<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001</id><updated>2012-03-09T10:35:53.482-08:00</updated><title type='text'>Blog de Chico Viana</title><subtitle type='html'>Crônicas, diálogos, frases originalmente publicados na coluna "Falou e Disse".</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>116</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-1068256442656374299</id><published>2012-03-09T10:33:00.003-08:00</published><updated>2012-03-09T10:35:53.491-08:00</updated><title type='text'>Seleção de frases (7)</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Humorista desiste da profissão. Não quer mais fazer show de graça.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Tem gente que diz que é “pelo coletivo”, mas se recusa a andar de ônibus.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;- Filho, o que você fez com seu amigo foi muito feio. Você precisa se retratar.&lt;br /&gt;- Certo, mãe. Mas antes de tirar a foto, quero pedir desculpas a ele.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;O dinheiro pode não trazer felicidade, mas a falta dele seguramente não traz.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Contra flatos não há unguentos. &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Em terra de olho quem tem um cego... errei! &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;- Pedrinho, que nota é esta no seu boletim?!!&lt;br /&gt;- Calma, pai. É para um dia eu mostrar aos meus filhos que comecei do zero.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;A política é a arte de quebrar os ovos sem fazer a omelete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-1068256442656374299?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/1068256442656374299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=1068256442656374299' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1068256442656374299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1068256442656374299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2012/03/selecao-de-frases-7.html' title='Seleção de frases (7)'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-9147474783794071751</id><published>2012-03-04T13:54:00.000-08:00</published><updated>2012-03-04T13:54:07.060-08:00</updated><title type='text'>Papo cabeça</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;- Eu soube que você tem lido muito. É verdade?&lt;br /&gt;- É verdade, sim. Quero decifrar o enigma da vida. &lt;br /&gt;- Como aquele rei tebano... Qual é mesmo o nome dele? &lt;br /&gt;- Aquele que gostava “demais” da mãe? A coisa ficou em segredo, até que veio um alemão e a revelou pra todo o mundo. O pobre do rei ficou com complexo e saiu por aí, caminhando, com os pés inchados. Também não lembro o nome dele. &lt;br /&gt;- Édipo! E o alemão foi o Freud, aquele que só pensava em sexo. O homem era tão pra frente que diante dele todo o mundo se sentia recalcado, inferior. &lt;br /&gt;- Também pudera! Ele era um gênio do porte de Newton ou...&lt;br /&gt;- Newton foi o da maçã, não foi? Dizem que uma maçã caiu na cabeça dele,&amp;nbsp;e uma parenta que viu tudo começou a rir. Para&amp;nbsp;deixar a&amp;nbsp;moça sem graça,&amp;nbsp;ele inventou a&amp;nbsp;lei da gravidade.&lt;br /&gt;- Pior foi Einstein, que desprezava o ser humano. &lt;br /&gt;- Ué, quem desprezava não era Schopenhauer? &lt;br /&gt;- Não. Era Einstein mesmo. Desprezava tanto, que tirou uma foto estirando a língua. Como quem diz: “Olhe aqui pra vocês!”.&lt;br /&gt;- Conheço a foto, mas não acho que ele fez aquilo por desprezo. Pra mim foi macaquice mesmo.&lt;br /&gt;- Pode ser. Afinal de contas viemos todos do macaco, e vez por outra não resistimos a uma macaquice. Hobbes que o diga.&lt;br /&gt;- Darwin!! Hobbes é outra história -- ele nos associou a lobos. Queria que nos comêssemos uns aos outros. &lt;br /&gt;- Não exagere. Ele apenas disse que o homem é o lobo do homem. &lt;br /&gt;- E o que faz um lobo, senão devorar a presa? &lt;br /&gt;- Eu não concordo com o que você diz, mas seria capaz de recusar o próximo chopp para lhe garantir o direito de dizer isso. &lt;br /&gt;- A frase é profunda, mas não original. Alguém já falou coisa parecida. &lt;br /&gt;- Voltaire. Mas ele não menciona a cerveja. Portanto, parte da autoria é minha.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- Voltaire, aquele que serviu de inspiração a um personagem de Stephen King? &lt;br /&gt;- Não. Voltaire, filósofo do Iluminismo. O personagem de King era o Iluminado e, ao que me consta, não tinha nada a ver com o autor desta outra frase famosa: “De pensar morreu um burro.” &lt;br /&gt;- Essa história eu conheço. Ele não aguentou ver o burro morrer por causa de umas chibatadas que o dono lhe aplicava, e terminou enlouquecendo. &lt;br /&gt;- Peraí, esse foi Nietzsche, precursor de um famoso herói de histórias em quadrinhos -- o Super-Homem. E não era um burro, era um cavalo! &lt;br /&gt;- Nietzsche? O que queria ser Cristo? &lt;br /&gt;- Pelo contrário. Nietzsche queria ser o Anticristo. Para isso ele se afastou dos homens -- achava que o inferno são os outros.&lt;br /&gt;- Eu pensava que essa frase era de um francês, Sartre de Beauvoir.&lt;br /&gt;- Não. Esse foi o criador do feminismo moderno... Como esse papo promete ir longe, proponho que a gente pare com a cerveja. Do contrário, vai começar a confundir as coisas. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-9147474783794071751?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/9147474783794071751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=9147474783794071751' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/9147474783794071751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/9147474783794071751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2012/03/papo-cabeca.html' title='Papo cabeça'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-29204415272131461</id><published>2012-02-27T10:35:00.001-08:00</published><updated>2012-02-27T10:36:48.084-08:00</updated><title type='text'>A docência dos medíocres</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Li num dos números recentes de “Veja” que os bons alunos brasileiros não querem seguir o magistério. Quem deseja abraçar essa carreira são os estudantes medíocres. Segundo pesquisa apresentada na reportagem, ser professor é o horizonte do “grupo dos 30% com as piores notas no boletim”. Parece que a sala de aula não atrai os que se acham preparados para conquistar coisa melhor.&lt;br /&gt;Não acredito que essa recusa ao magistério se deva à profissão em si. O ensino não é dos ofícios mais árduos se o comparamos, por exemplo, com a burocracia ou com determinadas atividades do setor econômico-financeiro. Não há dúvida de que ele motiva sobretudo quem tem vocação, mas é improvável que não atraia muitos dos que se impacientam ou se trituram em atividades repetitivas atrás de balcões e birôs. &lt;br /&gt;O desprezo pela docência liga-se à “imagem” dessa profissão num mundo em que o importante é ganhar bem, ganhar muito, e deixar isso claro para os outros. Na velha polarização entre o ter e o ser costuma-se associar o professor ao ser, enaltecendo-lhe o idealismo e o desprendimento (leia-se “desapego ao dinheiro”). Tais atributos não condizem com os ideais de uma sociedade pautada pelo pragmatismo e pela busca do sucesso. &lt;br /&gt;A imagem do professor parece que não mais estimula os alunos para o crescimento intelectual. Sem o estímulo decorrente da identificação com quem sabe mais, é possível que estudem para cumprir o programa. Ou para no futuro se distanciarem o mais possível de uma imagem exaltada na retórica, mas desprestigiada no plano concreto das relações sociais. Trata-se de um paradoxo curioso, que se pode formular assim: “quero aprender com ele, para ser na vida o que ele não foi”. &lt;br /&gt;Se os jovens não mais se identificam com o professor, é porque no fundo não o admiram. E não o admiram porque são vários os fatores que concorrem para depreciá-lo. Um deles é o parco contracheque; outro é o tratamento muitas vezes dado ao mestre num universo mercantil de ensino, em que a voz do aluno pagante se sobrepõe à do humilde operário que lhe transmite o saber. Não são raras as situações em que a direção da escola, obrigada a fazer uma escolha, opta por quem a financia mesmo que isso venha ferir a disciplina ou as diretrizes do processo ensino-aprendizagem.&lt;br /&gt;É preocupante que sobretudo os maus alunos queiram se dedicar ao magistério. Isso aponta para um gradativo decréscimo na qualidade do ensino e tende a alimentar um nefasto círculo vicioso. Se os professores forem ruins, a remuneração e o respeito devidos a eles diminuirão. E se remuneração e o respeito forem insignificantes, a qualidade do corpo docente ficará pior. O resultado disso não se pode prever, mas certamente haverá mais sombra do que luz no fim do túnel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-29204415272131461?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/29204415272131461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=29204415272131461' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/29204415272131461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/29204415272131461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2012/02/docencia-dos-mediocres.html' title='A docência dos medíocres'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-1366491738679490161</id><published>2012-02-26T12:38:00.001-08:00</published><updated>2012-02-26T12:38:48.557-08:00</updated><title type='text'>A propósito de Rousseau</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Clarice Lispector escreveu que “Deus é de quem conseguir pegá-Lo”. Já o diabo, acrescento, é de quem ele pegar. Daí que nesta vida seja mais importante fugir do diabo – que conhece a presa e tem o propósito deliberado de fisgá-la – do que perseguir Deus. O mal não faz questão de que nos arrependemos, desde que em algum momento tenhamos sucumbido aos seus ardis. Rousseau sabia disso quando escreveu, nas "Confissões", que devíamos “evitar a primeira vez”. &lt;br /&gt;Mas como aceitar esse conselho numa época que vê na experiência o único critério para o aprendizado e o melhor guia para as ações? Um dos bordões mais entoados hoje é o de que “caminhando se faz o caminho”. Só se deveria então escolher uma coisa -- objeto, pessoa, ação -- depois de experimentá-la. &lt;br /&gt;Ao propor que evitemos a primeira vez Rousseu não estaria postulando uma moralidade apriorística e abstrata, que nos privaria de um juízo fundamentado e preciso porque seria alheia ao nosso eu? Se evito a primeira vez, o faço com base na experiência dos outros...&lt;br /&gt;Isso que parece uma descosida digressão filosófica foi há alguns anos assunto de uma conversa entre eu e minha filha mais velha. Falávamos de drogas; se bem confiasse nela, eu queria mais argumentos para convencê-la de que, particularmente nesse domínio, era preciso evitar a primeira vez. &lt;br /&gt;Ponderei-lhe, didático: “Imagine que você queira experimentar drogas por curiosidade. Duas coisas poderão acontecer: ou você gosta, acha que vale a pena; ou não gosta e se dispõe a jamais fazer de novo. Comecemos pelo segundo caso: como você não gostou, perdeu mesmo tempo experimentando. O melhor era ter evitado. Vejamos agora o primeiro, ou seja, o caso em que você ache a droga um barato. Isso seria terrível, pois você ia querer repetir a dose. &lt;br /&gt;Fiz uma pausa e resumi: “Esse é o tipo de experiência que não vale a pena tentar”. E completei depois para mim: “Nessa Rousseau está coberto de razão”. É falsa a ideia de que devemos experimentar tudo; a muitas coisas devemos renunciar até por instinto de conservação. Um dos segredos de bem viver é discernir entre o que vale a pena ser experimentado e o que deve, de antemão, ser objeto de renúncia. Para isso não existe fórmula, a não ser a do bom senso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-1366491738679490161?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/1366491738679490161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=1366491738679490161' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1366491738679490161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1366491738679490161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2012/02/proposito-de-rousseau.html' title='A propósito de Rousseau'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-929597392294195635</id><published>2012-02-19T13:21:00.001-08:00</published><updated>2012-02-19T13:23:15.822-08:00</updated><title type='text'>Samba no escuro</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Carnaval, ele com vontade de ir para a rua, e a mulher doente no quarto ao lado. Da sala ouvia a tosse -- curru, curru, curru... Era a noite em que sairia o bloco da sua turma. Podia ouvir ao longe o esquentar dos instrumentos e as vozes dos que se dirigiam à concentração. Daí a pouco passariam em frente à sua casa e gritariam, chamando-o. Assim faziam com quem não saía da toca para brincar. O combinado era convocar um por um. Diriam:&lt;br /&gt;- Vamos, Nicanor! Tá na hora! &lt;br /&gt;Não iria. A mulher tossindo no quarto, meio febril, o impediria de aderir à festa. &lt;br /&gt;Levantou-se e foi de novo olhar Emilia. Ela abriu os olhos quando o viu e pareceu adivinhar-lhe o pensamento.&lt;br /&gt;- Quer ir? Vá... &lt;br /&gt;- Não vou deixar você sozinha. &lt;br /&gt;- Não estou morrendo, ora -- disse com débil teimosia e teve um novo acesso de tosse. Curru, curru, curru...&lt;br /&gt;“O diabo é essa tosse” -- ele pensou. Se pelo menos a doença fosse silenciosa! Seria mais fácil ignorá-la, fingir que estava tudo bem. Mas havia esses estampidos, que pareciam um alarme. &lt;br /&gt;- Vá, homem. Eu sei que você quer brincar.&lt;br /&gt;- Não. E pelo amor de Deus pare de tossir! &lt;br /&gt;Nicanor voltou para a sala e ficou uns minutos sentado, ouvindo o barulho que vinha da concentração. O som de tamborins, pandeiros, cornetas tornava-se mais nítido. Intensificava-se o alarido, e dentro em pouco o grupo viria chamá-lo. Alguém diria: “Vem, rapaz. A noite é criança.” Criança? A noite era uma velha moribunda.&lt;br /&gt;Emília parara de tossir. Devia se iludir com esse momentâneo silêncio? Não. A mulher tinha dito: “Pode ir... Vá.” Uma permissão que seria cobrada depois -- se não por ela, pela consciência dele. Tinha um dever. &lt;br /&gt;De repente lhe deu vontade de ir ao quarto dos fundos e abrir o armário onde guardara a fantasia comprada meses antes. Nada excepcional: calça branca, paletó colorido e um chapéu também branco de malandro carioca. Sempre sonhara ser um. O que o atraía na figura do malandro era a lábia, o descompromisso, a jinga para contornar as dificuldades. &lt;br /&gt;Começou a se vestir, devagarinho. Depois foi até o espelho e se olhou. Gostou do que viu. Nem parecia ele... Despertou ao ouvir o som do bloco, que havia chegado em frente à casa. Foi até à sala e espreitou pela janela semiaberta. Se o vissem, ele não poderia resistir. Mal conseguia distinguir as vozes abafadas pelo som dos instrumentos e, agora, pela tosse que recomeçou. Curru, curru, curru... Essa ele ouvia bem.&lt;br /&gt;Antes que o grupo se afastasse, resolveu ensaiar uns passos. Sambou ali mesmo, no escuro da sala. Malandro que é malandro não perde a viagem. Ouvia o bloco se afastando e aos poucos mergulhando no clamor alegre da cidade. No quarto, a mulher continuava a tossir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-929597392294195635?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/929597392294195635/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=929597392294195635' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/929597392294195635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/929597392294195635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2012/02/samba-no-escuro.html' title='Samba no escuro'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-2552192610385881430</id><published>2012-02-12T13:46:00.002-08:00</published><updated>2012-02-22T04:33:11.944-08:00</updated><title type='text'>Considerações heterodoxas sobre o sonho</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Nunca desista dos seus sonhos, mesmo porque isso não iria adiantar. Está provado que precisamos sonhar para manter nosso equilíbrio psicológico e a paz em casa. Quem não sonha dorme mal e perde o senso de humor. Antes de Freud, a ciência tinha preconceito contra os sonhos; achava que eles eram apenas uma forma de a mente reagir aos estímulos recebidos durante o dia. O pai da psicanálise demonstrou que não era nada disso. Sonhamos para realizar desejos, mesmo (ou sobretudo) os inconfessáveis. &lt;br /&gt;Tem&amp;nbsp;gente que volta a dormir para retomar um sonho interrompido por alguma razão. Sobretudo quando se trata de um sonho erótico. Um amigo meu passou por experiência parecida. Sonhou que estava em idílio com uma mulher belíssima (mistura de Gisele Bündchen e Juliana Paes), quando foi acordado pelos latidos do seu cão. Depois de conseguir que ele se calasse ameaçando cortar-lhe a ração do dia seguinte, voltou a dormir com o pensamento voltado para a deusa do sonho. Adormeceu, porém... decepção. Sonhou que era abordado por um fiscal da vigilância sanitária. Depois compreendeu o porquê: no dia anterior tinha lido uma reportagem sobre a possível volta da dengue... O sonhos têm disso: trazem tanto o que se deseja, quanto o que se teme. É uma forma de prazer e de exorcismo. &lt;br /&gt;Um fenômeno curioso apontado por Freud é a “distorção onírica”. Ela é que dá ao sonho aquele aspecto irracional que faz as mentes cartesianas desprezarem seu conteúdo. Mas aí é que está o engano: a distorção decorre da censura, o tal superego, que não lhe deixa em paz nem quando você está dormindo. É um censor que deforma as imagens oníricas e só permite que se reconheça em parte o objeto de desejo. Por exemplo: se você quer muito ser médico, pode sonhar com uma cobra. A explicação está em que a cobra (ou melhor, a serpente) é o animal que circunda o bastão de Esculápio, deus da Medicina segundo os gregos. Pode-se também interpretar esse vínculo como uma alusão a quanto hoje um bom médico... cobra.&lt;br /&gt;O sonho não é uma simples lembrança, mas uma vivência. Na chamada “cena do sonho”, representamos um papel e sentimos emoções por vezes insuportáveis. Isso já levou um repórter a escrever, a propósito de um indivíduo que sucumbiu durante um pesadelo: “Ao acordar, estava morto."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-2552192610385881430?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/2552192610385881430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=2552192610385881430' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2552192610385881430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2552192610385881430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2012/02/consideracoes-heterodoxas-sobre-o-sonho.html' title='Considerações heterodoxas sobre o sonho'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-4157016188052953065</id><published>2012-02-10T05:01:00.000-08:00</published><updated>2012-02-10T05:02:04.376-08:00</updated><title type='text'>Seleção de frases (6)</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;A coisa mais inútil é esperar o sono chegar. Quando ele chega, a gente já está dormindo.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Comprou um cartão para a namorada e fez no verso um oferecimento em prosa.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Quem corta as próprias asas não merece pena. &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;O homem comum vive de sonhos. O poeta, de lira.&lt;br /&gt;**** &lt;br /&gt;Só tem o direito de se desviar a gramática quem a conhece. Uma coisa é errar por ignorância; outra, errar por estilo.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Tinha certeza de que era uma celebridade. Só faltava as pessoas descobrirem isso. &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Depois de certa idade, o melhor presente de aniversário que a gente ganha é mesmo estar presente. &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Bons tempos aqueles em que o comandante era o último a abandonar o navio. &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Toda culpa é desproporcional ao ato. O voyeur sempre expia mais do que espia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-4157016188052953065?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/4157016188052953065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=4157016188052953065' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/4157016188052953065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/4157016188052953065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2012/02/selecao-de-frases-6.html' title='Seleção de frases (6)'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-8448322406065665874</id><published>2012-02-10T04:51:00.000-08:00</published><updated>2012-02-10T04:52:14.877-08:00</updated><title type='text'>Em nome do politicamente correto</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Com a vigilância do politicamente correto, é preciso evitar denominações que agridam as pessoas. Sugiro algumas alternativas: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;feio - esteticamente mal configurado;&lt;br /&gt;fofoqueiro - comentador da vida alheia; &lt;br /&gt;barrigudo - provido de vasta amplitude abdominal;&lt;br /&gt;baixinho - verticalmente reduzido; &lt;br /&gt;“burro” - intelectualmente deficitário;&lt;br /&gt;banguelo - desprovido do aparato necessário à mastigação; &lt;br /&gt;cabeçudo - dotado de hipertrofia craniana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-8448322406065665874?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/8448322406065665874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=8448322406065665874' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/8448322406065665874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/8448322406065665874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2012/02/em-nome-do-politicamente-correto.html' title='Em nome do politicamente correto'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-5304978562066397737</id><published>2012-02-05T06:17:00.000-08:00</published><updated>2012-02-05T06:17:31.165-08:00</updated><title type='text'>Sobre o plágio do meu slogan</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Há alguns anos, a frase “Curso Chico Viana - Não dá pra passar sem ele” tornou-se o slogan do meu curso (o que está fartamente documentado em apostilas e jornais). Estranhei ao vê-la, no Facebook, ilustrando o comercial de um professor de redação desta cidade. &lt;br /&gt;Diga-se, a bem da verdade, que a cópia não foi total. O colega trocou o meu “pra” por um “para”: “Curso Tal - Não dá para passar sem ele.” Isso me convenceu de que seu objetivo, além de copiar-me, foi também me “corrigir”. Ele produziu uma espécie de plágio retificador (se é que isso existe, pois a apropriação total de um conteúdo artístico, científico ou cultural por outrem é apenas plágio --- sem adjetivos).&lt;br /&gt;O que teria levado o professor a fazer isso? Certamente a ideia equivocada de que “para” é mais... correto do que “pra”. Tal modo de ver merece algumas considerações, pois um dos assuntos que mais se discutem hoje no ensino da língua (e particularmente no da redação) é a pertinência dos registros de linguagem. &lt;br /&gt;No meu slogan, o uso do “pra” se justifica por duas razões. A primeira é que o conectivo aparece numa mensagem publicitária, tipo de texto em que há espaço para o uso informal da língua. Os redatores das agências de publicidade nem sempre se pautam pela norma culta ou pelo registro formal. Tendem, por exemplo, a cometer transgressões na regência em frases do tipo: ”Encontre a casa que você precisa” (e não “de que”). &lt;br /&gt;A segunda razão, ainda mais forte, é que a mensagem publicitária visa atingir o cérebro e o coração do destinatário. Seu objetivo é convencer e, sobretudo, persuadir. Um dos meios de conseguir isso é lançar mão de recursos da linguagem poética, tanto no plano semântico quanto no sonoro. Daí ser comum no texto publicitário o uso de metáforas, versos, rimas. Em meu slogan, apelei para o metro heptassilábico: “Não/ dá/ pra/ pa/ssar/ sem/e/le” (“ss” juntos porque se trata de divisão métrica, não silábica). A cesura na segunda, na quinta e na sétima sílabas dá um tom incisivo à frase e se harmoniza com a veemência logicamente respaldada na “condição necessária” (embora não suficiente): “Sem ele, é impossível passar” -- nos dois sentidos que o verbo “passar” tem no slogan. &lt;br /&gt;Trocando o “pra” por “para”, o colega compromete a maior parte desses efeitos. Quebra o metro heptassilábico e produz uma desagradável impressão sonora. A presença de mais um “a” prolonga desnecessariamente a assonância (aaaaa) e ressalta a cacofonia gerada pelas consoantes “p” e “r” (parapa - parece o caracrachá do Severino). Em vez do heptassílabo, ele criou um octossílabo trôpego e manco, que está longe da fluidez desejável numa mensagem publicitária. &lt;br /&gt;Meu slogan foi inspirado num, da “Folha de São Paulo”, muito elogiado pelo uso que faz da dupla negação: “Folha - Não dá pra não ler”. (grifo meu). A dupla negação aponta para um conteúdo afirmativo forte e reforça a “condição necessária”. Talvez o colega trocasse o “pra” pelo “para” no slogan da “Folha”, destruindo a força do pentassílabo e comprometendo a eficiência da expressão. Talvez até, quem sabe, sua ânsia corretiva o levasse a modificar o verso de Bandeira, que passaria para “Vou-me embora para Pasárgada”. O problema é saber em nome de quê ele faria tais correções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-5304978562066397737?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/5304978562066397737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=5304978562066397737' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5304978562066397737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5304978562066397737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2012/02/sobre-o-plagio-do-meu-slogan.html' title='Sobre o plágio do meu slogan'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-1216692523288723791</id><published>2012-01-29T12:11:00.000-08:00</published><updated>2012-01-29T17:32:06.971-08:00</updated><title type='text'>Debate sem fim</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;A Associação Semiótica de Marambaia (Asma) convocou uma reunião para discutir o comercial em que se faz referência a “Luíza, que está no Canadá”. Perplexos com a disseminação desse “meme”, seus membros queriam entender o motivo pelo qual a frase alcançou tão grande repercussão. O primeiro a falar foi Umberto Oco: &lt;br /&gt;-- Colegas, minha opinião é a de que esse é um fenômeno gratuito e aleatório. Assim como se disse “Menos Luíza, que está no Canadá”, podia-se dizer “Menos Joana, que está na Dinamarca”, ou algo semelhante. O efeito seria o mesmo. &lt;br /&gt;-- Desculpe, amigo Oco, mas não concordo com a sua interpretação -- interrompeu Ferdinando Sussurro. Depois de breve pausa, continuou: &lt;br /&gt;-- Não há nessa mensagem gratuidade. Pelo contrário: ela foi pensada e urdida com um objetivo muito claro. Ao redigi-la, o publicitário tinha em mente atingir determinada faixa de público. Veja: a função do comercial era vender um imóvel destinado a um tipo de consumidor endinheirado e presumivelmente vaidoso. Nada mais adequado, então, do que inserir o detalhe da viagem. Essa nota de esnobismo se identificaria com a mentalidade dos possíveis compradores. &lt;br /&gt;-- Mas isso não explica o efeito que o comercial teve! &lt;br /&gt;-- Aí é que está: o que era para ser um detalhe perceptível a alguns terminou chamando a atenção de todos. Curiosamente, os que popularizaram a frase foram os que a criticavam. Para usar uma imagem comum hoje -- eles acabaram “dando um tiro no pé”. &lt;br /&gt;Sussurro calou-se, avaliando o efeito das suas palavras. Em seguida foi a vez de Sigismundo Fraude, autoridade em psicolinguística: &lt;br /&gt;-- Colegas, permitam-me discordar dos dois. Para mim, o apelo da frase é de outra natureza. Sua força vem de ela se dirigir ao nosso inconsciente. A referência a um nome de mulher e a um país distante alimentou grande parte da literatura romântica e ainda hoje desperta nossa fantasia. Ao evocar uma ausência, aparece como um indício do “objeto perdido”...