz, filho de modesto funcionário público, conseguiria renovar toda a boca? Só vemos isso em atores, modelos, industriais.
Por outro lado, o procedimento não é garantia de que tudo ficará bem. Há implantes e implantes, dependendo da qualidade do material; esperemos que os de César não terminem em mais um desplante. E que ele, para a alegria da mãe, volte a sorrir como outrora.
César entrou no consultório um, e saiu outro. A mãe levou um choque ao ver a boca murcha do filho, que agora anda triste pelos cantos e não quer sair de casa. Evita ir à escola e conversar com os amigos. A família vai entrar na Justiça alegando danos morais e materiais. Por que não também danos estéticos? A cirurgia desfigurou o rosto do rapaz, dando-lhe um ar de velhice precoce.
Essa foi mais uma das pequenas tragédias protagonizadas pelos que precisam da medicina pública no Brasil. Nem todas chegam à mídia; a maior parte das vítimas, por descrença ou temor, prefere fechar a boca e se resignar, agradecida por não ter havido coisa pior. “Vão-se os dentes, fique o rosto” -- poderiam ter pensado Maria Oliveira e o marido. Felizmente não pensaram assim.
César é deficiente mental, o que pode ter concorrido para a decisão truculenta de quem o operou. Deficientes mentais não avaliam bem os fatos e tendem a não responder por si. Seria fácil convencer o rapaz de que a cirurgia era necessária e fazê-lo suportar o incômodo de tantos dentes extraídos de uma vez. Se foi esse o raciocínio, a responsabilidade pelo crime é maior. A condição mental de César o inabilitava a se decidir pelo que foi feito e tornava imprescindível a consulta aos familiares.
“Se ele tinha uma patologia ou não na arcada dentária, o dentista tinha que ter me comunicado. Ele tinha que saber se eu aceitaria o procedimento” -- protestou a mãe, inconsolável. Esse “eu aceitaria” supõe, da parte do paciente, um poder de decisão que nem sempre ele tem quando está diante do médico. Se isso ocorre no âmbito da iniciativa privada, imagine-se no da pública, onde os serviços são precários e boa parte dos profissionais, em sua maioria mal pagos, atendem aos pacientes como se fizessem um favor. “A cavalo dado não se olham os dentes”, diz o ditado, e na condição de humilde beneficiário César não poderia reclamar dos que perdeu.
O lado bom e um tanto irônico de tudo isso é que ele vai receber implantes, conforme decisão do Conselho Regional de Odontologia. “Bom” porque o Conselho reconheceu a “falha ética” de um dos seus associados e se dispõe a reparar o dano. “Irônico” porque César, por transversas e dolorosas vias, realizará o que para muitos ainda é um sonho. Implantes dentários custam caro; em que outra circunstância o rapaz, filho de modesto funcionário público, conseguiria renovar toda a boca? Só vemos isso em atores, modelos, industriais.
Por outro lado, o procedimento não é garantia de que tudo ficará bem. Há implantes e implantes, dependendo da qualidade do material; esperemos que os de César não terminem em mais um desplante. E que ele, para a alegria da mãe, volte a sorrir como outrora.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Rio olímpico
Lula chorou quando anunciaram o Rio como sede da Olimpíada de 2016. Chorou e fez questão de se mostrar chorando, o que levou alguns a ver nas lágrimas presidenciais mais encenação do que sinceridade. Não sou lulista, mas discordo de quem acha que ele se aproveitou daquele momento para regar a candidatura de Dilma nas próximas eleições. O presidente estava sinceramente emocionado, e nisso externou um sentimento que perpassava toda a nação.
A realização das competições aqui vai concorrer para diminuir nosso velho “complexo de vira-latas”. Dizem que Barcelona virou outra cidade depois que sediou os jogos; esperemos que o mesmo aconteça com o Rio. A “cidade maravilhosa” receberá muito dinheiro para investir em infraestrutura, turismo, obras sociais. Se os recursos forem aplicados com sensatez e sobretudo honestidade, ela sairá do evento mais rica e talvez mais humana.
Sediar a Olimpíada é um desafio que termina em tudo ou nada. Não há possibilidade de meio sucesso; ou ele acontece, ou não, e cada país-sede se esforça para suplantar o anterior em brilho, originalidade, espetáculo. Isso quer dizer, por exemplo, que teremos de mostrar algo mais bonito do que a percussão iluminada dos tambores chineses, que ainda por muito tempo ecoará nos olhos e ouvidos do mundo.
O que me preocupa não é a cerimônia de abertura ou de encerramento. Não tenho dúvida de que nisto seremos bambas e deixaremos o mundo impressionado. Se os chineses tinham tambores e luzes, nós temos frevo, maracatus, escolas de samba, que servirão ao sensual embalo de passistas, mulatas ou baianas. Trata-se de um rico material que não faltarão artistas sensíveis para orquestrar e dele obter o melhor efeito.