&lt;br /&gt;Sigismundo prolongou as reticências, como se quisesse que o auditório reproduzisse mentalmente o conteúdo da frase. Suas palavras provocaram rumor. As pessoas confabulavam e pareciam ver alguma lógica no que ele havia dito. Mas não deixavam de concordar com quem falou antes. O mais provável era que o sucesso do comercial não tivesse uma única razão. &lt;br /&gt;O terceiro a se manifestar foi um desconhecido, por isso ninguém achava que fosse dizer grande coisa: &lt;br /&gt;-- Admiro a argúcia dos colegas e acho que todos de algum modo estão certos. A frase repercutiu pelos motivos apontados, mas também pelo que eu chamo “a retumbância do irrelevante” -- um fenômeno muito comum hoje. A menção à pessoa ausente não tinha nada a ver (constitui semanticamente uma impertinência), mas por isso mesmo acabou repercutindo mais do que a própria mensagem. Ou melhor: acabou se transformando “na mensagem”. &lt;br /&gt;Outros levantaram a mão. Pelo visto, o debate ia se prolongar noite adentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-1216692523288723791?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/1216692523288723791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=1216692523288723791' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1216692523288723791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1216692523288723791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2012/01/debate-sem-fim.html' title='Debate sem fim'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-290016546095880611</id><published>2012-01-23T13:38:00.000-08:00</published><updated>2012-01-23T13:40:11.077-08:00</updated><title type='text'>Tese de Chico Viana sobre Augusto dos Anjos será reeditada</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;A reedição de “O evangelho da podridão; culpa e melancolia em Augusto dos Anjos”, tese de doutorado defendida por Chico Viana sob a orientação de Helena Parente Cunha, é uma das ações com que a Fundação Casa de José Américo comemorará o centenário de “Eu”, que ocorre este ano. &lt;br /&gt;Conforme a Resolução 003/2012 do Conselho Deliberativo da entidade, publicada no Diário Oficial do último dia 18, farão ainda parte dos festejos “a realização de debates (mesa redonda) pertinentes” e “a aposição de um marco - nas dependências do órgão - que registre a participação da FCJA no aludido Centenário”.&lt;br /&gt;A primeira edição de “O Evangelho...” veio a público em 1994, com o selo da Editora Universitária, e foi apresentada pelo acadêmico Antônio Carlos Secchin, que havia participado da banca examinadora na UFRJ. O livro, esgotado há alguns anos, teve boa aceitação acadêmica e hoje figura na bibliografia de muitas dissertações e teses sobre o paraibano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;strong&gt;O “Evangelho da podridão” e a crítica&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cuidado didático de explicar cada conceito teórico utilizado, a precisão em concatenar os argumentos, o recurso constante do exemplo analisado são traços que garantem a estes escritos um ótimo nível de entendimento. A leitura flui agradável e instigadora, envolvido o leitor pelo estilo e também pela devoção do crítico ao seu poeta. Envolvido o leitor pelo entusiasmo que o conduz de um texto a outro, até o fim. (Ângela Bezerra de Castro)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Fiquei impressionadíssimo com esse ensaio de alto nível. Um rapaz que trocou a medicina pela literatura e sabe ler a obra de Augusto dos Anjos com uma profundidade, uma verdade, uma consciência crítica de velho scholar. Quero louvar em Chico o seu rigor, como em Valéry. E em Da Vinci. Não diz uma palavra que não se documente, com espírito de minúcia e, ao mesmo tempo, com amplidão de perspectivas.” (Antonio Carlos Villaça, no Jornal do Brasil) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“...é dentro desta perspectiva contemporânea, marcada em síntese pela necessidade de pensar a obra do poeta enquanto obra necessariamente poética, artística por assim dizer, que surge o trabalho talvez mais rigoroso, mais denso e mais completo sobre o corpus literário de Augusto dos Anjos.” (Hildeberto Barbosa Filho)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“...enfatizo que não se deve perder mais tempo em dar a público um dos estudos que mais esclarecem a leitura do poeta de Eu.” (Sebastião Moreira Duarte) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-290016546095880611?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/290016546095880611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=290016546095880611' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/290016546095880611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/290016546095880611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2012/01/tese-de-chico-viana-sobre-augusto-dos.html' title='Tese de Chico Viana sobre Augusto dos Anjos será reeditada'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-1382853431072356628</id><published>2012-01-22T13:27:00.000-08:00</published><updated>2012-01-22T13:30:44.542-08:00</updated><title type='text'>Notas de Buenos Aires</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Quando chega a Buenos Aires, o brasileiro fica eufórico ao trocar seus reais por pesos. O valor duplicado da nossa moeda o faz pensar que terá dinheiro para comer à farta e satisfazer alguns caprichos de consumo. O choque começa quando ele pede o primeiro cafezinho no aeroporto; podem lhe cobrar até 13 pesos, ou seja, cerca de seis reais e cinquenta centavos. Por menos da metade disso, toma no Brasil um expresso encorpado e acrescido dos mimos a que faz jus: biscoitos e um copinho de água mineral.&lt;br /&gt;Nossa moeda tem mais valor do que a dos argentinos, mas eles acharam um jeito de compensar a defasagem aumentando o preço dos produtos e serviços.&amp;nbsp;No fim das contas, sai uma coisa pela outra. O difícil é saber como suportam a inflação. Entendo muito pouco de economia, mas acho que a entrada dos reais (a cidade está cheia de brasileiros) os ajuda a fazer isso. &lt;br /&gt;Mas deixemos de lado essas comezinhas questões econômicas (o importante é o espírito!) e falemos de outras coisas. A cidade é bonita mas bastante descuidada no centro, com prédios sujos e construções inacabadas. Como fiquei hospedado por ali, minha primeira impressão foi negativa. O que não estava maltratado pelo tempo sofrera a ação dos pichadores. &lt;br /&gt;Para quem ia passar pouco tempo, uma das alternativas era aceitar as atrações oferecidas pelo pacote turístico. Foi o que fizemos, começando pelo tradicional City Tour. Tem gente que despreza esse tipo de passeio e prefere roteiros menos previsíveis. Não é o meu caso, e pelo menos desta vez não me arrependi. Um dos motivos foi o guia, um sujeito informado e espirituoso que me fez tomar contato com o bom humor portenho. Eles têm muito da nossa autoironia, sabem rir de si mesmos. Durante o trajeto não foram poucas as piadas que ouvi sobre Maradona, a presidente (lá ninguém fica discutindo se deve ser “ente” ou “enta”) e a situação econômica do país.&lt;br /&gt;Fizemos uma parada em La Boca, bairro famoso que dá nome ao time de futebol. Como fazia um sol muito forte, passei a usar um boné com a logomarca do Boca Juniors. Parece que fiquei marcado por isso. Em alguns lugares eu era alvo de risinhos, pilhérias, às vezes uma velada repreensão. O tom geral era de brincadeira, mas suficiente para mostrar como entre eles é forte a rivalidade no futebol. Ao saber que éramos brasileiros (e percebiam isso de imediato), vinham com a pergunta inevitável. “Pelé ou Maradona?” E também: “Messi ou Neimar?”&lt;br /&gt;No fim do passeio pedimos para saltar em Puerto Madero, região de bons restaurantes. Escolhemos um para o almoço, e fui então apresentado (sem muito prazer) ao tal bife de chouriço -- famoso espécime da gastronomia argentina. Ele bem que faz jus ao nome. A carne, de um aspecto sangrento, é envolvida por largas fitas de gordura que provocam um arrepio em nossas artérias. Deixei os que estavam comigo provarem aquilo e preferi truta. Essa veio envolvida em muito óleo, mas pelo menos era branquinha e aparentemente virgem do mau colesterol. Comi sem remorso, contemplando o cais em frente e pensando que à noite haveria tango.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-1382853431072356628?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/1382853431072356628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=1382853431072356628' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1382853431072356628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1382853431072356628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2012/01/notas-de-buenos-aires.html' title='Notas de Buenos Aires'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-1067591228314666804</id><published>2012-01-16T11:16:00.001-08:00</published><updated>2012-01-16T11:44:03.540-08:00</updated><title type='text'>Bolsa Feiura</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Li há alguns dias que estão pensando em criar o Bolsa Feiura. Segundo o idealizador do projeto, vivemos numa sociedade que valoriza muito a beleza, e os que não a têm competem em desigualdade de condições com os bonitos. Uma forma de reparar essa injustiça seria destinar aos feios determinada quantia para que eles pudessem de alguma forma reduzir os efeitos da sua condição. Com o dinheiro comprariam produtos de beleza, frequentariam clínicas estéticas ou mesmo, se fosse o caso, fariam&amp;nbsp;plástica. &lt;br /&gt;Certamente isso vai gerar muitas críticas. Dirão que não tem sentido propor tal ajuda quando há no país milhares de indivíduos sem teto ou com fome. Esse argumento, contudo, é fácil de refutar. A feiura não é um problema social (a não ser, talvez, na China), mas entristece ou deprime muitas pessoas, o que indiretamente afeta o setor produtivo do país. Quem, sentindo-se por dentro “um lixo”, tem ânimo para fazer a contento o seu trabalho?&lt;br /&gt;Essa história de “estar bem consigo” tem fundamento. Se o espelho não nos aprova, tendemos a ignorar os outros e pouco nos importamos com o mundo. Em alguma medida, Freud tem razão: o universo é projeção do ego. Tendemos a moldá-lo conforme nossa disposição interior. &lt;br /&gt;Inclinamo-nos para o belo porque, segundo Stendhal, a beleza é uma promessa de felicidade; isso quer dizer que a feiura “promete” o oposto. Vinicius segue a mesma pisada ao afirmar, pedindo perdão às muito feias, que beleza é fundamental. Como veem, o Bolsa Feiura tem um sólido aval literário (a não ser por Quasímodo, que compensa a corcunda com a beleza interior -- mas quem liga para ela hoje?). O projeto, se aprovado, não mudará ninguém, mas constituirá um estipêndio consolador. Vai reparar um pouco o descuido (ou mesmo a imperícia) com que a natureza desenha certas fisionomias.&lt;br /&gt;O problema de um projeto como esse em nosso país é que poucos resistem a dinheiro que vem do Estado. Seguindo a prática do jeitinho, a maioria vai bolar artifícios para parecer mais feia do que é e ter direito à cota. Talvez isso produza um decréscimo na nossa vaidade, levando à crise o setor de produtos estéticos. Haveria protestos, demissões -- e aí, sim, a coisa ficaria feia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-1067591228314666804?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/1067591228314666804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=1067591228314666804' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1067591228314666804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1067591228314666804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2012/01/bolsa-feiura.html' title='Bolsa Feiura'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-5621528642434526118</id><published>2012-01-10T16:07:00.000-08:00</published><updated>2012-01-10T16:07:40.062-08:00</updated><title type='text'>Distração</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Uns sofrem do demônio da dúvida e vivem na gangorra do sim ou não. Outros são compulsivos e remordem-se de culpa sem motivo aparente. Há também os ansiosos, que padecem de uma inexplicável “pressa por dentro” (expressão de Clarice Lispector).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho um pouco de tudo isso, mas o que me incomoda mesmo é a distração. Não sou dos que chegam a um lugar sem saber o que foram fazer ali; nem dos que nunca lembram em que andar do shopping deixaram o carro. Mas já vivi situações que me causaram grande constrangimento. A maioria no âmbito doméstico, para desespero da minha mulher.&lt;br /&gt;Já não dou conta das chaves e guarda-chuvas que perdi. Nem das vezes em que voltei do meio do caminho para buscar a pasta de redações que deveriam ser entregues aos alunos. Outro dia, depois de lavar compenetradamente os pratos, guardei o detergente na geladeira e a melancia no armário. Não precisa dizer que tive de enfrentar uma borrasca conjugal. “Em que é que você estava pensando?” – repreendeu-me a esposa. &lt;br /&gt;O problema é esse. Em que é que o distraído está pensando? Em tudo e em nada ao mesmo tempo. Ele parece fútil, mas é na verdade disperso. Há em seu cérebro uma simultaneidade de sinapses que conduzem a várias trilhas mentais. Ideias, lembranças, desejos oscilam em torno de um desarvorado centro anímico. Daí os esquecimentos, as veleidades, os “brancos” alternados com momentos de esplendorosa lucidez.&lt;br /&gt;É preciso ter paciência com os distraídos. Eles raramente são maus, pois a maldade exige concentração. Como, sem cálculo e constância, urdir um plano para destruir alguém? Com sua alma transitória, o distraído tem facilidade para esquecer quem o ofendeu. Sua lição é de tolerância e desprendimento. &lt;br /&gt;Os outros, sim, tendem a ser intolerantes com ele. Acusam-no, por exemplo, de viver no mundo da lua. Ou de não estar “nem aí”. De fato, o distraído está sempre além, alhures, em outro canto. Ele vive nos atalhos que margeiam o centro perdido, ou ignorado, do qual não sabe “como” nem “por que” se afastou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Em "A idade do bobo", p. 71)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-5621528642434526118?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/5621528642434526118/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=5621528642434526118' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5621528642434526118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5621528642434526118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2012/01/distracao.html' title='Distração'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-8832216750730412755</id><published>2012-01-10T15:53:00.000-08:00</published><updated>2012-01-10T15:53:24.413-08:00</updated><title type='text'>Uma aventura da linguagem</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Se o normal é confessarmos nossas faltas, seria mais adequado eu revelar o que não li. Pois a verdade é que li muito pouco. E esse pouco -- o que agrava o delito -- foi descoberto por conta própria, ao sabor de entusiasmos, admirações, e por critérios nem sempre corretos. &lt;br /&gt;Nossas escolas não orientam sobre quando ou como ler, mas quem tem amor aos livros termina contornando essa lacuna. Segue uma disposição que é percebida desde muito cedo, a partir do momento em que toma consciência de si. Sempre vi nos livros a possibilidade de uma transcendência (talvez uma compensação) que a vida comum não tinha. Brincar com os colegas, jogar futebol, passear com a família -- tudo isso era bom. Mas ler era diferente. Nos livros eu via a possibilidade de ultrapassar o tempo, o espaço, o nosso precário destino. A leitura, conforme fui percebendo, era uma forma de descer ao inferno da alma humana ou escalar o pico de suas mais caras aspirações.&lt;br /&gt;A experiência de ler é a mais profunda que o homem tem em termos de comunicação com o semelhante. Nosso diálogo com os outros é incompleto, limitado por entraves sociais e afetivos. Ninguém, mesmo querendo, diz tudo nem ouve tudo. Ninguém se abre para nós com a amplitude e a intensidade com que os personagens o fazem. Eles não têm segredos e, ao revelar-se, dizem muito de nós. Cada personagem é um confidente e um espelho em que nos miramos com solidariedade e por vezes com horror.&lt;br /&gt;É claro que só adquirimos a consciência disso quando estamos maduros. No início existe apenas a atração pelo que os signos trazem. As primeiras leituras são o momento de dramatizar o combate entre o bem e o mal, o bonito e o feio, o forte e o fraco. Aderimos ao lado positivo dessas antíteses para criar um código moral e dar alguma ordem ao mundo. Ficamos do lado do bem, do bonito, do forte, sem muita noção de que essas qualidades não existem em estado puro; na vida é tudo misturado. Nossas leituras acompanham (e propiciam) a percepção dessa verdade.&lt;br /&gt;A leitura não deixa de ser uma fuga aos compromissos da vida. Quem está lendo se subtrai ao convívio com os seres de carne e osso para entrar em outro mundo. Um mundo não real, virtualizado pelos signos, separado das coisas pela representação. Por isso é importante saber entrar e sair dele. Felizes os que voltam mais sábios (mas não presunçosos) e têm a destreza de aplicar na vida real o que lá aprenderam. A leitura não pode ser evasão, embora tenha um componente disso. Depende do leitor, mais do que do autor, fazer com que ela seja uma fantasia instrutiva -- no sentido de tornar mais lúcido e espiritualmente melhor o ser.&lt;br /&gt;Como quase todo o mundo, comecei com os gibis. Depois passei aos livros de bolso. Foi uma evolução trocar as figuras pelos signos verbais, que antes pareciam impenetráveis e sem graça. Fui aprendendo a gostar das aventuras de Shell Scott, Perry Mason, Giselle, cujo esquematismo do enredo só depois, já leitor crítico, eu seria capaz de avaliar. Mas era preciso passar por tudo isso. O gosto não se cria com o difícil, mas com o que nos atrai. A leitura tem de começar dando prazer (acho absurdo que alunos ainda verdes sejam obrigados a ler Machado de Assis, Guimarães Rosa e semelhantes. Não vão gostar e podem criar uma indisposição para com esses autores que vai acompanhá-los pelo resto da vida).&lt;br /&gt;Comecei lendo o que gostava, e por isso continuei a ler. Tivesse sido forçado a conhecer obras pesadas quando não estava preparado para isso, certamente teria desistido no meio do caminho. Só depois dos livrinhos de bolso é que fui conhecer os autores “sérios” da literatura brasileira -- Jorge Amado primeiro, depois José Lins e Graciliano Ramos. Gostei de “Capitães de Areia” pela romantização que faz da vida dos meninos de rua -- justamente o aspecto do livro que hoje se critica. Li com um sobressalto gostoso “Terras do Sem Fim”, “Jubiabá”, “Mar morto”, envolvido em enredos que não me pareciam distantes dos que encontrara nos livros de aventura. Nesse período “a linguagem” era o que menos me interessava. Impressionava-me com uma metáfora, uma hipérbole, uma sinestesia, mas sem muita consciência dos efeitos que elas provocam no discurso. &lt;br /&gt;Um encontro fundamental para mim foi com os modernos cronistas brasileiros. Criei gosto por fazer crônicas lendo Rubem Braga (sobretudo), Nelson Rodrigues, Millôr Fernandes, Carlinhos de Oliveira, Paulo Mendes Campos e alguns outros. Era bom encontrar no jornal um espaço em que a seriedade da notícia e do editorial era substituída por uma prosa carregada de subjetividade e humor. Ali estava, como contraponto ao registro dos fatos, o testemunho de alguém que não temia se confessar e, em certa medida, mostrar-se mais como personagem do que como pessoa (um aparente paradoxo que explica a atração que a crônica exerce). Quando não falava de si mesmo, comentava com lirismo ou sarcasmo as matérias que o jornal trazia de forma impessoal. &lt;br /&gt;Enquanto lia essa prosa e rabiscava minhas crônicas, mantinha uma espécie de atividade paralela mas de alguma forma relacionada com a literatura, que era a de professor de português. Durante muito tempo me perguntei se esse convívio técnico com o idioma atrapalhava a atividade criativa. Não seria sensato esquecer as gramáticas e me deter apenas nos “criadores”? Com isso não teria chances de me transformar num escritor melhor (ou, pelo menos, num escritor?). &lt;br /&gt;Superei as angústias com esse tipo de indagação dando-me conta de que ninguém se transforma em escritor -- e muito menos vem a se tornar um esquivando-se a determinada forma de abordar a língua. No máximo, o escrevente aprimora seus dons. Se não os tem, não será pelo contato com os criadores que vai adquirir a faculdade de criar. Se os tem, não vai perdê-los por se envolver com questões de uso, norma, tradição, vernaculidade. A observação dos mestres mostra que tacitamente, sem explicitações terminológicas, muitos deles fazem isso (Machado, Clarice, Graciliano, Guimarães Rosa). &lt;br /&gt;O importante, com gramática ou não, é sempre ler mais. Isso ajuda a perceber que mesmo quando não o notávamos (ou seja, mesmo quando líamos apenas para acompanhar as peripécias dos personagens numa história) a literatura é antes de tudo uma aventura da linguagem. Um meio de o homem se conhecer, interagir com os outros, atuar de forma consciente no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Publicado na coletânea "Confesso que li" (Ideia),&amp;nbsp;organizada pelas professoras Neide Medeiros e Yó Limeira - &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-8832216750730412755?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/8832216750730412755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=8832216750730412755' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/8832216750730412755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/8832216750730412755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2012/01/uma-aventura-da-linguagem.html' title='Uma aventura da linguagem'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-3473922428424878778</id><published>2012-01-08T11:24:00.000-08:00</published><updated>2012-01-08T11:24:31.606-08:00</updated><title type='text'>"Palavra por palavra"</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;O que não falta são livros que buscam ensinar a escrever. Não ensinam. Os melhores dão algumas boas dicas e têm a honestidade de mandar o leitor fechá-los e praticar. Assim como samba não se aprende na escola, a escrita não se aprende em guias de redação. Isso não quer dizer que não sejam úteis. Uma das vantagens deles é trazer depoimentos de escritores e mostrar como os problemas de quem se propõe a escrever são comuns a todos, o que serve de estímulo aos iniciantes. &lt;br /&gt;Li alguns desses livros e confesso que poucos me impressionaram tanto como “Palavra por palavra”, de Anne Lamott (Sextante). Adquiri-o meio por acaso, numa pequena livraria do aeroporto de Guarulhos antes de um voo para João Pessoa. Eu estava na sala de espera quando percebi que terminaria “O espião que saiu do frio” antes do fim da viagem. Não teria mais com que distrair minha fobia de voar. Explico: quando viajo de avião, a leitura é meu Rivotril (outros diriam “meu Lexotan”, ou “meu terço”); absorvo-me nela da decolagem ao pouso. &lt;br /&gt;Vendo que não teria o que ler, corri ao quiosque mais próximo (já se fazia fila no portão de embarque) e comprei o primeiro livro com que me deparei. Era o de Anne Lamott. A obra me conquistou desde a introdução sincera e divertida, em que ela mistura lembranças da infância com impressões de suas primeiras leituras. Destaca a influência que recebeu do pai, também escritor e morto precocemente de câncer. Refere a sua ligação com outros escritores e o desejo de, por meio da literatura, transcender os limites do ambiente provinciano em que foi criada. &lt;br /&gt;A obra tem como subtítulo ”Instruções sobre escrever e viver”. Nada mais exato, pois a autora aborda sobretudo a dimensão existencial da escrita. Questiona o sentido e o valor que ela tem, buscando destruir mitos como o de que a publicação é a grande meta do escritor e pode lhe trazer dinheiro e glória. “Se o que você tem em mente é fama e fortuna, já vou avisando que a publicação o levará à loucura”, adverte. Mais importante do que publicar é fazer da escrita fonte de autoconhecimento e um meio de investigar (e revelar aos outros) nossa humanidade. “O objetivo da maior parte dos bons textos parece ser revelar, sob uma luz ética, quem somos”. &lt;br /&gt;Para Lamott o escritor tem que dizer a verdade, deixar emergir o inconsciente, a emoção, e se comprometer moralmente com aquilo em que acredita. Isso não quer dizer que ele deva “edificar” os leitores. “Uma posição moral não é uma mensagem, e sim uma preocupação passional dentro de você”, explica. O móvel dessa paixão é o desejo de aclarar as zonas sombrias que existem dentro de nós. “Quando as pessoas iluminam um pouco o próprio monstro, descobrem como ele se parece com o dos outros”; cabe ao escritor revelar esses desvãos que nos amedrontam e angustiam. O fato de saber que eles são comuns a todos nos traz algum alívio. &lt;br /&gt;“Palavra por palavra” é um desses livros indispensáveis para os que pretendem escrever. Encoraja a que se persista nesse propósito com intensidade e doação -- “por causa do espírito”. “A escrita e a leitura reduzem nossa sensação de isolamento. Aprofundam, alargam e expandem nossa noção da vida: alimentam a alma”, resume a autora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-3473922428424878778?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/3473922428424878778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=3473922428424878778' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3473922428424878778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3473922428424878778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2012/01/palavra-por-palavra.html' title='&quot;Palavra por palavra&quot;'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-1282467071365217736</id><published>2012-01-07T06:30:00.000-08:00</published><updated>2012-01-07T06:31:22.310-08:00</updated><title type='text'>Seleção de frases (5)</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Quem tem boca deve cuidar do aroma. &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Os membros do casal têm que se preservar como indivíduos. Se os dois são um, é porque cada qual só existe pela metade.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;O mundo surgiu por acaso, mas isso certamente tem uma explicação. &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Envelhecer é saber enfim caminhar e não ter mais pernas.