O ponto delicado, e um tanto preocupante, será o desempenho de nossos atletas. A realização dos jogos aqui vai representar uma pressão adicional para vencer. Com toda essa tensão, é possível que tombos como o de Diego Hypolito em Pequim se tornem comuns. O mesmo se diga de quiproquós como o da vara surripiada, que tirou de Fabiana Murer a chance de subir ao pódio. E se atletas consagrados podem passar por tais vexames, que dizer desses que agora se precipitam rumo a pistas, piscinas e academias na esperança de em 2016 ganhar uma medalha olímpica?
O fenômeno é curioso e vem dando o que falar. Mal saiu o anúncio em Copenhague, e nem bem secaram as lágrimas de Lula, potenciais campeões começaram a brotar de todos os cantos do Brasil. A esperança de reconhecimento e ascensão, que até então se depositava no futebol, agora se estende a outros esportes. Em alguns deles não temos tradição mas ganhamos como anfitriões o direito de competir, e muitos imaginam que vão desbancar europeus, asiáticos e americanos também nessas modalidades.
Vamos devagar, pessoal. Uma coisa é a proximidade física dos jogos; outra é a simbólica distância que separa a participação da vitória. Por enquanto é melhor continuar mantendo a humildade de um vira-latas, e só depois -- quem sabe? -- latir com a empáfia de um rottweiler.
A realização das competições aqui vai concorrer para diminuir nosso velho “complexo de vira-latas”. Dizem que Barcelona virou outra cidade depois que sediou os jogos; esperemos que o mesmo aconteça com o Rio. A “cidade maravilhosa” receberá muito dinheiro para investir em infraestrutura, turismo, obras sociais. Se os recursos forem aplicados com sensatez e sobretudo honestidade, ela sairá do evento mais rica e talvez mais humana.
Sediar a Olimpíada é um desafio que termina em tudo ou nada. Não há possibilidade de meio sucesso; ou ele acontece, ou não, e cada país-sede se esforça para suplantar o anterior em brilho, originalidade, espetáculo. Isso quer dizer, por exemplo, que teremos de mostrar algo mais bonito do que a percussão iluminada dos tambores chineses, que ainda por muito tempo ecoará nos olhos e ouvidos do mundo.
O que me preocupa não é a cerimônia de abertura ou de encerramento. Não tenho dúvida de que nisto seremos bambas e deixaremos o mundo impressionado. Se os chineses tinham tambores e luzes, nós temos frevo, maracatus, escolas de samba, que servirão ao sensual embalo de passistas, mulatas ou baianas. Trata-se de um rico material que não faltarão artistas sensíveis para orquestrar e dele obter o melhor efeito.
O ponto delicado, e um tanto preocupante, será o desempenho de nossos atletas. A realização dos jogos aqui vai representar uma pressão adicional para vencer. Com toda essa tensão, é possível que tombos como o de Diego Hypolito em Pequim se tornem comuns. O mesmo se diga de quiproquós como o da vara surripiada, que tirou de Fabiana Murer a chance de subir ao pódio. E se atletas consagrados podem passar por tais vexames, que dizer desses que agora se precipitam rumo a pistas, piscinas e academias na esperança de em 2016 ganhar uma medalha olímpica?
O fenômeno é curioso e vem dando o que falar. Mal saiu o anúncio em Copenhague, e nem bem secaram as lágrimas de Lula, potenciais campeões começaram a brotar de todos os cantos do Brasil. A esperança de reconhecimento e ascensão, que até então se depositava no futebol, agora se estende a outros esportes. Em alguns deles não temos tradição mas ganhamos como anfitriões o direito de competir, e muitos imaginam que vão desbancar europeus, asiáticos e americanos também nessas modalidades.
Vamos devagar, pessoal. Uma coisa é a proximidade física dos jogos; outra é a simbólica distância que separa a participação da vitória. Por enquanto é melhor continuar mantendo a humildade de um vira-latas, e só depois -- quem sabe? -- latir com a empáfia de um rottweiler.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Palavreando
O maior desafio do casamento é impedir que a fase do “só nos dois” termine em “nós dois sós”.
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Sou de um de um tempo em que filme de mulher pelada era filme de freira.
****
Uma das provas do narcisismo humano é que ninguém tapa o nariz para o próprio pum.
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O “nu artístico” era tão antigo, mas tão antigo, que a modelo já tinha estrias e flacidez.
****
A linguagem é a vestimenta do espírito. Use-a com elegância.
****
Antigamente filme nacional sem pornografia era como pizza sem queijo. Não tinha graça. Os filmes feitos no Brasil eram ou pornográficos, ou intelectuais -- dois extremos que afugentavam o público. Hoje eles são industriais, e os cinemas em que passam vivem cheios.
****
Hoje, no esporte brasileiro, o Cielo é o limite.