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Conhece-se o homem por aquilo que o sacia.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Que os outros aprendam com seus erros. Eu prefiro aprender com meus acertos.&lt;br /&gt;**** &lt;br /&gt;Em briga de marido e mulher, vez por outra um dos dois mete a faca.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Quando a maré baixa, o vento perde o emprego. Não há mais vagas.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Era tão magrinha, mas tão magrinha, que quando tirava a roupa parecia fazer um strip-tísico.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Seja otimista. Se você acha que sua vida é “uma droga”, já tem nela o remédio. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-1282467071365217736?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/1282467071365217736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=1282467071365217736' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1282467071365217736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1282467071365217736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2012/01/selecao-de-frases-5.html' title='Seleção de frases (5)'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-1683113976124502433</id><published>2012-01-04T05:07:00.000-08:00</published><updated>2012-01-04T05:09:16.867-08:00</updated><title type='text'>Revisitando "Alice"</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Cansada de aumentar e diminuir de tamanho, Alice resolveu procurar a Rainha. Marchava firmemente em direção ao palácio (dessa firmeza que a gente tem nos primeiros momentos em que toma uma decisão), quando viu embaixo de uma árvore um Bicho esquisito. O Bicho acenou, rindo, e como é difícil resistir a quem nos acena rindo, ela se aproximou. &lt;br /&gt;- Quem é você? Nunca tinha lhe visto antes. &lt;br /&gt;- Sempre estive aqui -- respondeu o estranho animal, que usava uma roupa amarela, meio frouxa no corpo, e um chapéu azul caindo de lado. -- O fato de você não ter me visto não quer dizer que eu não existia. &lt;br /&gt;- Que coisa mais tola! Para você existir -- pelo menos para mim --, eu precisava lhe ver. &lt;br /&gt;- Está bem. Não vale a pena discutir com crianças. &lt;br /&gt;- Você acha que, por ter a minha idade, eu não entendo as coisas?&lt;br /&gt;- Não é questão de entender ou não entender. Não se trata de lógica, mas de bom senso. E depois... ser criança não depende de idade. &lt;br /&gt;Disse isto com um ar superior, que ofendeu Alice, pois nada ofende mais uma criança do que ser tratada como tal. Percebendo o ar aborrecido da menina, o Bicho mudou de assunto. &lt;br /&gt;- Pra onde você vai assim tão rápido?&lt;br /&gt;- Vou procurar a Rainha. Quero que ela me ajude a não ficar mudando de tamanho. Não aguento mais aumentar ou encolher sem razão. &lt;br /&gt;- E por que logo a Rainha? &lt;br /&gt;- As rainhas (e os reis, é claro) são poderosas, além de sábias. Só ela pode me ajudar.&lt;br /&gt;- Pois saiba que você vai procurar quem menos devia. A Rainha pode até lhe dar um tamanho único, mas será na medida que ela escolher. Além disso, vai cobrar caro pelo favor. E sabe, menina? Nada mais monótono do que medir sempre a mesma coisa -- ainda mais por decisão real! Haverá momentos em que você vai querer crescer ou diminuir de novo, e terá que pedir a aprovação da Rainha para isso. &lt;br /&gt;Alice sentou-se no chão e ficou calada. Parecia pensar seriamente no que tinha ouvido... (parecia, só, pois não tinha paciência para pensar muito. Achava que, enquanto pensava, as coisas em volta iam acontecendo sem ela). Depois de quase um minuto, perguntou: &lt;br /&gt;- Então... não há solução para mim? &lt;br /&gt;- A solução é esquecer a Rainha e esperar. &lt;br /&gt;- Esperar?! Quanto tempo? &lt;br /&gt;- O tempo necessário. &lt;br /&gt;- E qual o tempo necessário?&lt;br /&gt;- Isso você vai só descobrir quando deixar de aumentar e diminuir de tamanho. Não há outra forma de saber. &lt;br /&gt;- Entendi (não tinha entendido, mas sabia que nada agrada mais alguém com quem se conversa do que fingir que se entende tudo). Mas, enquanto isso... &lt;br /&gt;- Esqueça “enquanto isso”. Ficar ligado no “enquanto isso” torna insuportável qualquer espera. Espere esquecida de que está esperando, assim você sentirá menos o tempo passar. &lt;br /&gt;Alice achou isso de muito “bom senso” e resolveu adiar por uns dias a visita à Rainha. Ao sair, disse ao Bicho: &lt;br /&gt;- Não sei com que palavras lhe agradecer. &lt;br /&gt;- Não procure demais. As melhores são mesmo “muito obrigada”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-1683113976124502433?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/1683113976124502433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=1683113976124502433' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1683113976124502433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1683113976124502433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2012/01/revisitando-alice.html' title='Revisitando &quot;Alice&quot;'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-5590068224701486167</id><published>2012-01-01T13:05:00.001-08:00</published><updated>2012-01-01T13:06:40.326-08:00</updated><title type='text'>Promessas para o novo ano</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Prometo em 2012&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- fazer&amp;nbsp;regime entre as refeições;&lt;br /&gt;- botar em dia os compromissos (a não ser os que estejam atrasados);&lt;br /&gt;- ser sincero com as pessoas, sobretudo quando lhes mentir; &lt;br /&gt;- fazer ginástica todas as manhãs antes de me levantar (bocejos e algumas sessões de alongamento são excelentes na cama);&lt;br /&gt;- evitar deixar tarefas pela metade, não as começando;&lt;br /&gt;- aceitar o jeito de ser dos outros, desde que ele seja semelhante ao meu; &lt;br /&gt;- deixar de acessar todo dia Facebook; fazer isso apenas à noite; &lt;br /&gt;- fazer diariamente um exame de consciência até conseguir ser aprovado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-5590068224701486167?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/5590068224701486167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=5590068224701486167' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5590068224701486167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5590068224701486167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2012/01/promessas-para-o-novo-ano.html' title='Promessas para o novo ano'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-2308208904916182401</id><published>2011-12-26T13:17:00.000-08:00</published><updated>2012-01-05T05:02:13.922-08:00</updated><title type='text'>O galo e o peru (uma antifábula natalina)</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Véspera de Natal. No quintal de uma família de classe média, estão um galo e um peru. O galo caminha alegre, balançando a crista. Já o peru não sai do canto e mal disfarça a tristeza. Sabe o que o aguarda. &lt;br /&gt;De repente o galo canta. O peru&amp;nbsp;o interroga com um misto de surpresa e ressentimento: &lt;br /&gt;- Por que essa alegria? &lt;br /&gt;- Porque tenho alguma coisa a ver com o que acontece hoje. Um de meus ascendentes saudou o nascimento do Menino. Foi a trombeta auroreal de um novo mundo. Como eu não iria me alegrar?... E você? Qual a razão dessa cara?&lt;br /&gt;- Ora... Daqui a pouco vou virar comida para os que vêm festejar o nascimento a que você se refere. Queria que eu estivesse contente?&lt;br /&gt;- Procure aceitar. Trata-se de uma grande causa. Além do mais, você terá tudo para ser o rei da festa. Muitos o acharão macio, crocante, bem-temperado.&lt;br /&gt;- Isso não vai depender de mim, mas da cozinheira. Esqueceu que estarei morto?&lt;br /&gt;- Estará sem vida, mas será o centro das atenções. E o mais importante: representará ali a grande nota de realidade. Mais do que a árvore, as músicas, os cumprimentos formais,&amp;nbsp;dará testemunho da natureza do homem. O sucesso desta noite vai se medir pelo prazer que der aos convivas. &lt;br /&gt;- Tem certeza? &lt;br /&gt;- Claro! Você vai saciar-lhes o apetite do corpo, que é mais profundo do que o da alma. Se vir as coisas por esse lado, se convencerá da sua importância.&lt;br /&gt;O peru parece refletir sobre as palavras do colega. O galo&amp;nbsp;volta a se distanciar balançando a crista. Canta&amp;nbsp;de novo, sem motivo -- ou, quem sabe, pela&amp;nbsp;alegria de não ser peru. &lt;br /&gt;Quando volta de mais um passeio, ouve novo desabafo:&lt;br /&gt;- Sua retórica não me convence. É fácil elogiar um condenado à morte quando se vai permanecer vivo. Aposto que está contente por não ocupar o meu lugar. &lt;br /&gt;- Não nego... Mas você sabe que meu dia chegará em breve. E não terá o mesmo brilho que o seu. Vou “reinar” num desses banais almoços de domingo, com música estridente ao fundo e cerveja em vez de champanhe... &lt;br /&gt;Nesse momento a cozinheira aproxima-se dos dois e se dirige ao peru. Tem numa das mãos uma peixeira brilhante. A ave não esboça reação. No momento em que é alçada e apertada de encontro à barriga da mulher, ouve ainda cantar o galo. Pela terceira vez.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-2308208904916182401?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/2308208904916182401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=2308208904916182401' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2308208904916182401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2308208904916182401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/12/o-galo-e-o-peru-uma-antifabula-natalina.html' title='O galo e o peru (uma antifábula natalina)'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-2809183344042461900</id><published>2011-12-25T12:43:00.001-08:00</published><updated>2011-12-25T12:46:14.182-08:00</updated><title type='text'>Natal e presentes</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Suponhamos que se faça uma pesquisa para saber qual o personagem mais importante do presépio. A maioria, claro, dirá que é o Menino Jesus. A festa natalina justifica-se por Ele. Sua vinda ao mundo, marcada por sacrifícios e exemplos, significou para o homem a Salvação.&lt;br /&gt;Outros vão dizer que é a Virgem Maria. Não tanto pelo que faz ali, envolvendo o Menino com o desvelo materno, mas pelo sofrimento que a aguarda. Ver o filho ser morto com tanta crueldade, aninhar o cadáver no colo, conduzi-lo ao sepulcro -- haverá tormento maior do que esse para uma mãe? &lt;br /&gt;Também não faltará quem aponte José, que sofreu calado as suspeitas de infidelidade da esposa. Não deve ter sido fácil para o carpinteiro saber que a mulher estava grávida e aceitar que essa gravidez não se dera pela via da carne, mas por intercessão do Espírito Santo. Sabemos por nossa cultura machista o que isso significa. Mas o compassivo homem, lutando contra as evidências, acreditou na virgindade de Maria e lhe deu o amor de que ela precisava para realizar sua missão&lt;br /&gt;Haverá, por fim, quem ache mais importantes os Reis Magos. Não estranhe o leitor essa escolha; ela atualmente é a que melhor se sintoniza com o espírito do Natal. Os Magos inauguraram o gesto que hoje simboliza a Festa -- dar presentes. O ato de levar ouro, incenso e mirra foi o precursor das levas de gente que invadem os shoppings em busca de enfeites, roupas, objetos de decoração. &lt;br /&gt;Longe de mim criticar os que presenteiam ou os que são alvo de nosso pendor para presentear. O problema é o exagero com que nos cobram isso. Um exagero que não disfarça, por trás da cortina de generosidade, a regência ávida e insaciável do mercado.&lt;br /&gt;O resultado é que acabamos em alguma medida nos falsificando. Para não destoar dos outros presenteamos indiscriminadamente, a torto e a direito, sem que muitas vezes nosso coração eleja os destinatários. O difícil nesse jogo é saber o quanto há de sinceridade e o quanto há de pose. Qual a distância entre intenção e convenção. &lt;br /&gt;No fim da maratona, que envolve intermináveis horas entre prateleiras e caixas registradoras, nossa alma sofre uma espécie de cansaço aquisitivo. Já não sabemos o que demos, nem a quem. E fica difícil distinguir nessa profusão de coisas os traços do verdadeiro afeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-2809183344042461900?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/2809183344042461900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=2809183344042461900' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2809183344042461900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2809183344042461900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/12/natal-em-presentes.html' title='Natal e presentes'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-2558419452879906032</id><published>2011-12-23T13:50:00.000-08:00</published><updated>2011-12-23T13:51:39.392-08:00</updated><title type='text'>Solecismo amoroso</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;– Eu lhe gosto.&lt;br /&gt;– Eu gosto de você. &lt;br /&gt;– Hem?!&lt;br /&gt;– Eu também gosto de você, ora. &lt;br /&gt;– Está me corrigindo?&lt;br /&gt;– Corrigindo como?&lt;br /&gt;– Você usou o verbo diferente. Era para ter dito “Eu também lhe gosto”, ou coisa parecida. Mas me corrigiu: “Eu gosto de você”. Disse tudo certinho. &lt;br /&gt;– Nem pensei nisso. &lt;br /&gt;– Lhe incomoda eu falar errado? Você é capaz de amar uma mulher que não sabe português?&lt;br /&gt;– Que é que isso tem a ver?&lt;br /&gt;– Tudo. Eu fui sincera, disse o que naturalmente sentia. Não pensei na forma. Quem é que pensa na forma numa hora dessas? Falei que gostava de você, ou melhor, que lhe gostava. E você nem reparou no que eu disse. Reparou no meu verbo errado.&lt;br /&gt;– Pelo amor de Deus, não dramatize. Eu repeti o que você tinha me dito, só que de um jeito um pouco diferente.&lt;br /&gt;– Mais correto. Sem erro – como é que se diz? – de regência. Ou de concordância, sei lá.&lt;br /&gt;– Regência. &lt;br /&gt;– Está vendo? Me corrigiu de novo. &lt;br /&gt;– Você não perguntou? Respondi à sua pergunta. Sei que é de regência por acaso. Foi uma das poucas coisas que aprendi no colégio. Tinha regência em Português e em História. Em Português a regência era do verbo e de certos nomes, em Historia era de Feijó. Você não lembra? Diogo Feijó. &lt;br /&gt;– Pare, por favor. Você parece que não percebe a gravidade do que aconteceu. A partir de hoje, a partir desta conversa, alguma coisa se partiu entre nós. Definitivamente. Perdi a espontaneidade, jamais serei a mesma. Vou ter que vigiar minhas palavras, senão elas não chegam até você. &lt;br /&gt;– Fale como achar melhor, ora. O importante é o que se diz, e não...&lt;br /&gt;– Mentira... E ainda por cima mentiroso! Como pude gostar de alguém que está mais interessado na qualidade do meu português do que na sinceridade do meu afeto? Pra você não importa o que eu sinto, e sim a forma como devo expressar minhas emoções. &lt;br /&gt;– Você está exagerando, está sendo ridícula.&lt;br /&gt;– Ridícula? Ah! Primeiro ignorante, agora ridícula. O que mais? Posso ser tudo isso, mas não sou insensível. E sabe de uma coisa? Nosso namoro não daria mesmo certo. &lt;br /&gt;– Mas íamos tão bem...&lt;br /&gt;– Até você me corrigir em hora tão imprópria. Que marido você ia dar! Agora corrige minha linguagem, depois certamente vai querer interferir nas minhas roupas, nos meus hábitos, nos meus amigos. O casamento com você seria uma eterna sabatina, um interminável exame de seleção. Eu ia ter que me policiar dia após dia para não ser reprovada. &lt;br /&gt;– Mas que loucura!&lt;br /&gt;– Ignorante, ridícula, e agora louca... Basta! Não quero ouvir mais. Adeus.&lt;br /&gt;(Em "A idade do bobo", p. 75)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-2558419452879906032?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/2558419452879906032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=2558419452879906032' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2558419452879906032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2558419452879906032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/12/solecismo-amoroso.html' title='Solecismo amoroso'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-3312619744708472195</id><published>2011-12-11T12:47:00.000-08:00</published><updated>2011-12-11T12:48:01.813-08:00</updated><title type='text'>Um amor</title><content type='html'>Luana postou uma mensagem no meu blog dizendo que “adorou” as “Considerações heterodoxas sobre a paixão”, mas discorda de que esse sentimento “dura no máximo três anos”. “Às vezes é necessário que ela dure bem menos...”, objetou com ar de experiência. E terminou com este apelo: “Quero encomendar um novo texto: como encontrar um amor? Topa o desafio? hehehe”.&lt;br /&gt;Pensei em ignorar a proposta, mas fui picado por esse risinho final. “Hehehe”! Parecia uma antecipação de vitória, um prévio reconhecimento de que eu não seria capaz de dar conta da tarefa. Talvez tivesse razão. Quem sou eu para me aventurar em matéria tão grave? Sobretudo hoje, que já não me apetecem as delícias e agonias desse tipo de busca. Mas aquele risinho... &lt;br /&gt;Achei curioso que a desafiante tivesse se referido a “um amor”, e não “ao amor”. Por uma dessas curiosidades em que é pródiga a língua, o artigo no primeiro caso mais define do que indefine. Falar de “um amor” é se referir a alguém específico, e com isso dar mais ênfase ao objeto do que ao sujeito. Se procuramos “o amor”, essa procura é uma empresa mais nossa do que do outro. Se buscamos alguém especial, o sucesso da escolha vai depender mais dele do que de nós. Aí começam os problemas. &lt;br /&gt;É mais fácil encontrar “o amor”, porque nesse caso o sentimento tende a ser recíproco. Quem dá fatalmente recebe, e não se preocupa muito com a retribuição. Às vezes o próprio reconhecimento de que ama é suficiente para lhe trazer uma espécie de plenitude. &lt;br /&gt;Já a procura de “um amor”, pondo o foco no outro, o reveste de idealizações. Isso quase sempre implica desconhecer sua humanidade, ou seja, justamente o que o torna amável (no outro sentido de que trato aqui). Ninguém perdoa as imperfeições de uma quimera. Como geralmente o movimento é recíproco, também para o outro devemos ser únicos, encarnar um ideal, saciar o desejo de um além que não tem nada de transcendente -- às vezes se esconde nas dobras do lençol.&lt;br /&gt;Isso não quer dizer que não se deva buscar “um amor”, pois grande parte do encanto da vida advém vem do empenho de o perseguir e do sonho de o encontrar. Muitas vezes em função disso é que estudamos, trabalhamos, nos esforçamos para crescer e aparecer. As contrariedades que essa busca provoca (e que constituem tão interessante matéria para a arte) não justificam a renúncia a ela. Apenas manda a prudência que sejamos modestos em nossas fantasias e aceitemos as reais dimensões do outro. &lt;br /&gt;Escrevi, escrevi, e desconfio de que disse muito pouco. Começo a entender o motivo do risinho de Luana e aceitar que perdi a batalha. Mas me sinto satisfeito por pelo menos haver tentado; não ficava bem a uma pessoa de idade fugir ao desafio de uma garota. O que me consola é saber que existe algo de estimável nessa derrota. Minha desafiante não deve dar importância ao que eu disse pela elementar razão de que ninguém deve antepor o saber à vida. Continue, Luana, procurando “um amor”. As cicatrizes dessa busca é que a deixarão em condições de um dia merecer “o amor”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-3312619744708472195?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/3312619744708472195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=3312619744708472195' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3312619744708472195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3312619744708472195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/12/um-amor.html' title='Um amor'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-8243556700918932242</id><published>2011-12-04T14:07:00.000-08:00</published><updated>2011-12-04T14:09:43.642-08:00</updated><title type='text'>Seleção de frases (4)</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Às vezes é impossível deixar tudo às claras sem que alguém gema.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;A corrupção não dá frutos. Dá furtos.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Ela só tem maus pensamentos quando está no banheiro. É uma deprivada.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Nos eventos sociais, é grossura sair de fininho.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;O pior da solidão é a monotonia. Ninguém constitui boa distração para si mesmo.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Geralmente essas ONGs “sem fins lucrativos” não mentem. Colocam os lucros “no começo”.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Sexo bom é aquele em que se leva tempo para passar do afago ao ofego.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Amanhã começa a semana. Tem gente que só aguenta a segunda depois de “tomar a primeira”.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;A política é um jogo de faz-de-contra. &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Os opostos se atracam.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-8243556700918932242?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/8243556700918932242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=8243556700918932242' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/8243556700918932242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/8243556700918932242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/12/selecao-de-frases-4.html' title='Seleção de frases (4)'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-416842138005580545</id><published>2011-12-03T16:37:00.000-08:00</published><updated>2011-12-03T16:37:47.212-08:00</updated><title type='text'>Terapias</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Ele andava triste, sem ânimo, às vezes com vontade de morrer. Os amigos notaram o seu estado e o aconselharam a procurar um médico. Recusou com veemência, pois não acreditava em medicina para a alma. &lt;br /&gt;Mas uma noite teve um sonho esquisito. Sonhou que era um macaco pequeno, o único macaco entre seus irmãos. A mãe o olhava com indisfarçável repugnância e hesitava entre alimentá-lo ou deixá-lo morrer de fome. Ele então chorava, gritando e agitando uma campainha. Isso provocava a raiva do pai, que abraçava a mulher e o ameaçava com um facão. Enciumado, ele procurava um canivete para matar o pai mas era impedido pelos irmãos, que resolviam levá-lo para um zoológico. Lá o enfiaram numa cela, onde ficou se debatendo até que um funcionário chegou junto dele e perguntou: “O que é que está havendo? Fale! Fale!”. Não conseguia dizer nada. &lt;br /&gt;Ficou tão intrigado com o sonho, que decidiu vencer o preconceito e consultar um psicólogo. Mas quem? E, sobretudo, de que linha? Resolveu divulgar o sonho na internet e aguardar sugestões. Eis alguns e-mails que recebeu: &lt;br /&gt;1) Seu sonho reflete um complexo de Édipo mal resolvido. Você e o seu pai disputam o amor da sua mãe, daí o ódio que sente por ele e o desejo de matá-lo. A oposição entre o facão e o canivete é uma representação metafórica da inveja do pênis associada ao temor da castração. Sua terapia deve ser psicanalítica, e de base freudiana.&lt;br /&gt;2) Impressionou-me, no seu sonho, a repugnância da mãe ao constatar o aspecto simiesco do filho. A dúvida entre alimentá-lo ou não é uma clara metonímia do conflito entre o seio bom e o seio mau. Você ainda hoje não sabe se ela o ama ou o odeia, e precisa resolver esse conflito. Do contrário, a sensação de desmamado o acompanhará pelo resto da vida. Sugiro-lhe uma psicoterapia kleiniana. &lt;br /&gt;3) Seu sonho é carregado de significantes -- a referência ao som da campainha, por exemplo. Uma das onomatopeias para esse objeto é “ding”, que remete à Coisa (Das Ding), ou seja, ao Objeto Perdido. Sintomaticamente, você não fala. Se não fala, não tem o falo, o que não é nenhuma falácia (talvez uma faloácia). A ausência da fala/falo o deixa fulo e mostra que você se encontra numa posição infantil diante do Nome do Pai. É preciso trabalhar isso. Procure já um terapeuta lacaniano.&lt;br /&gt;4) O sonho é claríssimo, ora. O macaco representa a porção animal que você se recusa a inibir diante do pai opressor. É preciso dar vazão a essa torrente de instinto por meio de uma terapia regressiva, que o reconduza à liberdade da horda primeva. É preciso soltar o grito primal.&lt;br /&gt;5) Esqueça qualquer tipo de simbolismo para esse sonho. O motivo do seu sofrimento são pensamentos errados. Posso acompanhá-lo a um zoológico, em cinco sessões, para mostrar que você não é macaco coisa nenhuma. Compararemos seu comportamento com o dos símios e você se convencerá de que gosta de mais coisas além de banana e não consegue andar com tanta destreza sobre o tronco das árvores. Recomendo-lhe (e me apresento) um terapeuta cognitivo-comportamental. (Em A idade do bobo, p.&amp;nbsp;14-16)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-416842138005580545?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/416842138005580545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=416842138005580545' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/416842138005580545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/416842138005580545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/12/terapias.html' title='Terapias'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-3809829686579822416</id><published>2011-11-27T13:32:00.000-08:00</published><updated>2011-11-27T13:34:08.235-08:00</updated><title type='text'>Considerações heterodoxas sobre a paixão</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Dizem que a paixão cega, por isso é recomendável antes de se apaixonar fazer um rigoroso exame de vista. Isso não assegura que você vá escolher a pessoa certa, mas pelo menos impede que sua decisão decorra de uma ilusão de ótica. Embora o amor seja algo que “arde sem se ver”, é bom saber em que fogueira está se metendo. &lt;br /&gt;Já se disse que quem se apaixona não vê o outro. Não vê a sua alma (nem poderia, claro, pois o outro ainda não morreu) nem seu corpo. Segundo a psicanálise, nos apaixonamos por metáfora. Ou seja: quem amamos jamais é quem amamos. É a imagem de alguém que se confunde com a figura do pai (no caso da menina) ou da mãe (no caso do menino). Está aí a explicação pela qual os apaixonados sempre acham que conhecem os parceiros “há muito tempo” (alguns até se lembram de haverem levado uma surra deles, o que os leva a desenvolver na relação um componente masoquista).