****
Em matéria de vida, sou um neófito com muita experiência.
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Há um limite para a chamada grandeza moral. Não existe virtude sem algum apoio da natureza.
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No “fundo do poço” há sempre um elevador.
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O pessoal anda surpreso com o que está acontecendo no Senado. Parece que não aprendeu! Buscar decência na política é como procurar castidade num prostíbulo.
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O sol nasceu para todos; a lua, por enquanto, só para os americanos.
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Susto é quando você tem medo; pânico é quando o medo tem você.
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Quando o chamaram de ignorante, estrebuchou; já quando o chamaram de apedeuta, sentiu uma ponta de vaidade. Nada como se sentir “uma coisa difícil”...
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Uma mulher que não menstrua seria a única exceção que não confirma a regra.
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Não sou de fazer sacrifícios. Só renuncio ao que me desagrada.
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É tanta gente querendo aparecer, que no futuro os tais “15 minutos” de Andy Warhol vão acabar se reduzindo a três.
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Se o seu marido é um porre, console-se. Há os que são uma ressaca.
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Psicólogo: “Pronto, o senhor está curado do seu complexo de superioridade.”
Paciente: “Estou? Só mesmo eu para conseguir isso em tão pouco tempo!!”
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O melhor do nu frontal é imaginar o que está por trás.
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Para um bom improviso, é preciso muito treino.
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Mesmo que fossem outros os condicionamentos históricos e sociais, a prostituição não prosperaria entre os homens. É possível fingir tudo, menos uma ereção.
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O vaidoso se acha o tal. O orgulhoso tem certeza.
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O pior de perder a memória é que a gente nunca se lembra de onde a deixou.
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A prudência nada mais é do que uma covardia sofisticada.
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Os gays quando se casam juntam mesmo as trouxas.
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Creio em Deus, mas não sei se Ele existe.
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Grave não é desistir de um projeto, de um emprego, de um amor. Grave é desistir de si mesmo.
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Uns entram nas academias para conquistar a imortalidade. Outros, para confirmar que estão mesmo mortos.
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O cínico é um cético que perdeu a vergonha.
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Sou de um de um tempo em que filme de mulher pelada era filme de freira.
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Uma das provas do narcisismo humano é que ninguém tapa o nariz para o próprio pum.
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O “nu artístico” era tão antigo, mas tão antigo, que a modelo já tinha estrias e flacidez.
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A linguagem é a vestimenta do espírito. Use-a com elegância.
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Antigamente filme nacional sem pornografia era como pizza sem queijo. Não tinha graça. Os filmes feitos no Brasil eram ou pornográficos, ou intelectuais -- dois extremos que afugentavam o público. Hoje eles são industriais, e os cinemas em que passam vivem cheios.
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Hoje, no esporte brasileiro, o Cielo é o limite.
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Em matéria de vida, sou um neófito com muita experiência.
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Há um limite para a chamada grandeza moral. Não existe virtude sem algum apoio da natureza.
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No “fundo do poço” há sempre um elevador.
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O pessoal anda surpreso com o que está acontecendo no Senado. Parece que não aprendeu! Buscar decência na política é como procurar castidade num prostíbulo.
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O sol nasceu para todos; a lua, por enquanto, só para os americanos.
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Susto é quando você tem medo; pânico é quando o medo tem você.
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Quando o chamaram de ignorante, estrebuchou; já quando o chamaram de apedeuta, sentiu uma ponta de vaidade. Nada como se sentir “uma coisa difícil”...
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Uma mulher que não menstrua seria a única exceção que não confirma a regra.
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Não sou de fazer sacrifícios. Só renuncio ao que me desagrada.
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É tanta gente querendo aparecer, que no futuro os tais “15 minutos” de Andy Warhol vão acabar se reduzindo a três.
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Se o seu marido é um porre, console-se. Há os que são uma ressaca.
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Psicólogo: “Pronto, o senhor está curado do seu complexo de superioridade.”
Paciente: “Estou? Só mesmo eu para conseguir isso em tão pouco tempo!!”
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O melhor do nu frontal é imaginar o que está por trás.
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Para um bom improviso, é preciso muito treino.
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Mesmo que fossem outros os condicionamentos históricos e sociais, a prostituição não prosperaria entre os homens. É possível fingir tudo, menos uma ereção.
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O vaidoso se acha o tal. O orgulhoso tem certeza.
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O pior de perder a memória é que a gente nunca se lembra de onde a deixou.
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A prudência nada mais é do que uma covardia sofisticada.
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Os gays quando se casam juntam mesmo as trouxas.
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Creio em Deus, mas não sei se Ele existe.
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Grave não é desistir de um projeto, de um emprego, de um amor. Grave é desistir de si mesmo.
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Uns entram nas academias para conquistar a imortalidade. Outros, para confirmar que estão mesmo mortos.
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O cínico é um cético que perdeu a vergonha.
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