&lt;br /&gt;Quem inventou a paixão foram os trovadores medievais, mas quem a aperfeiçoou foram os românticos. Eles injetaram nela um componente mórbido, e mesmo fúnebre, que acabou transformando-a num macabro roteiro para a morte. Era muito comum na época os amantes se matarem em pactos que ficaram famosos pela violência e a insana deliberação. A lógica que determinava esses acordos era a de que a morte era a única forma de eternizar o que viviam, pois tornava os apaixonados imunes à passagem do tempo. Vem certamente daí a ideia de que o casamento é o túmulo do amor, mas nem todos concordam com isso. Há quem ache que, pela má vontade de certos casais depois de longos anos juntos, o casamento é mesmo o túmulo do humor. &lt;br /&gt;Os ventos do realismo foram aos poucos varrendo as fantasias românticas e mudando a disposição dos apaixonados. Muitas vezes, quando um deles via o outro morto (geralmente por veneno ou por uma adaga espetada no coração), entrava em pânico e saía correndo. Queria viver! Vivia, mas passava o resto da vida com remorsos por haver traído o compromisso. E à noite era assombrado pelo fantasma do parceiro, que vagava nos ermos celestes prometendo um dia se vingar. &lt;br /&gt;Ao contrário do amor, a paixão tem prazo. Segundo Vinicius de Moraes, dura cerca de três anos. Após esse período, um começa a enxergar os defeitos do outro e se perguntar: mas o que foi que eu vi nele (a)? Quando a pessoa real suplanta a pessoa ideal, duas coisas podem acontecer: ou começa a amá-la (pois o amor faz parecer bonito o feio), ou então faz as malas. Rumo a outra paixão, que terá o mesmo desfecho.&lt;br /&gt;A paixão nos leva a fazer loucuras, como gastar demais no shopping para comprar bons presentes (às vezes a relação acaba e a pessoa ainda está devendo as prestações), perder noites de sono compondo poemas rins ou assistir a shows de duplas sertanejas (só para não desagradar o parceiro, que é fã). Um amigo meu chegou a aderir à macrobiótica porque sua namorada era adepta dessa filosofia, mas com o tempo percebeu que estava perdendo o gosto pelas coisas boas da vida (inclusive pela garota). Um dia teve coragem e foi embora. Orgulhoso de si mesmo, comemorou o feito numa pizzaria e, conforme me disse cheio de prosápia, nunca se sentiu tão “massa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-3809829686579822416?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/3809829686579822416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=3809829686579822416' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3809829686579822416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3809829686579822416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/11/consideracoes-heterodoxas-sobre-paixao.html' title='Considerações heterodoxas sobre a paixão'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-8625183535573395718</id><published>2011-11-20T12:44:00.000-08:00</published><updated>2011-11-20T12:45:59.516-08:00</updated><title type='text'>Fidelidade canina</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;O casamento deles andava morno. Os dois fingiam não reconhecer isso, mas chegou um momento em que não dava mais para disfarçar. Foi então que uma noite, depois de jantarem, Clodoaldo falou meio sem jeito para Tâmara: &lt;br /&gt;- Acho que devemos dar um tempo. &lt;br /&gt;- Concordo -- disse ela prontamente. &lt;br /&gt;- Amanhã vou dar entrada nos papéis. &lt;br /&gt;- Ótimo. -- E completou, depois de um breve intervalo: -- Não faço questão de muita coisa. Vendemos o apartamento, e você me dá a metade. Fico também com um dos carros, e com Totó.&lt;br /&gt;- Ah, isso não! Totó é meu. &lt;br /&gt;- Seu? Por quê? Fui eu que sempre dei comida, limpei o xixi, cuidei dele quando ficou doente. &lt;br /&gt;- Mas eu fui quem lhe deu o nome. &lt;br /&gt;- Um nome, por sinal, originalíssimo! -- ironizou Tâmara. &lt;br /&gt;- E você queria “Brad Pitt”! “Brad Pitt Bull”! Ridículo... Não entende nada de cães. &lt;br /&gt;- E você não entende nada de mulheres. &lt;br /&gt;Totó, que cochilava perto dos dois, parece ter percebido que era o assunto da conversa. Baixou uma orelha e eriçou a outra, como se quisesse escutar melhor. &lt;br /&gt;- Ou levo Totó comigo, ou não me separo! -- sentenciou a mulher. &lt;br /&gt;- O mesmo digo eu. Sem Totó, não há separação! &lt;br /&gt;Ficaram uns dias nisso, chateando-se mutuamente e agora em rixa declarada por causa do cachorro. Então Clodoaldo teve a ideia: &lt;br /&gt;- Vamos deixar que ele decida. &lt;br /&gt;- Ele?! .Como? &lt;br /&gt;- Botamos nossas malas na sala e fingimos que vamos sair de casa. Cada um chama Totó. Vamos ver para quem ele se dirige. O vencedor o ganha para sempre.&lt;br /&gt;Tâmara aprovou. Tinha com o cachorro uma convivência mais íntima do que o marido, que se limitava a levá-lo para passear e fazer as necessidades fora do apartamento. Clodoaldo via nesse encargo seu trunfo; confiava na atração que os machos têm pela liberdade. &lt;br /&gt;Fizeram como planejado. O cão se habituara a vê-los preparar as malas para viajar. Sabia o que ia ocorrer quando as bagagens ficavam na sala por um, dois dias. Dessa vez estranhou, pois cada um dos donos se postou junto a uma mala e começou a chamar por ele. “Aqui, Totó!” “Não, Totó. Aqui!” &lt;br /&gt;Valia tudo -- estalar os dedos, amaciar a voz, dar pancadinhas no chão. Atarantado, o animal não sabia o que fazer. Olhava alternadamente para um e para o outro, ameaçava ir numa direção mas logo recuava. &lt;br /&gt;Repetiram mais de uma vez a experiência, e nada. Como o cachorro não se decidia, o casamento ia se mantendo. A cada nova encenação Totó se mostrava mais firme e equidistante. Parecia ter consciência de que a sua fidelidade aos dois era o que ainda os mantinha juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-8625183535573395718?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/8625183535573395718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=8625183535573395718' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/8625183535573395718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/8625183535573395718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/11/fidelidade-canina.html' title='Fidelidade canina'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-9068841713065854877</id><published>2011-11-15T17:27:00.000-08:00</published><updated>2011-11-15T17:27:12.244-08:00</updated><title type='text'>Seleção de frases (3)</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Entrou em Coma Sutra. De tanto fazer sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Arranjou uma “amizade colorida” para não passar a vida em branco.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;“Vamos dar um tempo” é quase sempre eufemismo para “adeus”.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;De tanto cortar e resumir os textos, vai terminar publicando suas Obras Encolhidas. &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Não falem dos médicos. Quando eles nos matam, não sabem o que estão fazendo.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;A pior traição é a que o indivíduo faz a si mesmo. O eudultério.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Decidi viver o agora. Só não sei quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-9068841713065854877?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/9068841713065854877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=9068841713065854877' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/9068841713065854877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/9068841713065854877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/11/selecao-de-frases-3.html' title='Seleção de frases (3)'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-1399841757022788121</id><published>2011-11-06T16:54:00.001-08:00</published><updated>2011-11-08T10:31:19.348-08:00</updated><title type='text'>Considerações heterodoxas sobre o tempo</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O tempo é um dos maiores enigmas humanos. Muitos já tentaram decifrá-lo mas, ou não tiveram suficientemente tempo para isso, ou desistiram pela complexidade do tema. A hipótese mais viável é a segunda, pois quem se dispõe a meditar sobre a passagem do tempo não está ocupado com outras coisas e pode se dedicar com muita calma a isso (alguém já disse que, sem ócio, não haveria filosofia nem chá-dançante).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que mais nos angustia no tempo é o seu fluir inexorável. Se você faz alguma coisa errada, não consegue voltar atrás. O ideal seria que retrocedêssemos no relógio e também conseguíssemos apagar o conteúdo existencial a ele associado. Mas a desvantagem disso é que não aprenderíamos com a experiência, pois ela é feita de erros e perda de tempo. No fim, quando você já aprendeu tudo (até a ler manuais de instrução), não há mais como colocar o aprendizado em prática. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Henri Bergson distingue tempo de duração. O primeiro diz respeito à cronologia; o segundo, à percepção subjetiva que temos do fluir cronológico. Isso é o que faz um evento “demorar mais" do que outro, embora ambos tenham a mesma extensão. Essa diferença perceptiva relaciona-se, freudianamente, com a sensação de prazer ou desprazer. O que é bom “passa rápido”; o que é ruim... “custa a passar”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Suponha que você tenha cinco minutos para assistir a uma aula de trigonometria e os mesmos cinco para estar com a namorada na praia -- os dois sozinhos, sob a lua, estendidos na areia e sem nem um siri para atrapalhar. O que vai passar mais rápido? Estar com a namorada, claro. Se você acha que é a aula, sofre de algum distúrbio psicológico ou tem interesse pelo professor. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tem gente que insiste em ignorar a passagem do tempo e faz isto cinicamente, rindo, sem nem ter o cuidado de esconder a “dentadura”. Outros pintam o cabelo mesmo que até agora não tenha aparecido um produto que dê ao tingimento uma cor natural. O resultado é aquele preto ou marrom fechado que delata o ingênuo propósito de quem quer parecer mais novo. Não adianta tentar fingir que o tempo não passa, porque o corpo atesta o contrário. Rugas, estrias, gorduras nos braços e no abdômen acabam revelando a idade que se tem. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso não impede, claro, que a pessoa seja espiritualmente jovem e até se dê a excessos participando de grupos da terceira idade (uma amiga minha fraturou a bacia tentando aprender a dançar valsa numa das reuniões). O importante é que tais excessos sejam antecedidos de exames médicos e, dentro do possível, acompanhados por um cardiologista. Mas é bom primeiro saber quanto ele vai cobrar, pois a medida poderá surtir o efeito oposto e, ao receber a conta, o paciente morrer do coração.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma das nossas angústias é “matar o tempo” (ao redigir esta crônica, por exemplo, não faço outra coisa), e para isso muitos se submetem a atividades humilhantes como jogar porrinha ou assistir mais de dez vezes ao mesmo filme na sessão da tarde. “Matar o tempo” é esquecê-lo, e só se dispõe a&amp;nbsp;isso quem não tem mesmo o que fazer -- daí os&amp;nbsp;livros de autoajuda&amp;nbsp;aconselharem&amp;nbsp;a pessoa a sempre se ocupar&amp;nbsp;com alguma coisa. Você pode&amp;nbsp;seguir&amp;nbsp;esse&amp;nbsp;conselho rasgando&amp;nbsp;&amp;nbsp;a maioria deles -- o que lhe ocupará um tempo enorme.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dizem que não suportamos pensar no tempo porque nos sentimos insignificantes diante do infinito. Conversa! No fundo ninguém dá a mínima bola para o infinito, pois sabe que jamais chegará lá. O que nos angustia é mesmo o efêmero, o escoar ininterrupto de tudo, que ao passar nos arrasta com ele. Se digo “ai”, esse “ai” já passou, e se eu quisesse recuperá-lo não conseguiria dizendo “ai” de novo. Este outro tem o mesmo som e as mesmas letras, mas já não é o primeiro -- o que mostra quanto a linguagem pode ser enganosa. Como diz Heráclito: ninguém atravessa duas vezes as águas do mesmo rio, sobretudo se na primeira foi perseguido por um jacaré.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-1399841757022788121?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/1399841757022788121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=1399841757022788121' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1399841757022788121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1399841757022788121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/11/consideracoes-heterodoxas-sobre-o-tempo_06.html' title='Considerações heterodoxas sobre o tempo'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-4415572692883447753</id><published>2011-10-30T12:27:00.001-07:00</published><updated>2011-10-31T07:58:53.463-07:00</updated><title type='text'>O tema de redação do Enem</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Tenho recebido e-mails de candidatos com dúvidas sobre o tema de redação do Enem 2011. A maior parte quer saber se devia, e em que medida, enfocar as redes sociais; ou se poderia comentar a relação público x privado fora do âmbito da internet. &lt;br /&gt;Para compreender o tema é preciso associar a formulação explícita, que aparece no início da Proposta, aos chamados textos motivadores. A formulação explícita é: “Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado”. O tema se compõe de dois segmentos, um rigorosamente atrelado ao outro por dois-pontos. Isso quer dizer que o aluno devia, dentro do assunto internet, enfocar a relação entre o público e o privado. &lt;br /&gt;Essa relação é coerentemente enfatizada nos textos que compõem a antologia. O primeiro tem como tópico a afirmação de que a ONU acaba de declarar o acesso à rede um direito fundamental. A seguir, destaca-se que as pessoas começam a abrir seus sinais privados de wi-fi e que os governos se mobilizam a fim de expandir a rede para espaços públicos. &lt;br /&gt;O segundo texto é extenso e oferece preciosos subsídios para nortear o desenvolvimento do tema. Começa por destacar o tempo que os usuários passam conectados à internet -- mais especificamente, às redes sociais. Depois ressalta que as redes são hoje um fator de socialização e conferem ao indivíduo uma identidade. No entanto, ao mesmo tempo que “tornam alguém popular”, “arruínam reputações”. Daí ser fundamental não expor na internet “o que se fala em público”, pois ela “não acoberta anonimato”, ou seja, permite que se desvende o domínio privado de cada um. &lt;br /&gt;No terceiro texto, que é uma charge, ironiza-se a ingênua tentativa de um dos personagens de “lutar contra a sociedade de controle juntos”; a ironia está em que a pessoa a quem ele se dirige é na verdade quem o está controlando diante de um monitor. Outro dado irônico é que o indivíduo que monitoriza é também vigiado por uma câmera que pende do teto. O clima de Big Brother da tirinha remete de novo à relação público x privado, sugerindo que hoje é quase impossível preservar o espaço individual.&lt;br /&gt;A função dos textos de suporte é ajudar o candidato a manter o foco temático. No Enem deste ano, eles cumpriram a contento esse papel. Cabia ao aluno os ler bem para evitar os desvios ou as temidas fugas, que podem zerar a redação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-4415572692883447753?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/4415572692883447753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=4415572692883447753' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/4415572692883447753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/4415572692883447753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/10/o-tema-de-redacao-do-enem.html' title='O tema de redação do Enem'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-7503991147822060712</id><published>2011-10-27T12:31:00.000-07:00</published><updated>2011-10-27T12:31:48.912-07:00</updated><title type='text'>Chico Viana antecipa questão do Enem 2011 em Especial da revista "Língua Portuguesa"</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Matéria do Especial &lt;strong&gt;Vestibular/Enem 2012&lt;/strong&gt;, publicado pela revista Língua Portuguesa, antecipa o conteúdo da questão 99 do Enem (Prova Azul). No tópico “O adjetivo severina”, o professor Chico Viana transcreve passagem do poema de João Cabral de Melo Neto para questionar a identidade do narrador. Escreve, então: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “&lt;strong&gt;O plural Severinos (...) refere-se aos que na região onde o retirante vive têm o mesmo nome que ele&lt;/strong&gt;; isso o leva a procurar outras referências que sirvam para individualizá-lo. O uso do adjetivo severina &lt;strong&gt;qualifica a partir dos traços físicos e do estilo de vida (ou de morte) do personagem aqueles que são tão miseráveis como ele&lt;/strong&gt;.” (p. 38)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tais palavras praticamente reproduzem o que afirma Antônio Carlos Secchin em texto que, na prova, acompanha o fragmento do poema: “A autoapresentação do personagem, na fala inicial do texto, nos mostra um Severino que, &lt;strong&gt;quanto mais se define, menos se individualiza, pois seus traços são partilhados por outros homens&lt;/strong&gt;.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na questão 99 a banca transcreve esta pergunta do personagem: “Como então dizer quem fala/ ora a Vossas Senhorias?” Em seguida, quer saber do candidato por que meio se dá a resposta a ela. O correto é assinalar a alternativa c: dá-se pela “representação, na figura do personagem narrador, &lt;strong&gt;de outros Severinos que compartilham sua condição&lt;/strong&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-7503991147822060712?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/7503991147822060712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=7503991147822060712' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/7503991147822060712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/7503991147822060712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/10/chico-viana-antecipa-questao-do-enem.html' title='Chico Viana antecipa questão do Enem 2011 em Especial da revista &quot;Língua Portuguesa&quot;'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-7915399939477122986</id><published>2011-10-24T13:43:00.000-07:00</published><updated>2011-10-24T13:47:41.466-07:00</updated><title type='text'>Na contramão da vida</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;O Brasil é um país em que pouco se respeitam as leis. Aceitamos isso com um fatalismo meio cômico, transformando nossa aversão às normas em motivo de piada. Tudo é muito engraçado até o momento em que o desrespeito vira tragédia, como vem acontecendo nas estradas em razão do álcool ao volante.&lt;br /&gt;Há uma lei que proíbe beber e dirigir, mas ninguém a cumpre nem a fiscaliza. Lembro-me de quando ela apareceu, com o sugestivo nome de Lei Seca, e por algum tempo ganhou largo espaço na mídia. Reportagens mostravam pessoas sendo paradas e submetidas ao teste do bafômetro. Ou jovens que iam para as baladas e escalavam alguém do grupo para ficar na direção. Esse não bebia durante toda a noite e até virava motivo de uma troça saudável entre os colegas. No fundo tinha orgulho por “se sacrificar” em prol da segurança dos outros. Sobriedade era sinônimo de solidariedade.&lt;br /&gt;Com o tempo essas cenas foram deixando o noticiário e dando lugar a outras bem mais sombrias. Em vez de mostrar as blitzen para flagrar alcoolizados na direção, ou a turma que bebia de forma responsável, as que vemos agora alternam a descrição dos acidentes com as imagens das famílias chorando seus mortos -- muitos deles, jovens. &lt;br /&gt;Vez por outra vemos sair do carro responsável pela colisão um motorista que mal se segura nas pernas e engrola as palavras diante do repórter. Se lhe pedem para soprar o bafômetro (como se fosse preciso!), ele não apenas se recusa como reage com violência. &lt;br /&gt;Todos conhecem o caminho para que tais cenas saiam dos noticiários: fazer cumprir a lei, punindo com rigor quem a descumpre. A medida mais sensata seria obrigar todos os que se excedem no trânsito a fazer o teste do bafômetro. A recusa a se submeter a ele seria uma tácita confissão de culpa. &lt;br /&gt;Alega-se que tal obrigação não se justifica porque ninguém pode ser levado a produzir provas contra si mesmo. Esse é um dos sofismas com que habitualmente se manipula o Direito para impedir a justiça. Não é difícil refutá-lo: a tal prova contra si apenas se concretiza caso o indivíduo tenha mesmo bebido; ninguém é incriminado por ela se está sóbrio. Logo, em vez de um instrumento de incriminação, o teste é um recurso para o estabelecimento da verdade. Não revela o que não existe. &lt;br /&gt;Enquanto a Lei tropeça nesses ardis, continua a tragédia em nossas estradas. E os culpados, impunes, festejam a liberdade brindando à morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-7915399939477122986?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/7915399939477122986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=7915399939477122986' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/7915399939477122986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/7915399939477122986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/10/na-contra-mao-da-vida.html' title='Na contramão da vida'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-8246798203180412711</id><published>2011-10-23T15:14:00.000-07:00</published><updated>2011-10-23T15:20:18.067-07:00</updated><title type='text'>Tema do ENEM 2011 foi trabalhado em redações no Curso Chico Viana</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;“Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado", tema da redação do Enem 2011, associa-se a pelo menos dois temas propostos aos alunos do Curso Chico Viana. &lt;br /&gt;O primeiro, diretamente vinculado ao exame, apoia-se em texto da “Superinteressante” e aborda a internet sob o prisma das redes sociais. Segundo a matéria da revista, elas disseminam “vários dos principais comportamentos humanos” e tendem por influência dos amigos a moldar o comportamento das pessoas; isso acaba se constituindo numa ameaça à sua individualidade. &lt;br /&gt;O segundo, que traz como suporte o texto “Réquiem para o indivíduo”, de Carlos Heitor Cony, tematiza o conflito entre o direito à privacidade e a liberdade de expressão. Com base nas ideias do articulista da Folha de São Paulo, o professor questiona os alunos sobre “até que ponto é lícito violar a intimidade individual em prol do interesse público” -- o que muitas vezes ocorre na internet. &lt;br /&gt;A discussão em classe de ideias associadas ao tema do Enem, e amadurecidas em atividades textuais, faz Chico Viana esperar de seus alunos um tranquilo e competente desempenho na redação. Não era outra a expectativa do professor, tendo em vista que a produção de um texto semanal, exigida de seus alunos durante todo o ano, torna grande a possibilidade de que um deles seja contemplado no exame.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-8246798203180412711?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/8246798203180412711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=8246798203180412711' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/8246798203180412711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/8246798203180412711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/10/tema-do-enem-2011-foi-trabalhado-em.html' title='Tema do ENEM 2011 foi trabalhado em redações no Curso Chico Viana'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-1080195360504584875</id><published>2011-10-18T18:45:00.000-07:00</published><updated>2011-10-18T18:50:06.046-07:00</updated><title type='text'>Diálogos (6)</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A mulher, enraivecida, depois de esperar horas pelo marido: &lt;br /&gt;- Odorico, por que você me deixou aqui plantada? &lt;br /&gt;- Ora, querida, para lhe ver desabrochar! &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;- Escritor, como faço para ter mais inspiração? &lt;br /&gt;- Dilate bem as narinas. &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;- Deixe de ser tão detalhista. Relaxe.&lt;br /&gt;- Começando, especificamente, por que parte do corpo?&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;- Querida, eu ontem menti para você. &lt;br /&gt;- Não se preocupe. Eu faço isso com você há 20 anos.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;O líquido para a garrafa que o contém:&lt;br /&gt;- Sou vidrado em você.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;- Meu tio casou-se aos 80.&lt;br /&gt;- Esse tem tudo para ser fiel até a morte. &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;- Mestre, que posso fazer para tornar proveitoso o nosso diálogo? &lt;br /&gt;- Primeiro eu falo e você escuta. Depois você escuta e eu falo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-1080195360504584875?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/1080195360504584875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=1080195360504584875' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1080195360504584875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1080195360504584875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/10/dialogos-6.html' title='Diálogos (6)'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-7078531821026050388</id><published>2011-10-16T13:26:00.000-07:00</published><updated>2011-10-16T13:26:47.022-07:00</updated><title type='text'>Ciúme e crime</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tantas notícias embotam a nossa sensibilidade. O crime de ontem é logo esquecido pela chacina de hoje, que por sua vez perde o interesse para a tragédia de amanhã. Ficamos insensíveis e transformamos o ato de assistir ao noticiário em vício. O que é o vício, senão um prazer impuro? Impuro não apenas no sentido moral, mas no de que já não nos gratifica porque não atinge certas camadas do nosso ser. Existe para satisfazer uma compulsão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certamente por essa banalização das tragédias, falou-se pouco do crime cometido por aquele professor de Direito em São Paulo. Depois de atirar na mulher e vagar horas sem saber o que fazer com o cadáver, ele resolveu se entregar. Parou o carro em frente a uma delegacia, entrou e disse ao delegado de plantão que tinha feito “uma besteira”. Entende-se o sentido em que ele usou “besteira”, mas é impossível ignorar os outros que essa palavra tem: tolice, ninharia, insignificância. Tirar a vida da moça tinha sido para ele isso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que o levou a matar a aluna foi o despeito por ela não o querer mais. E a história não pode ser mais velha. Alguém -- geralmente o homem -- não aceita que o deixem e chega ao limite de suprimir quem faz isso. Se não pode ter a mulher por bem, a tem por mal, destruindo-a e mostrando enfim quem manda. A supressão do outro parece ser a única forma de compensar o orgulho ferido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esses crimes de passionais não têm nada. O natural é que a paixão conduza à vida, não à morte. Era difícil que gente como Doca Street, Pimenta Neves e outros que a crônica policial imortalizou amassem as pessoas que brutalmente mataram. São na verdade crimes provocados pelo ciúme, e a despeito da arrogância dos que o cometem justificam-se por um intenso automenosprezo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A lógica do ciumento é: não posso confiar em quem gosta de mim. Logo, devo em algum momento ser traído e preciso me prevenir disso. O ciumento não entende que a confiança no outro nasce da confiança em si. Como não a tem, sente-se na iminência de ser abandonado. De certo modo deseja isso, pois considera o abandono um meio de se punir. No fundo quer transformar o outro em traidor para mostrar que tem razão e com isso alimentar o seu rancor, que logo se transforma em ódio. As balas são a tradução material desse ódio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-7078531821026050388?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/7078531821026050388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=7078531821026050388' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/7078531821026050388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/7078531821026050388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/10/ciume-e-crime.html' title='Ciúme e crime'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-4649656660693886243</id><published>2011-10-09T14:43:00.000-07:00</published><updated>2011-10-09T14:43:09.705-07:00</updated><title type='text'>O campeão que Campina perdeu</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;O primeiro concurso de que participei ocorreu no auditório da velha Rádio Borborema, em Campina Grande. Foi lá pela década de cinquenta. Havia por esse tempo um programa infantil chamado “Clube Papai Noel”, comandado por Eraldo César. Fui várias vezes a esse programa, no qual cheguei a me apresentar tocando acordeom. Um suplício, sobretudo pelo tamanho do instrumento, que eu a custo carreguei até o centro do palco. E ali toquei meio curvo, afogado pela dispneia do cansaço e da emoção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A família me prognosticava um grande futuro musical, pois além da nordestina sanfona me fez também aprender violino. Entre o regional e o clássico, optei por nada, mas até hoje sinto a nostalgia daquelas notas mal tocadas. Por um instante cheguei a vislumbrar nelas um futuro de glória.&lt;br /&gt;Eraldo César promovia em seu programa concursos de robustez. Crianças bem-nutridas eram levadas por pais vaidosos, que as exibiam como provas de saúde e bons cuidados. Não sei se havia um júri específico ou se todo o auditório votava. Sei que minha mãe costurou uma sunga especial e, num domingo, meu pai me fez participar da prova. Havia dezenas de garotos e garotas no palco, cada qual mais risonho e “saudável”. Era um tempo simples e bom, de poucos produtos industrializados, em que o mingau de araruta e a velha Maizena pareciam suficientes para nos deixar sãos e fortes.&lt;br /&gt;Ao dizerem meu nome, fui conduzido ao centro do palco e exibido como um troféu eugênico. Depois me mediram a barriga, os braços, as coxas. Existe uma pequena foto que comprova isso. É um retrato em preto e branco, no qual sorrio como um bácoro inocente nos braços do meu pai. A fotografia semiapagada atesta que eu merecia ganhar. Com pouco mais de um ano, tinha a lustrosa redondez de um anjinho barroco.&lt;br /&gt;Não houve suspense na divulgação do resultado. Fui escolhido por aclamação. Ignoro que prêmio me deram, ou mesmo se houve algum prêmio além do rótulo de “garoto robusto”; o fato é que a vitória se constituiu num prólogo irônico à asma que viria depois. O “puxado” destruiu-me o vigor. Não fosse ele -- quem sabe? --, Campina teria dado ao mundo um Mister Universo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-4649656660693886243?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/4649656660693886243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=4649656660693886243' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/4649656660693886243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/4649656660693886243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/10/o-campeao-que-campina-perdeu.html' title='O campeão que Campina perdeu'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-2351828873113171771</id><published>2011-10-02T18:31:00.001-07:00</published><updated>2011-10-02T18:31:58.137-07:00</updated><title type='text'>A volta do rabo</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;As possibilidades da engenharia genética são ilimitadas. Li que num futuro próximo será possível fazer clonagens retrospectivas e, ativando a memória do DNA, recobrar determinadas características que as espécies perderam. Veio-me então à cabeça a possibilidade de readquirirmos nosso rabo. &lt;br /&gt;O rabo nos traria inúmeras vantagens neste mundo regido pelo consumo. Quantas vezes, no supermercado, não deixamos de comprar mais coisas porque só temos duas mãos? O rabo funcionaria como uma terceira. Além disso nos tornaria mais sociáveis; um efusivo aceno de rabo seria a melhor forma de demonstrar apreço por alguém. &lt;br /&gt;Na vida amorosa o rabo também se mostraria muito útil. A começar de que daria um sentido literal à palavra “enrabichado”, que hoje usamos como vaga e deseducada metáfora. Em vez de olhar para as pernas e o bumbum das mulheres, os homens olhariam para seus rabos, que logo se tornariam irresistíveis símbolos sexuais. No jogo da conquista a aquiescência às insinuações de um pretendente não se expressaria por um olhar ou um sorriso -- mas por um sugestivo balançar de rabo. &lt;br /&gt;Conscientes do poder do rabo, as pessoas tratariam de mantê-lo não apenas saudável como também bonito. Isso levaria a indústria a lançar no mercado produtos especialmente voltados para ele. Haveria salões (os Rabo Coiffures) especializados em penteá-lo, rinçá-lo, tingi-lo, pois um rabo bem apresentado indicaria status e melhoraria a autoestima do seu dono. A publicidade ajudaria na disseminação dessa ideia criando slogans como: “Um homem se conhece pelo rabo”, ou: “Você é sobretudo o rabo que tem”.&lt;br /&gt;Tanta importância dada a ele geraria conflito entre as pessoas, e a psicanálise acabaria descobrindo um complexo fundado na “inveja do rabo” (que, ao contrário da “inveja do pênis”, atingiria homens e mulheres). Os terapeutas penariam muito para convencer os rabicurtos de que os rabilongos não viviam no melhor dos mundos. &lt;br /&gt;O rabo teria opositores, claro. Seus adversários condenariam a clonagem por considerá-la um retrocesso. Os defensores contra-atacariam dizendo que a volta do rabo confirmava a lei do “eterno retorno”. E os religiosos, sabiamente, veriam nele a indicação de que o homem devia abdicar da vaidade e da soberba, pois era um animal como outro qualquer. A prova disso é que, tal como os cachorros e os macacos, tinha rabo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-2351828873113171771?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/2351828873113171771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=2351828873113171771' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2351828873113171771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2351828873113171771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/10/volta-do-rabo.html' title='A volta do rabo'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-7871842621607278604</id><published>2011-09-27T12:49:00.001-07:00</published><updated>2011-09-27T12:49:54.438-07:00</updated><title type='text'>Seleção de frases (2)</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Homem sem rumo procura mulher perdida para um desencontro amoroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Deus não é o que explica. É o que faz indagar. &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;É impossível separar a matéria do espírito. O vazio do estômago dói na alma.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Músico que não tem o que fazer fica coçando o sax. &lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Homem com pressão alta procura mulher sem-sal.&lt;br /&gt;**** &lt;br /&gt;O “carola” é um indivíduo que parou no templo.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Um casal se mantém pelo que fala e sobretudo pelo que silencia.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;O horizonte não está no que se descortina. Está no modo de olhar,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-7871842621607278604?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/7871842621607278604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=7871842621607278604' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/7871842621607278604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/7871842621607278604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/09/selecao-de-frases-2.html' title='Seleção de frases (2)'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-7689115461957968487</id><published>2011-09-25T13:10:00.000-07:00</published><updated>2011-09-25T13:10:45.195-07:00</updated><title type='text'>(E)nem tudo está perdido</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;A recente divulgação dos resultados do Enem vem assustando professores e especialistas em educação, pois mostra que o nosso ensino médio é pior do que se pensava. Segundo Claudio de Moura, esse “é hoje o nível que traz mais perplexidades”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os dados que nos incomodam, está o de que “apenas 0,6% das escolas públicas e privadas do país estão acima de 600”, que é a média estabelecida pela OCDE. Como essa organização avalia internacionalmente as instituições de ensino, a bisonha percentagem que obtivemos demonstra que nossos alunos estão muito abaixo de seus colegas europeus, americanos e asiáticos. &lt;br /&gt;Como sempre ocorre após divulgações desse tipo, começaram os debates para se tentar compreender o que está errado e propor soluções. O que está errado, ora, não é novidade para ninguém. A verdade é que nossos alunos: 1) são onerados por um currículo volumoso, que não contempla estratégias para resolver questões do dia a dia (privilegia-se a decoreba em detrimento da aplicação prática dos conteúdos); 2) permanecem menos tempo do que seria desejável em sala de aula; 3) são pouco motivados para atividades de leitura, escrita e outros meios de desenvolver a cultura geral e a capacidade de se expressar; 4) deparam-se comumente com professores mal remunerados, ou mal formados, que sem motivação ou capacidade não os estimulam a aprender. &lt;br /&gt;Some-se a esses fatores outro grave problema, que não afeta apenas as escolas públicas: o descaso com a disciplina em sala de aula. Nela se vem praticando uma tolerância pouco adequada a um ambiente de aprendizado. Conversas, piadas, brincadeiras agressivas tornam impossível que se preste atenção ao professor. E quando este reage é afrontosamente desrespeitado e mesmo ridicularizado, muitas vezes com a conivência de diretores e donos de escolas. &lt;br /&gt;Quaisquer que sejam as soluções propostas, é preciso primeiro conscientizar os alunos de que a educação os constrói como homens e os habilita ao exercício profissional. Para isso a sociedade deve mostrar que reconhece os que vencem por esse caminho e pune os que se dão bem atropelando a lei. Se perceberem que o discurso da escola ecoa na sociedade, e em alguma medida determina seus valores, os alunos verão sentido em estudar. O que não pode, como se vê hoje, é os valores apregoados na sala de aula serem o tempo todo desmentidos no “mundo real”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-7689115461957968487?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/7689115461957968487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=7689115461957968487' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/7689115461957968487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/7689115461957968487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/09/enem-tudo-esta-perdido.html' title='(E)nem tudo está perdido'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-3870102236842723287</id><published>2011-09-20T12:00:00.000-07:00</published><updated>2011-09-20T12:00:17.379-07:00</updated><title type='text'>Diálogos (5)</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Do amigo bem-casado para outro, que vive mal com a mulher:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nós nos entendemos sem palavras. &lt;br /&gt;- Nós também. Basta um dos dois falar, para começar o desentendimento.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;- Meu filho está engatinhando na política.&lt;br /&gt;- Pois o meu já “mete as unhas” há muito tempo.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;A mulher repreende o marido:&lt;br /&gt;- Você precisa dizer “não” aos nossos filhos. &lt;br /&gt;- E eu não digo? &lt;br /&gt;- Diz... mas sempre coloca um “pois” antes.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;- Mestre, há três horas o senhor disse que ia testar a minha paciência. Quando vai começar a fazer isso?&lt;br /&gt;- Já estou fazendo... há três horas. &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;- Meu filho, já lhe disse que é pecado andar com mulheres.&lt;br /&gt;- Eu não ando com elas, padre. Só durmo. &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;- Eu sei que você é pobre, mas entregue tudo a Deus.&lt;br /&gt;- Tudo o quê?&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;- Quando é que você vai começar a construir sua casa? &lt;br /&gt;- Quando me der na telha.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;- Se você “escreve como respira”, por que seu texto está todo truncado? &lt;br /&gt;- É que sou asmático. &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;- Minha mulher me proibiu de chegar bêbado em casa. &lt;br /&gt;- A minha também, por isso eu agora começo a beber antes de sair. &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;O homem diz ao amigo, triunfante: &lt;br /&gt;-&amp;nbsp;Finalmente consegui estabelecer regras para a educação dos meus filhos. &lt;br /&gt;- E agora, o que é que falta? &lt;br /&gt;- Esperar que eles aprovem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-3870102236842723287?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/3870102236842723287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=3870102236842723287' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3870102236842723287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3870102236842723287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/09/dialogos-5.html' title='Diálogos (5)'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-2059238763852850002</id><published>2011-09-18T14:43:00.001-07:00</published><updated>2011-09-18T14:43:56.648-07:00</updated><title type='text'>Conversa sem fim</title><content type='html'>Há tempos Tancredo queria acabar o namoro com Danusa, mas não conseguia. Além de persistente, ela era imbatível no uso das palavras. Apesar disso ele resolveu fazer mais uma tentativa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está tudo acabado entre nós. &lt;br /&gt;- Tudo o quê? O que houve foi tão pouco... Se você se precipitar, pode se arrepender. &lt;br /&gt;- Não vou me arrepender. Sei disso. &lt;br /&gt;- Sabe disso agora, mas arrependimento não ocorre antes. Vem depois. E quem sabe o que nos reserva o futuro? -- Disse isso com um ar sombrio e reflexivo, que assustou Tancredo. Mas desta vez ele parecia decidido:&lt;br /&gt;- Não dá mais. Nosso namoro perdeu a graça. &lt;br /&gt;- Bom sinal. Isso quer dizer que ficou sério.&lt;br /&gt;- Não falo de “graça” riso. Falo de “graça”... empolgação. Não existe mais o prazer da novidade. Ficou tudo muito previsível.&lt;br /&gt;- Exagero seu -- protestou a moça. -- Aposto que você não sabe a surpresa que eu ia lhe fazer hoje. &lt;br /&gt;- Surpresa?! Qual?&lt;br /&gt;- Ia lhe convidar pra gente ir ao shopping assistir um filme e depois comer pizza. &lt;br /&gt;- Mas a gente faz isso o tempo todo!&lt;br /&gt;- Por isso eu disse que “ia” lhe fazer a surpresa. Como sei que você não suporta esse programa, desisti de propor a ideia. Viu como lhe conheço bem?&lt;br /&gt;Tancredo suspirou, já se dando por vencido. Cada vez mais se convencia de que, se quisesse acabar tudo, tinha que ir embora sem dar explicações &lt;br /&gt;- Está bem... Vamos esperar mais um pouco. &lt;br /&gt;- Que foi que eu disse? Você ia se arrepender... -- Ficou um tempo pensativa: -- Só lhe peço uma coisa. Se um dia resolver mesmo me deixar, avise antes. Acho horrível esses casais que vão embora em silêncio, como se nunca tivesse havido nada entre eles. Você promete... sempre conversar? &lt;br /&gt;- Prometo.&lt;br /&gt;- Eu juro, juro sempre respeitar seus motivos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-2059238763852850002?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/2059238763852850002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=2059238763852850002' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2059238763852850002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2059238763852850002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/09/conversa-sem-fim.html' title='Conversa sem fim'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-319996119708462388</id><published>2011-09-09T18:53:00.001-07:00</published><updated>2011-09-09T18:53:38.504-07:00</updated><title type='text'>Cantigas perigosas</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;O politicamente correto chegou às cantigas infantis. A partir de agora devemos ter muito cuidado com o que cantamos para as crianças. Uma simples canção de ninar pode embutir um significado nocivo, capaz não só de amedrontá-las como também de marcar-lhes negativamente a personalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui criado ouvindo “Atirei o pau no gato” sem perceber o quanto esses versos incitam à violência contra os animais. O título já é bem sugestivo, mas os detalhes são de arrepiar. Diz-se em certa passagem que uma tal de Dona Chica admirou-se “do berrô, do berrô que o gato deu”. Em vez de se compadecer do felino, a mulher fica pasma e passiva ouvindo-lhe os gritos e talvez se deliciando com a manifestação de dor. Como se isso não bastasse, a letra tem uma mensagem antiecológica. De onde teria vindo o pau atirado no gato, se não de uma árvore destruída por algum madeireiro ganancioso?&lt;br /&gt;“O cravo brigou com a rosa” tem uma sugestão bélica que não fica bem a duas flores. Delas se espera ternura, concórdia, enlace amoroso -- e não que fiquem se despetalando de raiva uma da outra. E o famoso “Boi da cara preta”? Geralmente se canta essa música para fazer as crianças dormir, mas como levá-las ao sono ameaçando-as com um bicho escuro que, ainda por cima, as aterroriza com caretas? Se dormirem, coitadas, vão ter horríveis pesadelos. &lt;br /&gt;Ninguém também se iluda com a aparente inocência de “Ciranda, cirandinha”, que não traz nenhum exemplo de bom comportamento moral. Pelo contrário, realça a mentira e a quebra de compromisso. Alguém dá a uma moça um anel de vidro dizendo que ele é de material mais resistente. O resultado é que a joia se quebra -- mas eis o pior: sua fragilidade simboliza o amor de quem deu o presente. Um falso.&lt;br /&gt;Outra cantiga que nada tem de edificante é a que acompanha a história da Dona Baratinha. No início da letra alguém pergunta quem quer casar com ela. Espera-se, obviamente, que a noiva possua predicados que a habilitem a ser uma boa esposa: fidelidade, apego ao lar, disposição para ser mãe. Em vez disso ouvimos um tanto desapontados que ela “tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha”. Ou seja, exalta-se apenas a vaidade da pretendente e, pior, insinua-se ao eventual marido a possibilidade de um golpe do baú. Não surpreende que o candidato seja um tal de... Dom Ratão. Felizmente o esperto teve o destino que merecia, morrendo cozinhado numa panela. &lt;br /&gt;“Samba Lelê”, quem não conhece? Hoje não se deve mais cantá-la devido àquela referência a “umas boas lambadas”. É impossível aceitar isso numa época em que a Lei da Palmada se dispõe a livrar as crianças de castigos corporais. E quanto a “Pai Francisco”? Vocês vão dizer que é do mais inofensivo humor. Que tem demais afirmar que o homem “parece um boneco desengonçado”? Já vi que não prestaram atenção ao verso que vem antes; nele se diz que o tal Francisco vem “todo requebrado”. Hum... Homem se requebrando? Isso lança uma suspeita sobre a sua identidade sexual, e não fica bem às crianças deparar-se tão cedo com tais ambiguidades. &lt;br /&gt;Se queremos adultos equilibrados, precisamos cantar para nossos meninos outras canções. O problema é saber quais. Enquanto não descobrimos, o mais prudente é niná-los com o inofensivo ããã, ããã, ããã. Qualquer fonema ou palavra a mais pode ser perigoso. Muito perigoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-319996119708462388?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/319996119708462388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=319996119708462388' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/319996119708462388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/319996119708462388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/09/cantigas-perigosas_09.html' title='Cantigas perigosas'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-8055665991085711315</id><published>2011-09-03T07:50:00.000-07:00</published><updated>2011-09-03T07:50:40.708-07:00</updated><title type='text'>Seleção de frases</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;A prostituição mais triste é a que não se faz por dinheiro. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Na Feira das Vaidades, as vitrines contam mais do que a qualidade dos produtos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Vale a pena ganhar um terço a menos e fazer o que se gosta. Lucra-se de vida um terço a mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;A saudade é uma melodia que nos recusamos a tocar de olvido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;**** &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Amigos são parentes pelo coração. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Nunca fez exercícios na vida. Hoje corre devido a um enorme sentimento de cooper.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;A desconfiança é a antessala da descrença. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;O oposto do realismo não é o sonho. É a ingenuidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;**** &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Todo gay sonha com seus 15 minutos de fêmea. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Depois que fez plástica, vive de nariz empinado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;A vitória de Cristo sobre seus algozes mostrou que nada como um dia depois do Horto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Uma das vantagens de estar só é que a gente não precisa de ninguém para isso. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Quando o casal inventa de discutir a relação, a mulher sempre ganha por WO.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Não tema viver no limite. A borda é de onde melhor se contempla o abismo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Eclético é o sujeito que mistura tudo com certa ordem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;A vantagem de ganhar dinheiro vendendo “a salvação” é que o cliente jamais vai conferir a autenticidade da mercadoria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Seja realista. Sonhe.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-8055665991085711315?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/8055665991085711315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=8055665991085711315' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/8055665991085711315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/8055665991085711315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/09/selecao-de-frases_03.html' title='Seleção de frases'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-3816507906856241741</id><published>2011-08-28T15:24:00.001-07:00</published><updated>2011-08-28T15:24:53.162-07:00</updated><title type='text'>Falta de exemplos</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div closure_uid_xdw8nr="89"&gt;A presidente Dilma (não consigo dizer “presidenta”) vem surpreendendo com a demissão de ministros e de outros funcionários envolvidos em denúncias de corrupção. Esperava-se tudo, menos que ela enfrentasse o fisiologismo de alguns congressistas para fazer uma faxina moral no governo. Os riscos que corre são grandes, como se sabe, mas a chefe (não consigo dizer “chefa”) parece disposta a ir em frente. Essa disposição, que nos alegra e revigora, é um sinal de que alguma coisa pode mudar no país. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Será mesmo? Convivemos há tanto tempo com a corrupção, que a consideramos inevitável em nossa prática política. Ela já não choca, não irrita, não indigna. Pelo contrário, tem alguma coisa de cômico. A tolerância risonha e meio cínica com que reagimos às denúncias soa como submissão a uma espécie de fatalismo. Ser corrupto parece a contraface da maioria de nossos homens públicos, que sem esse traço nos soariam, digamos, menos genuínos (sem trocadilho). &lt;br /&gt;Os antropólogos, sociólogos e outros ólogos que estudam nosso caráter atribuem essa complacência à índole do povo. Seríamos todos corruptos por genética e berço -- e o “jeitinho” constituiria uma prova disso. Tendemos a burlar as leis, amaciar as regras, fugir ao dever moral nas mais comezinhas situações da vida. Preferimos “adoçar” a mão do guarda a pagar o que devemos por uma infração. Se todos somos assim, não surpreende que os parlamentares introduzam essa mentalidade e as práticas dela advindas nas instâncias onde lhes cabe legislar. Daí o fisiologismo, a defesa dos colegas envolvidos em falcatruas, o boicote a um presidente que se dispõe a investir com seriedade contra isso. &lt;br /&gt;Esse modo de pensar é lamentável, pois embute uma lógica que absolve e mesmo estimula a corrupção. É no fundo um sofisma, uma vez que nivela as pequenas às grandes faltas. Oferecer bola ao guarda é um desvio ético, não há dúvida, mas não se compara aos efeitos produzidos pelo superfaturamento na licitação de uma rodovia ou pelo desvio do dinheiro destinado à construção de um hospital. Nesses casos o dano à população -- sua integridade, sua vida -- é infinitamente maior. &lt;br /&gt;A intolerância para com os políticos corruptos não pode ser abrandada pela consideração de que eles refletem um traço do nosso caráter. É muito cômodo considerá-los apenas uma versão amplificada do sujeito que no escuro de um cruzamento tenta subornar o guarda. Pela responsabilidade que têm, são muito mais do que isso. E pelo papel que desempenham devem (ou pelo menos deveriam) se constituir em exemplos. &lt;br /&gt;O problema é que não estão interessados em ser exemplos para ninguém -- e com isso fecha-se um possível caminho para mudar as coisas. Talvez a demonstração de honestidade por parte deles concorresse para instaurar um novo paradigma e terminasse sensibilizando o indivíduo que se esquiva de pagar a multa. Em vez de perceber seu gesto refletido nos altos estratos políticos da nação, ele veria em seus representantes uma mentalidade oposta à que estimula a prática do “jeitinho”. Isso de algum modo o inibiria e talvez o fizesse sentir vergonha. &lt;br /&gt;&lt;div closure_uid_xdw8nr="112"&gt;Mas já estou falando de um país utópico... Descendo à vida real, o que nos resta é mesmo torcer para que Dilma resista o quanto possa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-3816507906856241741?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/3816507906856241741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=3816507906856241741' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3816507906856241741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3816507906856241741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/08/falta-de-exemplos.html' title='Falta de exemplos'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-7070358063912921288</id><published>2011-08-14T19:03:00.000-07:00</published><updated>2011-08-14T19:06:02.903-07:00</updated><title type='text'>Em torno do pai</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;A injustiça contra o pai começa com a natureza. Ele planta a semente, no entanto a mãe é quem carrega o fruto.&lt;br /&gt;&lt;div closure_uid_lp1vvp="112"&gt;&lt;/div&gt;****&lt;br /&gt;A maternidade é uma função biológica; a paternidade, muito mais um papel cultural. Pai só conhece o filho quando ele nasce; mãe desde o início tem com ele a maior intimidade (documentada inclusive pelo ultrassom). Envolve-o no ventre, aninha-o no colo, aproxima-o do seio quando dá de mamar. Para o pai sobram as golfadas. &lt;br /&gt;**** &lt;br /&gt;Pai se orgulha quando ouve dizer que o filho “puxou” a ele. Mãe não está nem aí, pois sabe que o filho... foi puxado dela (o cacófato é para sugerir a dor do parto).&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Pai bom é um filho que deu certo.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Pai é antes de tudo um nome, porém muitos pais hoje estão aquém da Palavra. Viraram diminutivos, ou aumentativos folgados. Transformaram-se em paizinhos, ou pior, em paizões. O paizão não se reconhece no papel e se sente no nível do filho; tem as mesmas hesitações, comete os mesmos desatinos. Curtem juntos a dor de cotovelo pela gatinha ou pela coroa (pode ser gatinha também!) que lhes deu o fora. Quem assim tão cúmplice pode educar e, se necessário, punir?&lt;br /&gt;(E o filho, secretamente: “Pai, por que me abandonaste?”)&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;A condição da autonomia individual não está em “matar o pai”, como quer a psicanálise. Está em descobrir (e aceitar) que ele é humano. O desafio é impedir que o pai humano vire... paizão. &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;“Filho, desista de lutar contra mim. Há mais de mim em você do que de você mesmo.” (Dalton Trevisan, “O jantar”)&lt;br /&gt;**** &lt;br /&gt;O pai está condenado à extinção. O primeiro abalo em sua figura veio com a inseminação artificial. O próximo virá com a criação do sêmen em laboratório, o que tirará do homem o privilégio de deter o material genético necessário à procriação. Quando a mulher puder gerar por si própria o filho, o macho (e por extensão o pai) deixará de ser necessário. &lt;br /&gt;A desforra só ocorrerá quando o útero também for criado artificialmente. &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Geralmente se trata o pai como se ele fosse uma entidade única. Há diferenças, que merecem receber distintas denominações. Sugerimos algumas, conforme o pai seja: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div closure_uid_125pt="91"&gt;engraçado - &lt;strong&gt;pa&lt;/strong&gt;iaço;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; confuso - atra&lt;strong&gt;pai&lt;/strong&gt;ado; &lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_125pt="103"&gt;que tudo banca - &lt;strong&gt;pai&lt;/strong&gt;trocinador;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;doente - &lt;strong&gt;pai&lt;/strong&gt;tológico; &lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_125pt="106"&gt;redundante - &lt;strong&gt;paipai&lt;/strong&gt;;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; ativo - &lt;strong&gt;pai&lt;/strong&gt; pra toda obra; &lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_125pt="109"&gt;desbocado - sem &lt;strong&gt;pai&lt;/strong&gt;pas na língua;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; calmo - &lt;strong&gt;pai&lt;/strong&gt;cato; &lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_125pt="110"&gt;imitador - &lt;strong&gt;pai&lt;/strong&gt;pagaio;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; sentimental - &lt;strong&gt;pai&lt;/strong&gt;tético. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-7070358063912921288?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/7070358063912921288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=7070358063912921288' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/7070358063912921288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/7070358063912921288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/08/em-torno-do-pai.html' title='Em torno do pai'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-726262572930231737</id><published>2011-08-07T17:32:00.000-07:00</published><updated>2011-08-07T17:32:29.137-07:00</updated><title type='text'>Modismo e destino</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;A moda assemelha-se às doenças – pega. Ninguém sabe que moda vai pegar, ou do que vai adoecer. Instalado o processo patológico, no entanto, desfaz-se a ideia de acaso ou gratuidade. No imenso mar da perplexidade moderna, a moda é a marola que se encrespa mais pelo brilho, mais para se deixar ver ao enorme sol da vaidade, e depois murcha na anônima superfície do tempo. O que é a moda, senão a eternidade do efêmero? &lt;br /&gt;&lt;div closure_uid_1tywa8="111"&gt;&lt;/div&gt;O curioso é que a moda tem invadido territórios onde antes se percebia alguma inflexibilidade e um louvável rigor. Certas hábitos ou certas coisas – como o ritual da sedução amorosa, os vestidos das mulheres ou as gravatas dos homens – podem e devem variar. É da sua própria natureza substituir-se, alternar-se conforme o gosto das pessoas e o fluir das estações. Já outros tipos de prática ou de mercadoria deviam permanecer infensos a mudanças. &lt;br /&gt;Tomemos o caso da medicina. Há alguns anos debitava-se tudo ao psicossomático. Uma gripe, uma diarreia, ou mesmo um câncer eram o resultado de complexas interações psicológicas e físicas. E não se adoecia do corpo, adoecia-se basicamente da alma. Hoje, conforme atroam os meios de comunicação ressoando a verdade dos laboratórios, hoje tudo é genético. Diariamente os cientistas descobrem um novo gen que comanda alguma coisa. E os cromossomos, ficamos sabendo com estupor, cada vez mais dispõem sobre o nosso destino. &lt;br /&gt;Já se chegou a isolar o gen que determina a opção político-ideológica das pessoas. O indivíduo já nasceria codificado para ser direita ou esquerda, petista ou neoliberal. Se tudo é genético, como fica o problema da consciência e do livre-arbítrio? Então vivemos apenas para realizar um percurso predeterminado, submetidos a um código transcendente aos nossos sonhos, projetos e intenções? &lt;br /&gt;Calma, leitor. Antes de tudo, reflete que essa tirania da genética é também um modismo. Daqui a algum tempo, vai-se descobrir um “princípio ativo” subjacente ao código genético e capaz de modificá-lo em função das nossas disposições anímicas. Será a volta triunfal ao psicossomático.&lt;br /&gt;Além do mais, mesmo se considerando que os gens programam os nossos sentimentos e dispõem sobre as nossas ações, quem disse que determinismo é destino? Às vezes levamos a vida a lutar contra os nossos determinismos e fazemos dessa luta inglória, mas nem sempre vã, o nosso destino. Diferente do determinismo, que representa um conjunto de fatores vindos de fora, o destino sempre envolve o indivíduo. Sempre envolve o eu. Digamos que o destino reflete a maneira aquiescente, ou contrastante, segundo a qual reagimos ao que nos molda biologicamente. &lt;br /&gt;&lt;div closure_uid_1tywa8="112"&gt;E se falo essas coisas, meio por falta do que dizer, é que esse tipo de assunto – situado entre a frivolidade e a filosofia -- nunca sai da moda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-726262572930231737?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/726262572930231737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=726262572930231737' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/726262572930231737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/726262572930231737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/08/modismo-e-destino.html' title='Modismo e destino'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-5339616488498820988</id><published>2011-08-01T11:07:00.000-07:00</published><updated>2011-08-01T11:07:15.271-07:00</updated><title type='text'>Impressões do Velho Mundo (5)</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div closure_uid_va69pp="89"&gt;Quando desembarcamos em Paris, ventava e chovia fino (manda a verdade dizer que foi em Orly, que fica a 30 quilômetros da Cidade-Luz; mas a frase não teria o mesmo efeito). Era um contraponto ao clima de Granada, onde no verão faz um calor de derreter pedreiras. Desci as escadas do avião com uma bolsa embaixo do braço e outra sobre a cabeça para me proteger dos pingos. Sem segurar o corrimão, por pouco não tropeço e me esborracho na pista -- uma forma nada gloriosa de beijar o solo francês. A chuva me fez pensar se minha asma voltaria ali, na pátria de Proust, o asmático mais famoso da literatura. Ah, não! Preferia reencontrar outros tempos perdidos; esse eu queria esquecer.&lt;/div&gt;&lt;div closure_uid_va69pp="103"&gt;&lt;/div&gt;O leitor que acompanha estas descosidas impressões estranhará que eu tenha saído tão rápido de Madri (calma, ainda volto à capital espanhola). O motivo desse avanço no tempo foi o filme de Woody Allen, que vi sábado. Seu título, “Meia-noite em Paris”. O personagem principal ama andar sob a chuva na capital francesa. Como ele eu também tinha o desejo de visitar o Café de Flore, onde se reuniam os existencialistas -- mas as semelhanças entre nós param por aí. Não conversei com o pessoal da Geração Perdida nem visitei em sonho a Belle Époque. &lt;br /&gt;Sob a chuva fina, andamos cerca de 200 metros até o ônibus que nos levaria ao saguão do aeroporto e daí tomamos um táxi rumo ao hotel. Com a chuva o trânsito estava congestionado, mas dessa vez estimei um engarrafamento. Queria ver as ruas e decifrar os letreiros. À medida que deixávamos Orly eu esquadrinhava a paisagem em busca de um detalhe, um sinal, um traço arquitetônico qualquer que me mostrasse que eu estava em Paris. A cidade se escondia sob o cinza espesso, como certas mulheres se cobrem para melhor nos surpreender depois. No trajeto, um pequeno episódio me envaideceu: o motorista elogiou o meu francês. Agradeci (foi o primeiro “merci” entre os muitos que distribuiria), rendendo íntima homenagem aos meus velhos professores do Liceu e da Aliança Francesa.&lt;br /&gt;Nosso hotel ficava na esquina das ruas Friedland e Foubourg Saint-Honoré. O motorista se confundiu e nos deixou em outro, da mesma cadeia, porém situado a uns 300 metros daquele em que devíamos ficar. Eis-me de novo carregando malas sob chuva e vento. Parecia um vaticínio, um complô meteorológico para me deixar doente. Minha mulher aconselhava, aflita: “Se agasalhe bem, se agasalhe bem!” &lt;br /&gt;Uma das ruas em que ficava o hotel tinha o primeiro nome de Balzac -- “Honoré”. Haveria alguma relação? Aparentemente não, pois o da rua era um santo. Mas no dia seguinte eu ia descobrir que havia, sim. A uns dois quarteirões ficava a Praça Balzac, onde se ergue uma estátua do escritor francês. Foi diante dela que tirei a primeira foto em nossa estada parisiense. Balzac parece ter sido retirado da redação de um romance e não tem nada daquele ar solene com que os nobres geralmente posam. Dá a impressão de estar ansioso para sair dali e voltar ao livro, que precisa terminar para saldar a dívida com um de seus credores. &lt;br /&gt;&lt;div closure_uid_va69pp="113"&gt;No hotel a recepcionista nos tratou com afetuosa atenção. Começava aí a se desmontar o mito de que os franceses são grossos e intolerantes. A moça era muito simpática e nisso não destoava da maior parte das pessoas com quem nos deparamos em lojas, restaurantes, recantos turísticos. E por falar em destruição de mitos -- também não vi ninguém, suado, carregando baguetes embaixo do braço.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-5339616488498820988?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/5339616488498820988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=5339616488498820988' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5339616488498820988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5339616488498820988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/08/impressoes-do-velho-mundo-5.html' title='Impressões do Velho Mundo (5)'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-465535266253958758</id><published>2011-07-24T18:45:00.000-07:00</published><updated>2011-07-24T18:45:44.789-07:00</updated><title type='text'>Impressões do Velho Mundo (4)</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div closure_uid_frisje="89"&gt;A visita à Espanha foi corrida, pois dedicamos três dias a Madri e outros três às cidades de Córdoba, Sevilha e Granada. Tínhamos que fazer opções, e uma delas foi visitar museus. Outra foi se concentrar no centro da capital. Facilitou esta última o fato de nos hospedarmos no Hotel Arosa, que fica numa transversal da cosmopolita e badalada Gran Via.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Sair de Portugal para a Espanha é como deixar um aconchegante quarto de província onde se descansa ao som do fado e ir para uma praça feérica na qual se grita e dança o flamenco. Lisboa tem algumas centenas de milhares de habitantes; Madri, quatro milhões. Mas o contraste não vem dessa diferença quantitativa; vem da combustão interna das pessoas, alguma coisa que se instila no sangue e, caso não seja controlada, pode se refletir em antipatia ou mesmo agressão. &lt;br /&gt;Um de meus termômetros para avaliar a disposição espiritual dos habitantes de uma cidade é o comportamento dos motoristas de táxi. Saindo da estação “Atocha” entramos em um desses transportes e pedi ao motorista que nos levasse ao hotel, que ficava na Rua Salud. Pronunciei mal o nome (disse alguma coisa como “Salute”) e fui corrigido em tom arrogante: “’Salute’ é italiano. É ‘Salud!’”. Interpretei o reparo como uma prova de zelo pela língua e o aceitei com humildade. &lt;br /&gt;Pouco depois chegávamos à tal rua e vi que o táxi que levava nossos companheiros de viagem estava parado em frente ao hotel. Não havia necessidade de esperar que descessem para sairmos do nosso, de modo que informei ao motorista que íamos saltar. Eu e minha mulher já havíamos semiaberto a porta quando ele, vendo que o outro táxi se afastava, arrancou em meio aos nossos gritos. Irritara-se talvez porque pretendíamos descer antes do local combinado, e por pouco não nos jogou no chão. Não pude deixar de notar o contraste: em Lisboa nos deparamos com motoristas ranzinzas, mas em nenhum momento com um maldoso. &lt;br /&gt;**** &lt;br /&gt;À noite fomos ver o primeiro espetáculo de flamenco a que assistiríamos no país (o segundo seria em Granada). A dança ocorre num tablado que se projeta em direção à plateia. Primeiro entram os músicos e se postam na parte de trás, um ao lado do outro. Alguém dedilha a guitarra, outro percute o pandeiro, e o solista entoa uma melodia de agudos lastimosos que mais parecem uma queixa. &lt;br /&gt;Vêm os dançarinos e começam a se apresentar, um por um, cada qual buscando superar o outro na perícia do sapateado. Os pés vibram, multiplicam-se, tirando da madeira lascas de fúria e som. O matraquear ininterrupto deixa suspensa a plateia (noto ao meu lado um japonês boquiaberto, a máquina fotográfica esquecida no colo). &lt;br /&gt;&lt;div closure_uid_frisje="98"&gt;Depois da primeira dançarina, esbelta e flexuosa como uma índia de Alencar, vem outra de aspecto matronal. Parece uma mamma italiana e não uma dançarina de flamenco. Dela se espera pouco, mais aí está o engano; a mulher tem eletricidade nas pernas. Um lado bom dessa dança é que seus praticantes demoram a se aposentar. Não precisam de todo o corpo -- bastam a alma e os pés.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-465535266253958758?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/465535266253958758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=465535266253958758' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/465535266253958758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/465535266253958758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/07/impressoes-do-velho-mundo-4.html' title='Impressões do Velho Mundo (4)'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-2227119708920326146</id><published>2011-07-18T13:27:00.000-07:00</published><updated>2011-07-18T13:29:40.309-07:00</updated><title type='text'>Impressões do Velho Mundo (3)</title><content type='html'>Dizem que o europeu trata hoje melhor os turistas devido à crise econômica. Precisa dos euros que eles deixam no continente. Quem esteve por lá há vinte, trinta anos, garante que o francês não era tão cordato. Nem o português tão paciente com as perguntas “óbvias” feitas pelos brasileiros (para nós, a obviedade é sobretudo deles). Seja qual for a razão, o fato é que não percebi a antipatia nem a soberba com que frequentemente pintavam para mim os habitantes do Velho Mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que notei por vezes foi um ar repreensivo para com nossa espontaneidade latina. Quando em Córdoba entramos num restaurante e juntamos as mesas, o garçom comentou que não havia necessidade disso para apenas seis pessoas.&amp;nbsp;A partir daí, ficou de cara amarrada. Felizmente na hora em que chegamos ainda não se servia o almoço, somente as “tapas” (entradas), o que nos levou a deixar o local. Fomos comer em outro canto, onde não era preciso juntar mesas.&lt;br /&gt;Com os garçons, por sinal, tomamos conhecimento de uma característica dos europeus que me soou muito simpática -- a intolerância à pressa. Também sou lento e abomino este mundo americanizado, que faz da velocidade uma virtude. Não adiantava chegar no restaurante e convocar logo o garçom (ou seja, era prudente não ir com muita fome). Ele simplesmente não vinha e parecia ter especial satisfação em punir o ansioso com mais demora. Fomos nos acostumando e aprendendo a esperar.&lt;br /&gt;Quando enfim aparecia, o tratamento que nos dispensava era respeitoso e equânime. Com uma eficiência destituída de segundas intenções. A razão maior para isso é que lá não existe o tal dos 10%, que no Brasil é fonte de raiva e discriminação. Raiva do funcionário, que não recebe do patrão esse percentual; e discriminação com os clientes que porventura se negam a pendurar na conta o acréscimo abusivo. Ninguém servia esperando a gorjeta, e quando a recebia se mostrava surpreso -- sobretudo, é claro, se a quantia superava as expectativas. E não precisava ser 10%; dois ou três euros era suficiente para provocar um sensibilizado agradecimento. &lt;br /&gt;**** &lt;br /&gt;Eu só conhecia Óbidos pela descrição que dela faz Érico Veríssimo em “Solo de Clarineta”. O gaúcho apresenta-a como “um prodígio de pacífica convivência arquitetônica e urbana e de graciosa economia de espaço”. Destaca suas ruas estreitas e curvas, que “sobem e descem, pavimentadas de pedra irregular, por entre as quais crescem ervas”. &lt;br /&gt;“Ela é isso e muito mais” -- pensava eu enquanto caminhava pela cidade-fortaleza que Dom Dinis deu de presente a Isabel de Aragão. Não que falte rigor descritivo ao autor de “Música ao vento”. É que nenhum retrato que se faz de gente, cidade ou paisagem se compara à percepção real que temos delas. &lt;br /&gt;Estar em Óbidos era deixar de imaginá-la a partir de um desenho feito por outrem. Era sentir nos pés e nos olhos a estreiteza daqueles sobrados e becos, e de repente se deparar com um portal mourisco, um par de colunas gregas ou uma sacada de onde os namorados se acenavam com o recato próprio da época. Uma época tão surpreendente, que era possível a alguém presentear a mulher com uma cidade e tudo que havia nela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-2227119708920326146?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/2227119708920326146/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=2227119708920326146' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2227119708920326146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2227119708920326146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/07/impressoes-do-velho-mundo-3.html' title='Impressões do Velho Mundo (3)'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-841224988914947367</id><published>2011-07-10T15:10:00.001-07:00</published><updated>2011-07-11T12:36:31.409-07:00</updated><title type='text'>Impressões do Velho Mundo (2)</title><content type='html'>Os três fadistas se revezam, juntos, a intervalos de dez ou quinze minutos. Entre as apresentações comemos sardinhas e tomamos vinho no bar do aconchegante distrito de Alfama. Nossa atenção se divide entre os cantores e o movimento do povo na ruazinha serpenteante e de paralelepípedos saltados (uma tortura para o sapato das mulheres). Passam turistas, mercadores, mulheres de preto, jovens tatuados. É Lisboa à noite, e praticamente acabáramos de chegar do Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente ouve-se um agudo que parece querer perfurar nossa alma. Não chega a isso, claro, mas a intenção é mesmo atingir o fundo de nossas emoções. Bater lá dentro para evocar perdas passadas, a tristeza de um amor perdido, o vazio de um sonho que se desvaneceu em suas próprias brumas. É uma nova rodada de fado que se inicia. Meus olhos se voltam da rua para os cantores, que se mostram contrariados quando não são ouvidos com religiosa atenção. Dá para entender. O fado não é apenas música, é um ritual em que se celebra determinada forma de sentir a vida. Tem que ser acompanhado com respeito e silêncio. &lt;br /&gt;Quando a audição acaba, um dos cantores -- de terno branco e lenço azul emergindo de um dos bolsos do paletó -- aproxima-se de nós e pergunta com suave aflição: “Estão a gostar?”. Claro, claro, respondemos, não sem trocar uns com os outros um maroto sorriso latino, que logo se apaga. O homem se afasta, satisfeito. Dentro em pouco virá nova rodada, mas já de barriga e espírito cheios deixamos a tasca e vamos circular pelas ruazinhas do distrito.&lt;br /&gt;Elas são cercadas de sobrados antigos, quase todos do tempo dos mouros. Nas varandas, dependuradas como estandartes, fileiras de roupas para secar. Vestidos, camisas, cuecas, calcinhas -- um vestuário banal que se carrega de exotismo para a nossa curiosidade de turistas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte vamos visitar o Mosteiro dos Jerônimos. É uma construção em estilo manuelino, a que se associam elementos góticos e renascentistas. Foi construído em 1502, segundo me explica o guia, para celebrar a viagem bem-sucedida de Vasco da Gama às Índias.&lt;br /&gt;Fazemo-nos fotografar em frente a sua fachada portentosa, que mistura imagens, colunas despojadas e ornamentados capitéis. Depois entramos na nave, cuja imensa arqueadura sugere mistério e grandeza. Alguém me indica o túmulo de Vasco da Gama, que está por baixo de uma galeria, mas não me emociono tanto quando diante do túmulo de Camões. &lt;br /&gt;Sei que essa é uma lápide simbólica, ninguém jamais encontrou o corpo do autor d’Os Lusíadas --- mesmo assim ela é que mais me impressiona. No momento em que&amp;nbsp;a visito, um grupo de camonianos cerca a estátua do bardo. A homenagem se deve a que nessa data, 10 de junho, comemora-se o&amp;nbsp;aniversário da&amp;nbsp;sua&amp;nbsp;morte e o Dia de Portugal. Os admiradores discursam&amp;nbsp;e cantam com um ar devoto. Parecia que ele era ali o maior dos santos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-841224988914947367?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/841224988914947367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=841224988914947367' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/841224988914947367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/841224988914947367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/07/impressoes-do-velho-mundo-2.html' title='Impressões do Velho Mundo (2)'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-6267890661471761264</id><published>2011-07-04T13:44:00.000-07:00</published><updated>2011-07-04T13:44:11.550-07:00</updated><title type='text'>Impressões do Velho Mundo</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Ir à Europa foi, durante muito tempo, o sonho de todo brasileiro em certo momento da vida. Depois de trabalhar, adquirir patrimônio e fazer um razoável pé de meia, chegava enfim a hora de conhecer o Velho Mundo. Lá tinha história, nobreza, tradição, e o lustre que faltava aos “bárbaros” da América. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa passagem de “O cortiço” Aluísio de Azevedo refere entre os sonhos do burguês João Romão ir ao continente europeu e com isso fazer inveja aos que por aqui ficavam. Romão não pensava em aprender nos museus ou nas excursões pelos recantos históricos; não queria absorver o conhecimento de séculos e séculos de civilização. Queria tão-somente mostrar aos outros que pudera fazer a viagem. Voltaria o mesmo sujeito de espírito bronco que usara os recursos mais torpes para enriquecer -- mas a notícia de que estivera por lá lhe daria alguma forma de distinção. &lt;br /&gt;Hoje as coisas mudaram. Com o desenvolvimento do setor turístico e o barateamento das passagens, não é preciso esperar muito para cruzar o Atlântico -- a não ser, como no meu caso, que o receio esteja mesmo em cruzar o Atlântico. Tudo ficou tão mais fácil, que acabei tomando coragem e indo. O roteiro incluiu Portugal (Lisboa), Espanha (Madri, Córdoba, Sevilha, Granada) e França (Paris).&lt;br /&gt;A quem me pergunta “como foi?”, “valeu a pena?”, “o que mais lhe impressionou?”, respondo que meu espírito ainda está aterrissando (sem que nesse verbo haja nenhum tipo de menosprezo). Ver todos esses lugares em cerca de 18 dias representou uma maratona para o corpo e um deslumbre para a alma. Vai ser preciso tempo para processar tantas informações colhidas em prospectos, fones de guias turísticos, audiofones de museus. Por enquanto, prevalecem as impressões; depois virá o entendimento. &lt;br /&gt;Evitei ao máximo ler jornais e assistir à TV durante a minha estada, mas não precisava deles para perceber que a Europa está em crise. Em Portugal, mais de um motorista de táxi falou sobre o assunto. Na Espanha, cruzamos tanto em Madri quanto em Sevilha com uma passeata de “indignados”, que bradavam palavras de ordem contra os ricos. Paris foi dos poucos lugares onde não vi manifestação alguma, mas isso não surpreende; com tantos turistas nas ruas, os manifestantes não teriam por onde transitar.&lt;br /&gt;Sempre ouvi que o europeu é grosso, intolerante e de poucas palavras. Esse mito caiu depois da viagem (sobretudo em relação aos franceses). Com raras exceções, as pessoas a quem nos dirigimos nos trataram com simpatia e afabilidade. &lt;br /&gt;Quem não está prevenido pode estranhar, em Portugal, uma espécie de “obviedade linguística” que parece estar entre a ingenuidade e o sarcasmo -- mas talvez não seja nada disso. Dois exemplos: uma noite, saindo da Alfama, perguntamos a um transeunte qual o melhor transporte para voltarmos para o hotel. Ele respondeu mais ou menos o seguinte: “- Se forem de ônibus, terão que seguir o trajeto especificado. Já o táxi vai deixá-los onde queiram ficar.” Agradecemos a preciosa lição. &lt;br /&gt;Na volta à Lisboa, vindos de Madri, perguntamos ao funcionário que carimbava os passaportes onde ficava o portão 45 (no qual embarcaríamos para o Brasil). Resposta: “Fica depois do 44".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-6267890661471761264?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/6267890661471761264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=6267890661471761264' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/6267890661471761264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/6267890661471761264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/07/impressoes-do-velho-mundo.html' title='Impressões do Velho Mundo'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-1439197603988378186</id><published>2011-06-28T05:52:00.000-07:00</published><updated>2011-06-28T05:52:02.965-07:00</updated><title type='text'>Namorados - eles e elas</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;- Você não notou nada diferente em mim?&lt;br /&gt;Ele a contempla, apreensivo. &lt;br /&gt;- Notei, claro. &lt;br /&gt;- O quê? &lt;br /&gt;- Bem... -- Hesita, olhando-lhe com atenção o rosto, os braços, o vestido.&lt;br /&gt;- Aposto que não notou... Está mentido. &lt;br /&gt;Insiste em que notou, para não desapontá-la. Alguma coisa nela está mesmo diferente, mas ele não sabe o que é. Sempre detestou ser tão distraído. &lt;br /&gt;- Está bem, vou dizer: cortei o cabelo. &lt;br /&gt;Ele se perturba um instante, mas logo reage: &lt;br /&gt;- Era a isso que você se referia? Qual a vantagem de perceber uma coisa que todo mundo percebe logo? &lt;br /&gt;- Você tinha notado?!&lt;br /&gt;- Claro! Não falei porque pensava que você se referisse a essa verruguinha -- aponta com o dedo. -- Na semana passada, estava um pouquinho abaixo da boca. Hoje está mais em cima. &lt;br /&gt;Ela se olha no espelho e vê, de fato, um pontinho minúsculo quase na linha lateral dos lábios. Exclama: &lt;br /&gt;- Poxa!! Você foi capaz de notar isso? Já vi que repara mesmo em mim. &lt;br /&gt;Abraça-o. Ele suspira, aliviado. Desta vez escapou, mas precisa ser mais atento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**** &lt;br /&gt;Mal ele chega, ela dispara, sorrindo: &lt;br /&gt;- Hoje é nosso aniversário! &lt;br /&gt;- Como, se eu nasci em julho e você em setembro?&lt;br /&gt;- Falo do aniversário do nosso namoro. Você nem se lembrava... &lt;br /&gt;E agora? Ele não trouxe presente nem cartão. Tenta uma saída: &lt;br /&gt;- É que eu não sou pessimista como você, que conta nosso namoro em anos. Conto em décadas, pois por mim a gente vai ficar para sempre juntos. Entendeu agora? Não foi alheamento, foi... confiança no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Ele acorda, olha o relógio e vê que perdeu a hora. Adormecera de cansaço em razão do jogo de futebol. E logo numa data tão especial! Ela com certeza não ia perdoar. &lt;br /&gt;Dá um pinote até o banheiro, toma um banho super-rápido e se manda para a casa da namorada. Encontra-a no alpendre, o rosto vermelho de fúria e mágoa. &lt;br /&gt;-- De... desculpe. Sei que me atrasei e não mereço ser perdoado. &lt;br /&gt;- Adormeceu?! Como é que você me deixa aqui plantada num dia como hoje? &lt;br /&gt;- Não mereço perdão, já disse. Mas parte da culpa é sua. &lt;br /&gt;- Minha?! &lt;br /&gt;- É que... eu estava sonhando com você. E quando sonho com você, fica difícil acordar. A gente nunca quer sair de um sonho bo &lt;br /&gt;- E como era o sonho? &lt;br /&gt;- Você estava bonita como sempre. Doce, meiga. &lt;br /&gt;Ela respira fundo, segurando a custo a indignação. Olha-o com irônica seriedade: &lt;br /&gt;- Pois faça o favor de voltar para casa e continuar a dormir. Me reencontre no sonho... bonita, doce, meiga. Aqui estou o contrário de tudo isso. Adeus. &lt;br /&gt;Entra, fecha a porta e o deixa sozinho na noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-1439197603988378186?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/1439197603988378186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=1439197603988378186' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1439197603988378186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1439197603988378186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/06/namorados-eles-e-elas.html' title='Namorados - eles e elas'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-3266278059677182519</id><published>2011-06-09T05:32:00.000-07:00</published><updated>2011-06-09T05:32:31.902-07:00</updated><title type='text'>A namorada</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Nós brigávamos muito. Os amigos nos viam mais afastados do que juntos, e quando encontravam um dos dois a primeira pergunta que faziam era: “Vocês ainda estão namorando?”. O motivo das brigas era banal, irrelevante, mas comumente (coro em o dizer) estava ligado ao meu ciúme. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu era um adolescente inseguro. Tinha pouca experiência em namoros e vivia empaturrado de literatura e filosofia mal assimilada. Ela tinha olhos verdes. Além de verdes, inquietos, como aliás era ela toda. Gostava de olhar a rua, os carros, as pessoas, com uma avidez que me parecia suspeita. Ciumento vê ameaça em tudo. Eu queria deter aquela onda magnética, canalizá-la só para mim. Como não conseguia, arranjava pretextos para cobranças e brigas. &lt;br /&gt;Ficávamos um tempo sem nos ver, e nesse período eu lhe mandava cartas. As cartas eram uma tentativa de explicação, um meio de pedir a ela que me perdoasse. Escrevia-as num estilo que eu hoje chamaria “desesperado-incandescente”. Era tudo iluminado com metáforas, amplificado com hipérboles, recheado de citações pretensamente doutas sobre a vida e o amor. &lt;br /&gt;Eu queria com toda essa retórica impressioná-la, e parece que a coisa funcionava. Dias depois nos reconciliávamos por entre beijos tórridos e juras eternas (com todos os adjetivos a que uma paixão adolescente tem direito). Essa alternância entre brigas e cartas durou um bom tempo. Devo ter escrito umas 15 ou 20, sempre caprichando na forma e achando que, quanto melhor escrevesse, mais eu a impressionava e retinha. &lt;br /&gt;Um dia tivemos uma briga mais séria, por um motivo tão bobo que a enfureceu. Afastei-me por uns dias e tratei de providenciar mais uma torturada missiva, na qual arderia de novo o meu coração. Não foi preciso. O fogo dessa vez veio do outro lado, e nada metafórico. Quando liguei para lhe informar que iria levar a carta, ela me disse que isso era inútil; já queimara todas as outras. &lt;br /&gt;Mal acreditei no que tinha ouvido. Cheguei a pensar que era mentira, ela não podia ter sido capaz de tanta maldade. Mas fora, sim. Incinerara os meus sofridos textos. Se eu queria confirmar, que fosse lá ver as cinzas... Não fui, é claro. E naquela noite me revirei na cama cheio de ódio e frustração. Ao mesmo tempo que a amaldiçoava, eu me achava um imbecil. Por que não tinha feito como Sartre (então meu ídolo), que tirava cópia das suas cartas de amor? &lt;br /&gt;Com o tempo avaliei melhor o episódio, que não deixava de conter uma lição -- uma das muitas que eu aprenderia com as mulheres. As cartas nada mais eram do que um monumento à minha vaidade. Querer suprir por meio delas falhas pessoais era um equívoco que só poderia destruir a relação. À namorada não interessava o escritor, e sim o homem, que não precisava ser “inteligente” para se fazer amar. Bastava ser menos complicado, mais confiante e capaz de demonstrar que gostava mesmo dela.&lt;br /&gt;Não guardo mágoas, mas devo confessar que vez por outra penso nas cartas. Bem que eu gostaria de as reler agora e reencontrar nelas o adolescente ansioso, que procurava num estilo trêmulo confessar o seu amor. Talvez -- quem sabe? -- até tivessem algum valor literário... Não sei se perdoei de todo aquela namorada. Às vezes acho que me casei com ela por uma espécie de vingança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-3266278059677182519?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/3266278059677182519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=3266278059677182519' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3266278059677182519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3266278059677182519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/06/namorada.html' title='A namorada'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-860898951600171371</id><published>2011-05-27T13:42:00.000-07:00</published><updated>2011-05-27T13:42:07.139-07:00</updated><title type='text'>Diálogos (4)</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;- Doutor, preciso melhorar minha vida sexual. &lt;br /&gt;- Primeiro você precisa me dizer qual a hora em que costuma fazer sexo.&lt;br /&gt;- A hora não lembro. Lembro o ano. &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Do professor para a diretora da escola: &lt;br /&gt;- Acabou o material para a aula de microbiologia. &lt;br /&gt;- Não faz mal. Pegue ali um pouco da merenda. &lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;- Como você passou a noite?&lt;br /&gt;- Nos braços de Morfeu. &lt;br /&gt;- Engraçado... Eu pensei que você estivesse dormindo.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;O professor explica à turma a origem da vida:&lt;br /&gt;- A vida começou com um caldo químico, uma “sopa” de bactérias. Vocês não têm ideia...&lt;br /&gt;- A gente tem, professor! Tomamos uma ontem no almoço.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;Diz a mulher para o marido português, que dirigia o carro ziguezagueando na pista:&lt;br /&gt;- Pegue a mão direita. &lt;br /&gt;- Não posso. Estou segurando com ela a direção.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-860898951600171371?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/860898951600171371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=860898951600171371' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/860898951600171371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/860898951600171371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/05/dialogos-4_27.html' title='Diálogos (4)'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-5442957771950003819</id><published>2011-05-22T15:29:00.000-07:00</published><updated>2011-05-22T15:29:35.840-07:00</updated><title type='text'>Para um ensino melhor</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Estudar português segundo a norma culta piora a vida das pessoas. Isso é o que sugere o livro “Para uma vida melhor”, recentemente distribuído pelo MEC em algumas escolas dos níveis fundamental e médio do país. A gente sempre soube que as regras gramaticais são uma chatice; quando mal explicadas, elas põem o pensamento numa camisa de força e podem tolher a criatividade verbal do aluno. Mas daí a piorar as nossas vidas...&lt;br /&gt;Não há dúvida de que falar de acordo com a norma requer esforço. Dizer “nós vamos” pressupõe o conhecimento das pessoas gramaticais e dos mecanismos de flexão que devem adequar o verbo ao emissor. Dizer “nós vai” é mais simples. Muitos falam assim no dia a dia. &lt;br /&gt;O conceito que o livro traz sobre o estudo da língua mostra que os tempos mudaram. Ouvi falar de variantes linguísticas quando estava no curso de Letras. No ensino médio aprendi que se devia usar a norma culta, pois precisaria dela para falar bem em público e, sobretudo, para redigir sem riscos o texto que me seria pedido no vestibular. &lt;br /&gt;Se me tivessem ensinado que é correto dizer: "Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado", conforme está na publicação, eu certamente ficaria confuso. Segundo Heloísa Ramos, autora da obra, numa frase como essa a presença do “os” já é suficiente para indicar o plural. &lt;br /&gt;Por que apenas a do “os”? Suponhamos que esse artigo estivesse no singular e que os adjetivos, também determinantes do substantivo “livro”, estivessem no plural. De quantos e quais livros se estaria falando? Se a própria palavra “livro” está no singular, o lógico é pensar que se fala de apenas um. “Mas o verbo está no plural” -- dirão. Ora, com tanta arbitrariedade na flexão dos nomes, poderíamos pensar que houvera engano também na do verbo. Sobretudo porque cabe a ele concordar com o termo nominal, e não o contrário. &lt;br /&gt;Para justificar a construção “Nós pega o peixe”, a autora afirma: “...quem ouve a frase sabe que há mais de uma pessoa envolvida na ação de pegar o peixe”. Evidentemente que sabe. Mas se o objetivo do falante é apenas se comunicar, independentemente da forma usada para isso, não precisa haver escola. A escola existe para orientar sobre certos mecanismos de ajuste que dão coerência formal ao texto. &lt;br /&gt;Numa frase como essa que a professora citou, o desrespeito à norma não traz grande prejuízo. É possível entender a mensagem. Em outras, contudo, pode gerar confusão de sentido. Há inúmeras situações em que a concordância é o meio de identificar o sujeito, ou seja, de saber a quem (ou a quê) o verbo se refere. &lt;br /&gt;O livro procura evitar que os alunos sejam preconceituosos. É discriminação rejeitar o registro coloquial nas situações em que ele se impõe. Mas isso também ocorre quanto à língua padrão; rejeitam-se aquelas pessoas que, nas situações em que se pede uma linguagem espontânea e mesmo “inculta”, aparece falando certinho. Nem por isso a escola deve orientar que se fale “errado” para se adequar a tais situações informais.&lt;br /&gt;A melhor maneira de fazer ver a pertinência do registro coloquial, ou mesmo do popular, é apresentar os textos orais ou escritos em que eles ocorrem e mostrar aos alunos que não constituem infrações. Apresentá-los como “recomendáveis” ou nivelá-los aos que observam a língua padrão só tem um efeito: confundir os estudantes e, de certo modo, negar o papel da escola. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-5442957771950003819?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/5442957771950003819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=5442957771950003819' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5442957771950003819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5442957771950003819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/05/para-um-ensino-melhor.html' title='Para um ensino melhor'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-2900040519797707631</id><published>2011-04-26T18:48:00.000-07:00</published><updated>2011-04-26T18:48:28.938-07:00</updated><title type='text'>Repensando os provérbios</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Camões diz num soneto que o mundo é feito de mudanças. Isso contraria o Eclesiastes, para o qual não há nada de novo sob o sol. O mais prudente é chegar a um equilíbrio e reconhecer que as coisas mudam para permanecer iguais. Ou se tornam iguais a cada vez que mudam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se as coisas se transformam -- mesmo mantendo sua essência --, transforma-se também a linguagem. Os provérbios, por exemplo. Eles são generalizações, e como tais expressam verdades aparentemente imutáveis. Mas será que não têm de se adaptar à evolução dos tempos? Sempre é possível, nem que seja por um artifício poético ou irônico, vê-los com nova roupagem. &lt;br /&gt;Diz-se (ou melhor, Hobbes disse) que o homem é o lobo do homem. Ora, hoje ele é muito mais logro do que lobo. Nosso propósito é antes enganar do que devorar o semelhante. Passamos-lhe a perna nos negócios, nos concursos, nas relações sentimentais. E queremos que ele se mantenha vivo para presenciar nossa vitória -- o que seria impossível caso o triturássemos entre caninos esfaimados. Retifiquemos, então: “O homem é o logro do homem”.&lt;br /&gt;Vivemos tempos pragmáticos e pouco dado a especulações filosóficas. A especulação que nos interessa hoje é a financeira, por isso proponho esta atualização para o axioma de Descartes: “Penso, logo invisto.” Trocar “existir por “investir” ajusta-se melhor a uma época na qual se cultiva pouco o ser e se medem as pessoas pelo que elas têm. &lt;br /&gt;“O que os olhos não veem o coração não sente” é outra sentença que não bate muito com a realidade -- mesmo porque pode ser facilmente contestada. Suponhamos que nossos olhos não vejam um buraco à nossa frente. Fatalmente cairemos nele, e duvido que em tal circunstância o coração não sinta, e não responda com uma galopante taquicardia. Mudemos, pois, esse brocardo para alguma coisa como: “O que os olhos não veem pode nos fazer tropeçar”. Simples, prático, irrefutável. &lt;br /&gt;“O futuro a Deus pertence” também deve ser visto com reservas, pois não expressa uma verdade universal. Um político nepotista, por exemplo, dirá com mais exatidão: “O futuro aos meus pertence”. E quem pode dizer que ele está errado? &lt;br /&gt;A atual onda ecológica torna suspeita a afirmação segundo a qual “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”. Ter um pássaro na mão sugere a atitude politicamente incorreta de comê-lo ou engaiolá-lo, enquanto que deixar os dois a voar concorre para a preservação da espécie. É um gesto de respeito à vida, que os ecologistas e os poetas agradecem. Proponho, então, uma variante menos ofensiva à natureza (se algum grupo preservacionista quiser aproveitá-la, fique à vontade): “Um pássaro na mão não vale a sua extinção”. &lt;br /&gt;Para terminar, sugiro que se substitua o bondoso “Quem sai aos seus não degenera” por algo mais condizente com a natureza humana. Por exemplo: “Todo filho é a tara do pai”.&lt;br /&gt;(Em "A idade do bobo", p. 35)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-2900040519797707631?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/2900040519797707631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=2900040519797707631' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2900040519797707631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2900040519797707631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/04/repensando-os-proverbios.html' title='Repensando os provérbios'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-2558063389509283536</id><published>2011-04-08T06:50:00.000-07:00</published><updated>2011-04-08T06:50:36.366-07:00</updated><title type='text'>Fobias</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Os dois amigos se reencontram, depois de anos, no calçadão da praia. Quando Leocádio vai abraçar Tancredo, este se afasta com uma expressão de temor. &lt;br /&gt;- Por favor, não me toque. Tenho hafefobia, medo de ser tocado. Espero que compreenda.&lt;br /&gt;Leocádio compreendia, cada um tem lá suas esquisitices. Chamou Tancredo para se sentarem num banco próximo e matarem as saudades do tempo do ginásio. Descobriram que nenhum dos dois tinha se casado.&lt;br /&gt;- Você não se casou por quê? -- quis saber Leocádio. &lt;br /&gt;- Por causa das minhas fobias. Tenho todas. Sou um manual de psicopatologia ambulante. Isso me fez ficar sem ninguém. &lt;br /&gt;- Puxa! Explique isso melhor. &lt;br /&gt;- Minha primeira namorada, Cassandra, morava num décimo quarto andar. Só aguentei ir lá uma vez. A altura era um desafio à minha acrofobia. Para completar, tinha o elevador... Sou claustrófobo, tenho medo de espaços apertados. &lt;br /&gt;- Você podia subir pela escada.&lt;br /&gt;- Tentei, mas a copofobia não deixou. Eu tinha pavor de me cansar demais e terminei desistindo.&lt;br /&gt;- Por que não procurou uma namorada que morasse em casa, ou num andar mais baixo? &lt;br /&gt;- Procurei. Encontrei Isabela, mas ela gostava muito das baladas e queria que eu a acompanhasse. Um dia me chamou para a dança, e entrei em pânico. Descobri que tinha corofobia, medo de dançar. Fugi. &lt;br /&gt;- Depois disso não fez mais nenhuma tentativa?&lt;br /&gt;- Fiz. Namorei Ismália, que era uma gata. O problema é que ela tinha um gato e, sempre que estávamos no sofá namorando, Edu (o nome do felino) ficava por perto. Você não calcula o que isso significa para uma pessoa que tem ailurofobia. Quando Edu miava, era eu que eriçava os pelos. Acabei terminando o namoro. &lt;br /&gt;- E está sozinho até hoje. &lt;br /&gt;- Ainda fiz algumas tentativas de encontrar alguém, por causa da minha anuptafobia -- medo de ficar solteiro. Foi quando apareceu Lucélia, uma enfermeira. No início tudo correu bem, até que desconfiei de que Lucélia não fervia o uniforme quando voltava do hospital. Como tenho bacteriofobia, fiquei com medo de ser contaminado e fui embora. &lt;br /&gt;- Imagino que depois disso não houve mais ninguém. &lt;br /&gt;- Aí é que você se engana. Veio Leopoldina. Namoramos só três meses, pois ela era muito inquieta. Nunca repetia um penteado nem uma roupa, nunca íamos duas vezes ao mesmo lugar. Isso era terrível para alguém como eu, que sofre de cainotofobia. &lt;br /&gt;- O que é isso? &lt;br /&gt;- Pavor de novidades... Antes que você me pergunte, vou logo lhe dizer que houve mais uma -- Luciana. Me apaixonei sem saber que ela era surfista. Eu devia ter desconfiado da tatuagem no pescoço, mas a paixão cega. Ela queria me levar num barco para vê-la surfando em alto mar. Recusei, pois tenho quimofobia e não posso nem ver ondas. Chegamos a um impasse, e o namoro deu n’água. &lt;br /&gt;- Com todos esses medos, você não podia mesmo se casar. &lt;br /&gt;- Você também não se casou, Leocádio. E certamente não foi, como eu, por causa de fobias. &lt;br /&gt;- De “fobias”, não. De uma só. Tenho ginofobia -- pavor de mulher.&lt;br /&gt;(Em "A idade do bobo", p. 39)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-2558063389509283536?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/2558063389509283536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=2558063389509283536' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2558063389509283536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2558063389509283536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/04/fobias_08.html' title='Fobias'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-5098023441267185026</id><published>2011-03-13T14:26:00.000-07:00</published><updated>2011-03-13T14:26:20.859-07:00</updated><title type='text'>Questões transcendentes (e respostas nem tanto) (3)</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;1) Você se acha uma pessoa constante? R.: Às vezes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Como distingue sexo de amor? R.: No sexo, cuidamos do outro pensando em nós; no amor, cuidamos de nós pensando no outro. &lt;br /&gt;3) Tem medo do inferno? R.: Tenho mais medo dos que querem me livrar do inferno. &lt;br /&gt;4) Diga uma frase essencialmente mentirosa. R.: Eu não minto. &lt;br /&gt;5) O que acha inútil na vida? R.: O que não traz respeito, dinheiro ou prazer. &lt;br /&gt;6) O que pediria às pessoas que o seguem? R.: Que me mostrassem o caminho. &lt;br /&gt;7) O que é mais difícil na vida? R.: Representar o próprio papel.&lt;br /&gt;8) É possível ao homem chegar ao autoconhecimento? R.: A gente só se conhece até onde não é. &lt;br /&gt;9) Acredita no socialismo? R.: A maioria é pela igualdade de classes desde que se preserve o seu status.&lt;br /&gt;10) Dê um conselho aos vaidosos. R.: Quem vive “se achando” ainda não se encontrou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-5098023441267185026?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/5098023441267185026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=5098023441267185026' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5098023441267185026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5098023441267185026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/03/questoes-transcendentes-e-respostas-nem_13.html' title='Questões transcendentes (e respostas nem tanto) (3)'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-6901605470118693570</id><published>2011-02-21T06:15:00.000-08:00</published><updated>2011-02-21T06:15:53.868-08:00</updated><title type='text'>Diálogos (3)</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;- Doutor, acho que estou louco. &lt;br /&gt;- Deixe de tolice. Quem lhe disse isso? &lt;br /&gt;- Uma voz... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;- Maricota, como é mesmo o nome daquela doença que eu tenho?&lt;br /&gt;- Amnésia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;- Professor, diga uma frase de espírito.&lt;br /&gt;- “Hoje à noite venho lhe assombrar!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;- Meu marido só pensa em sexo. &lt;br /&gt;- Pois o meu pensa, e também faz.&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;- Só sei que nada sei. &lt;br /&gt;- Pois eu, nem isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-6901605470118693570?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/6901605470118693570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=6901605470118693570' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/6901605470118693570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/6901605470118693570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/02/dialogos-3.html' title='Diálogos (3)'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-1068091350457417005</id><published>2011-02-14T09:35:00.001-08:00</published><updated>2011-02-14T09:35:39.699-08:00</updated><title type='text'>Humor e linguagem</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;O texto de humor é excelente material para o estudo da linguagem. Isso porque os recursos que levam ao riso decorrem de uma relação muito peculiar entre significante e significado. O efeito humorístico vem de uma ruptura que, como no texto poético, promove uma desautomatização do sentido. Espera-se uma coisa, e aparece outra. Primeiro, o ouvinte/leitor se depara com o imprevisto; depois, constata que esse imprevisto aponta para outro sentido, portador de uma intenção crítica ou irônica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos três exemplos, todos do que se poderia chamar “piadas de casal” (casais comumente são fontes de narrativas humorísticas; em Shakespeare e nos românticos em geral aparecem também como alvos de tragédia, sublimidade, ou as duas coisas juntas). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o primeiro exemplo. Conversam marido e mulher, e de repente ela diz: “ -- Querido, tive uma ideia.” E ele: “Teve?” A resposta do marido à declaração da mulher é despropositada. Esperava-se que ele quisesse saber qual fora a ideia. Ao surpreender com a indagação um tanto exclamativa “Teve?”, o homem emite um juízo sobre o intelecto da sua esposa; sugere que ela ter ideias é no mínimo algo muito raro. Rimos não da resposta impertinente, mas do sentido para o qual essa resposta aponta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo e o terceiro exemplos assentam na ambiguidade, que é um manancial de piadas. A palavra nesses casos tem mais de um sentido, dos quais um é convencional e pertinente -- e o outro “não cabe” na situação, aparece como intruso. Por força dessa intrusão abre-se uma clareira semântica, propõe-se um nexo associativo surpreendente, que promove o riso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ao segundo exemplo, também um diálogo. Desta vez quem fala primeiro é o homem: “ - Querida, acho que nascemos um para o outro.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“- É verdade. Difícil vai ser encontrar esse outro.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A piada ironiza o velho clichê da retórica amorosa “nascer um para o outro”. O efeito humorístico decorre da ambiguidade do pronome “outro”, que na fala do homem tem um caráter menos neutro e mais definido (“o outro” é cada um dos dois). A mulher, contudo, interpreta o outro como “alguém”, “outra pessoa”. Mas não rimos disso. Rimos do que se revela na “troca”, ou seja, que o homem com quem ela está ainda não é aquele por quem seu coração espera. Coloquei “troca” entre aspas, pois freudianamente a mulher não faz confusão alguma. O aparente engano reflete uma verdade que seu inconsciente conhece muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora o terceiro exemplo. Terminada a cerimônia, o homem diz à mulher com quem acabou de se casar: “- Agora devemos nos transformar em um só corpo e um só espírito. Proponho que sejam os meus.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é uma piada machista, tanto que a mulher não tem voz; só o homem fala. A figura que promove o efeito humorístico é a antítese entre a ideia de igualdade, presente no primeiro período (devemos ser “um só”), e a locução “os meus” do segundo, que destaca apenas a figura masculina. O humor não seria possível sem a ambiguidade presente em “um só”, que dá ideia tanto de fusão (promovida pelo casamento) quanto de exclusão (traduzida no propósito do homem de se superpor à mulher). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-1068091350457417005?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/1068091350457417005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=1068091350457417005' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1068091350457417005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1068091350457417005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/02/humor-e-linguagem_14.html' title='Humor e linguagem'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-2906274128424326278</id><published>2011-02-07T05:41:00.001-08:00</published><updated>2011-02-07T05:41:51.139-08:00</updated><title type='text'>O que é disfemismo?</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; É o oposto de eufemismo. Ou seja: em vez de suavizar, realça o sentido negativo de uma palavra. Zélio dos Santos Jota, em seu “Dicionário de Linguística”, dá como exemplos “calhambeque”, “poetastro”, “mediquinho” e “velhote”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O disfemismo é essencialmente depreciativo. Ele intensifica o conteúdo negativo de determinadas ações, qualidades, estados de alma. Conforme já tivemos a oportunidade de escrever, “na versão disfêmica o muito feio passa a ‘horrendo’, ‘um parto’, ‘um frankenstein’. O pouco inteligente é chamado de ‘anta’, ‘burro’, ‘quadrúpede’”, e assim por diante.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-2906274128424326278?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/2906274128424326278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=2906274128424326278' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2906274128424326278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2906274128424326278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/02/o-que-e-disfemismo_07.html' title='O que é disfemismo?'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-235125849742315059</id><published>2011-01-24T06:49:00.000-08:00</published><updated>2011-01-24T06:49:26.291-08:00</updated><title type='text'>Questões transcendentes (e respostas nem tanto) (2)</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;1) Acha a existência gratuita? R.: De modo algum. Tudo nela é pago -- da maternidade, onde nascemos, à capelinha onde vão nos velar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) O que é, para você, um grande homem. R.: Um grande homem, o mais das vezes, é alguém de quem só se conhece uma pequena parte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Tem medo de ser esquecido pelas pessoas? R.: Por algumas, tenho medo de ser lembrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Que acha do casamento aberto? R.: O casamento é uma sociedade de companhia limitada. Abrir o capital pode ser um risco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) Aponte uma diferença entre juventude e velhice. R.: Na juventude fazemos sonetos. Na velhice rezamos -- ou fazemos piadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) Que acha do radicalismo? R.: Sou rigorosamente contra toda espécie de radicalismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7) Acha que o acaso nos governa? R.: O acaso pode ser a lógica de Deus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8) Acredita em movimentos sociais? R.: Acredito mais nos sexuais, pois eles não discriminam quem está em cima e quem está embaixo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9) Faria um pacto com o diabo? R.: Desconfio de que ele não ia aceitar. Minha alma foi contaminada pela bondade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10) O que o tira do sério? R.: Uma boa piada.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-235125849742315059?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/235125849742315059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=235125849742315059' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/235125849742315059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/235125849742315059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/01/questoes-transcendentes-e-respostas-nem.html' title='Questões transcendentes (e respostas nem tanto) (2)'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-1479946478449847803</id><published>2011-01-15T05:32:00.000-08:00</published><updated>2011-01-15T05:35:05.603-08:00</updated><title type='text'>Diálogos (2)</title><content type='html'>- Você me acha um animal!&lt;br /&gt;- Eu nunca achei isso de você, já disse. E vê se para de grunhir no meu&amp;nbsp;ouvido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Doutor, cheguei à conclusão de que sou “burro”. &lt;br /&gt;- Ótimo. Isso mostra que não lhe falta de todo a lucidez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dizem que se bebia muito nos mosteiros medievais. &lt;br /&gt;- É que naquela época o hálito fazia o monge.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**** &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe notou que Pedrinho não saía da frente do espelho. Um dia perguntou, intrigada: &lt;br /&gt;- O que você tanto faz aí? &lt;br /&gt;- Não adianta, não adianta. &lt;br /&gt;- Não adianta o quê, filho?&lt;br /&gt;- O professor disse que eu preciso aprender a rir de mim mesmo. Desde&amp;nbsp;hoje eu tento, e nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;- Sabem o que a corneta disse para o músico?&lt;br /&gt;- Não me toque!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-1479946478449847803?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/1479946478449847803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=1479946478449847803' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1479946478449847803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1479946478449847803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/01/dialogos-2.html' title='Diálogos (2)'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-5875344084591824141</id><published>2011-01-11T05:27:00.000-08:00</published><updated>2011-01-11T05:27:34.064-08:00</updated><title type='text'>Palavra e palavrão</title><content type='html'>Nosso destino é circular entre palavras. Há os que as amam e os que as rejeitam (com medo da sua carga de verdade); os que por meio delas procuram o sentido e os que, descrentes, só veem sentido nas coisas. Quanto a mim, sempre considerei Deus mais um Signo do que um Ser. &lt;br /&gt;Circular entre palavras é manter com elas, desde cedo, uma relação não só intelectual como também afetiva. O que mais angustia a criança, em face dos adultos, é não entender o que significam. Pelo menos comigo foi assim. Com o tempo percebemos que não basta compreendê-las; é preciso também senti-las, apalpá-las. &lt;br /&gt;Fiquei intrigado, já lá vão muitos anos, quando João Viana sorriu com deleite ao ouvir pelo rádio um político dizer “minimizar”. O que havia de interessante em “minimizar”? Por que essa palavra devia ser, naquele momento, a palavra adequada – tão certeira que provocou o sorriso espiritual do meu pai? Eu não conseguia entender e sofria com isso. &lt;br /&gt;Preocupamo-nos com as nossas relações com as pessoas, mas ninguém se interessa muito por seu comércio com as palavras. Por que não parar um pouco e tentar escrever as memórias de nossas experiências verbais? Quem fizer isso constatará que, a cada signo descoberto, alargava-se a percepção que tinha de si e do mundo. Para o ser humano, o informe -- o incriado -- é o que não chegou a verbo. &lt;br /&gt;Desnecessário é dizer que esse comércio envolve um lado nobre e também um lado negro, representado pelas expressões pornográficas. O aprendizado desse último às vezes nos precipita em tormentos morais. &lt;br /&gt;Lembro-me de que fomos vizinhos de um pessoal mal-educado, que não poupava nem eles mesmos das chamadas expressões chulas (esse adjetivo sempre me sugeriu mau cheiro, o chulé da linguagem). Numa discussão com os tais vizinhos ouvi um termo que, desde então, ficou soando para mim como o grande palavrão da língua. Nem muitos anos depois, quando estudando Medicina deparei-me com a locução “saco escrotal”, livrei-me da angustiante impressão que aquele termo provocara em mim. &lt;br /&gt;Aprendi que a experiência do palavrão é triste mas necessária. Modelado em partes pouco nobres da anatomia, ele confirma a intranscendente animalidade do nosso corpo, que tem na “palavra feia” uma das confirmações do seu destino mortal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-5875344084591824141?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/5875344084591824141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=5875344084591824141' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5875344084591824141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5875344084591824141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2011/01/palavra-e-palavrao.html' title='Palavra e palavrão'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-6806877068423408131</id><published>2010-12-29T12:57:00.000-08:00</published><updated>2010-12-29T12:57:28.029-08:00</updated><title type='text'>Antonina</title><content type='html'>Eu a chamava de tia Tó. Das irmãs de meu pai, era com quem mais me dava. Morava em frente ao Colégio Pio XI, dirigido pelo tio Emídio, e muitas vezes quando eu saía de lá ia pedir a ela que me auxiliasse nas lições. Chegava ainda fardado, pensando em depois aproveitar a xepa da casa de minha avó. &lt;br /&gt;Dona Judith queria que todos se alimentassem bem e tinha especial preocupação com Tó, que considerava a mais frágil de suas filhas. “Essa menina é fraca, precisa comer mais”. Dizia isso sugestionada por uma doença pulmonar que a filha tivera quando criança. &lt;br /&gt;E lá vinham leite, frutas, ovos mexidos, dos quais eu sempre me aproveitava . Os ovos mexidos ficaram sendo para mim o que foi para Proust a madeleine; quando hoje bebo um (com remorso, por causa do colesterol) sou transportado à minha infância campinense, que só não foi melhor por causa das crises de asma -- felizmente menos severas que a do francês.&lt;br /&gt;Tia Tó era muito religiosa. Sempre que eu a visitava, à tardinha, ela me chamava para rezar o terço junto com as irmãs. Esse era um ritual diário na família. Embora eu me impacientasse com aquilo (por que se repetiam tantas vezes as mesmas preces?), esperava resignado. É que depois haveria uma recompensa, digamos, celestial: comer peras ou maçãs. Naquele tempo essas frutas eram raras, e bem caras, mas não poderiam faltar no pródigo cardápio da minha avó. Uma das recordações que guardo é a da tia no alpendre descascando as maçãs -- vermelhíssimas -- e me dando uns pedaços. &lt;br /&gt;Pensava-se que a moça franzina não se casaria, mas o destino tinha outros planos. E lhe deu um casamento... das Arábias. Pode não ter sido bem isso, mas o fato é que se casou com um árabe recém-chegado ao Brasil. Armando mal falava português; nesse tempo, acompanhado por um menino que transportava uma grande mala, oferecia em domicílio os produtos. Um dia bateu na casa da Getúlio Vargas e com o seu jeito simpático e despachado, apesar da voz engrolada, encantou Dona Judith e tia Tó. Presumo que foi nessa ordem, pois minha avó foi quem primeiro se entusiasmou com a ideia do casamento. E se manteve a partir daí como uma espécie de “cabo nupcial”. &lt;br /&gt;Depois disso nos afastamos, mas vez por outra me diziam que Tó perguntara por mim. Cheguei várias vezes a projetar uma visita, que por uma ou outra razão não se realizou. Agora ficou definitivamente impossível. Na última terça-feira me ligaram dizendo que ela tinha morrido. A causa -- infecção pulmonar -- foi uma confirmação tardia e irônica dos temores de dona Judith. &lt;br /&gt;Não acredito em coincidências, mas há uma misteriosa sintonia no fato de ela ter morrido tão perto do Natal. Sua fisionomia pálida parecia a de um daqueles anjos que no presépio festejam a chegada da Criança. Quem sabe se não foi chamada para isso? Vou me lembrar dela tocando no violão a valsa que meu pai compôs quando eu nasci. E sobretudo vou ter sempre em mim o gosto que ela imprimiu a minha infância. Um gosto de maçã e oração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-6806877068423408131?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/6806877068423408131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=6806877068423408131' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/6806877068423408131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/6806877068423408131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/12/antonina.html' title='Antonina'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-5909340916972018029</id><published>2010-12-23T09:51:00.000-08:00</published><updated>2010-12-23T09:51:35.764-08:00</updated><title type='text'>Descasados</title><content type='html'>Vez por outra o grupo se reunia para fazer um balanço da vida. Curiosamente, estavam todos sós. O assunto daquela noite foi a razão pela qual os casamentos falharam. (Euclides, o intelectual da turma, criou até uma frase que fez muito sucesso entre eles: “O casamento é um estágio desnecessário rumo à solidão”.) Primeiro falou Zuleide: &lt;br /&gt;- Me casei com um engenheiro. Deu errado porque ele queria mudar meus alicerces. Resisti, esbravejei, e da nossa relação não ficou pedra sobre pedra. &lt;br /&gt;- Pois eu, explicou Valfredo, fui casado com uma jornalista. Ela era apressada e neurótica. Em nossos momentos íntimos, que eram raros, só pensava se a cobertura ia resultar num grande furo. Além disso, tinha medo de perder o emprego por causa de uma “barriga”. Terminei indo embora. &lt;br /&gt;- Meu caso foi pior -- falou Osmar --. Casei-me com uma promotora. Vivia, claro, me acusando. Tudo que eu fazia era usado contra mim. Afastei-me -- não havia outro recurso. &lt;br /&gt;Foi a vez de Clotilde justificar o seu fracasso: &lt;br /&gt;- Nestor era guarda de trânsito. No início tudo correu bem. Com o tempo, ele começou a reclamar de que eu não lhe dava mais bola. Dizia que eu avançara o sinal, tinha outro, e devia ser penalizada por essa infração. Fui perdendo o respeito em casa, onde só ele apitava. Pedi o divórcio.&lt;br /&gt;E você, Nemésio? - quis saber alguém. &lt;br /&gt;- Ah, eu me casei com uma costureira. Nos primeiros meses éramos casa e botão. Com o tempo, ela foi perdendo a linha, e numa briga me furou com um alfinete. Antes que usasse a tesoura, resolvi me escafeder. &lt;br /&gt;Elogiaram a prudência de Nemésio. Uma tesoura provocaria danos bem mais graves... Foi Suênio quem interrompeu os comentários do grupo:&lt;br /&gt;- Minha mulher era psicóloga. Quando colocou um divã no quarto, pensei que era para nosso conforto -- mas ela queria me estudar. Descobriu que eu tinha uma série de complexos. Isso afetou de tal modo a minha autoestima que, quando ela estalava os dedos, corríamos eu e Totó. Eu já não sabia quem era, ou se era alguém. Saí da relação com uma bruta crise de identidade. Au!&lt;br /&gt;Mércia foi a próxima a falar: &lt;br /&gt;- Meu marido era marinheiro. Passava três, quatro meses no mar, e quando voltava não queria içar a vela. Perguntei se ele tinha “outra”, ele respondeu que era quase isso; eu errara pelo gênero. Nunca pensei que essa fosse a praia dele! Também não fiz tempestade, e dissemos adeus numa boa.&lt;br /&gt;Faltava Dorotéia, que não se fez de rogada:&lt;br /&gt;- Pois eu, pessoal, fui casada com um político. No início me encantei com o discurso cheio de promessas, mas logo descobri que era tudo demagogia. Mesmo em casa, ele só queria palanque. A gota d’água foi quando eu soube que umas tais reuniões para discutir emendas eram um eufemismo para os encontros com Elisete -- uma de suas assessoras. Essa não tinha nada de fantasma, era mesmo de carne e osso. Sei bem &lt;br /&gt;disso porque quebrei alguns.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-5909340916972018029?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/5909340916972018029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=5909340916972018029' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5909340916972018029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5909340916972018029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/12/descasados.html' title='Descasados'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-3324388515784665088</id><published>2010-11-29T05:16:00.000-08:00</published><updated>2010-11-29T05:16:10.212-08:00</updated><title type='text'>Diálogos</title><content type='html'>Diálogos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Querida, acho que nascemos um para o outro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Concordo. Difícil vai ser&amp;nbsp;encontrar esse outro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu filho é um “galinha” incorrigível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você se queixa? O meu “solta a franga”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Patrão, eu... eu trabalho aqui há três anos e nunca tirei férias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não se preocupe. Jamais vou obrigar você a isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os padeiros entraram em greve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ih, vai ser demissão em massa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-3324388515784665088?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/3324388515784665088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=3324388515784665088' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3324388515784665088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3324388515784665088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/11/dialogos_29.html' title='Diálogos'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-5670071687744038161</id><published>2010-11-24T12:49:00.000-08:00</published><updated>2010-11-24T12:49:25.987-08:00</updated><title type='text'>Por que as mulheres vão mais ao médico do que os homens</title><content type='html'>Reportagem de “Veja” mostra que as mulheres vão mais ao médico do que os homens. Dá para entender as razões:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) geralmente, para se conseguir a consulta, é uma novela; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) o grande número de pessoas na sala de espera rende uma boa fofoca; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) na saída, sempre se tem que comprar alguma coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-5670071687744038161?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/5670071687744038161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=5670071687744038161' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5670071687744038161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5670071687744038161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/11/por-que-as-mulheres-vao-mais-ao-medico.html' title='Por que as mulheres vão mais ao médico do que os homens'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-2631459166830424592</id><published>2010-11-07T16:45:00.000-08:00</published><updated>2010-11-07T16:45:50.490-08:00</updated><title type='text'>Dilma não é "presidenta"</title><content type='html'>Esperava-se que, depois de Lula, a língua portuguesa fosse mais bem-tratada. Já bastavam os suplícios que ele infligiu ao idioma durante seus oito anos de mandato. Mas parece que com Dilma não vai ser muito diferente. Sua disposição em se chamar “presidenta” (que existe, mas é feio) dá a entender que ela será mais uma a despetalar a “flor do Lácio”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dilma associa a flexão do substantivo a reivindicações de gênero. Sendo a primeira mulher a presidir a nação, deseja que a vitória do seu sexo se espelhe no idioma. Para isso, acrescenta ao título do cargo que ocupa uma desinência forçada e antieufônica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Presidente” não é exclusivamente palavra masculina; pertence ao grupo dos substantivos comuns de dois, que servem para designar tanto o masculino quanto o feminino. Não há, pois, nenhuma limitação machista em aplicá-la a uma mulher. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu medo é que a moda pegue, e no futuro tenhamos de estender esse “a” brioso e feminil às designações que, sem nenhum ranço de preconceito, indicam as várias funções exercidas por mulheres neste país. No rastro de “presidenta” vão então aparecer as agentas, gerentas, assistentas, atendentas, superintendentas... Quem aguenta?!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-2631459166830424592?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/2631459166830424592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=2631459166830424592' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2631459166830424592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2631459166830424592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/11/dilma-nao-e-presidenta.html' title='Dilma não é &quot;presidenta&quot;'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-4071397085734404025</id><published>2010-10-24T18:51:00.000-07:00</published><updated>2010-10-24T18:52:57.580-07:00</updated><title type='text'>Olho neles</title><content type='html'>“Tropa de Elite 2” se propõe a mostrar o que está por trás da corrupção policial, tomando como exemplo as milícias que agem nos morros e subúrbios do Rio de Janeiro. O motivo da deterioração ética da polícia não é a índole doentia nem o baixo contracheque dos soldados; é a organização político-administrativa que lhe serve de suporte -- o chamado Sistema.&lt;br /&gt;         A palavra Sistema, por sua abrangência um tanto abstrata, anda meio fora de moda. É tudo e é nada, ao mesmo tempo. Um dos méritos do filme de Jose Padilha é dar nome aos bois, ou melhor, às piranhas e tubarões que são parte dele.  &lt;br /&gt;          Com uma clareza quase didática, o roteiro mostra que a violência das milícias é reflexo de uma viciada estrutura de poder. Alimenta-se da ambição dos políticos, que para se eleger não respeitam os limites entre o lícito e o ilícito. As milícias são apenas uma peça (talvez a mais visível) de uma engrenagem cujo comando transcende os quartéis. &lt;br /&gt;         O capitão Nascimento descobre isso devido a uma operação malograda que comandou, na qual um dos representantes dos Direitos Humanos constata o assassinato de um preso. Punido com a transferência do Bope para a Secretaria de Segurança Pública, ele passa a conhecer bem o funcionamento dessa instituição, que subordina as suas atribuições à missão suprema de reeleger o governador. Para isso vale tudo, inclusive roubar armas e atribuir a culpa aos bandidos. &lt;br /&gt;          Nascimento torna-se então um inimigo do Sistema, contra o qual arremete como um solitário herói romântico. Sua indignação aumenta depois que o filho se fere num atentado em que ele, Nascimento, era quem devia perder a vida. A partir daí nada o cala, nada o modera, nada o detém. E sua voz termina se fazendo ouvir numa CPI da Câmara.&lt;br /&gt;         O estrondoso sucesso mostra a sintonia do público com as denúncias feitas pelo filme. Muito do que nele aparece, afinal de contas, pode ser visto com alguma constância em jornais e TVs. Ver ali retratada parte do nosso cotidiano político é uma forma de repúdio e de catarse. Serve também de alerta em tempos de eleições. É como se os milhares de espectadores quisessem passar um recado aos eleitos e aos que agora  pretendem se eleger: “Cuidado, pessoal. Estamos de olho”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-4071397085734404025?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/4071397085734404025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=4071397085734404025' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/4071397085734404025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/4071397085734404025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/10/olho-neles.html' title='Olho neles'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-4747203450645470181</id><published>2010-10-15T15:56:00.000-07:00</published><updated>2010-10-15T16:00:17.312-07:00</updated><title type='text'>Eleições na ponta da língua</title><content type='html'>Como tratar numa coluna de língua portuguesa o resultado das últimas eleições para o governo do estado? Bem, tudo começou com uma elipse; um dos candidatos se ausentou do debate promovido por uma importante rede local de televisão.&lt;br /&gt;          Certamente lhe disseram que certas ausências, por evocar a pessoa sem lhe explicitar a dimensão física, dão mais prestígio do que a simples presença. Faltar é crescer na lembrança, fazer-se presente na imaginação -- e aqui chegamos à metonímia, que é um tropo mediante o qual se designa alguém, ou alguma coisa, pela indicação de elementos capazes de evocá-los. Tudo naquela noite -- a começar do lugar vazio -- faria lembrar o faltoso. &lt;br /&gt;            Essa é uma interpretação. A outra é a de que os marqueteiros do candidato o convenceram a não comparecer porque ele já estava praticamente eleito. E aqui chegamos a um aparente paradoxo: como alguém que tinha larga vantagem nas pesquisas perde para o segundo colocado? Uma vez que isso põe em xeque a eficiência dos institutos de pesquisa, propõe-se que daqui em diante eles mudem a metodologia. Em vez de a margem de erro ou acerto ficar em dois pontos percentuais, ela deve saltar para entre 10 e 15! Assim nenhum instituto vai falhar nem os candidatos vão antecipadamente pensar que já venceram.&lt;br /&gt;             Outra alternativa é partir para a ironia, convocando o polvo alemão. Como ele acertou todos os resultados da Copa, inclusive a derrota do Brasil, não lhe seria difícil apontar um de seus tentáculos para o futuro eleito -- que de antemão poderia se considerar “escolhido pelo polvo”.&lt;br /&gt;             Há quem discorde de que Ricardo Coutinho ultrapassou José Maranhão porque este se ausentara do debate. Vê nessa tese uma hipérbole, um exagero, alegando que em algumas das últimas pesquisas Coutinho já antecipava a reação. Isso pode ter fundamento, mas a ausência do governador foi a justificativa mais comentada. Ele se fez defectivo, como certos verbos que não têm todas as formas e devem ceder a outros seu papel semântico (os mais conhecidos são “adequar”, “precaver-se”  e “reaver”). A quem o candidato cedeu o seu papel? Ao maior oponente, que além de atacar sem contestação ainda se beneficiou do argumento da ausência (válido apenas, como ocorreu, quando a falta do interlocutor é voluntária).&lt;br /&gt;            Restou ao público amargar a antítese de um combate anunciado e que não se realizou. Isso é péssimo em tempos midiáticos como o nosso. Trocamos tudo por uma boa atração na TV, seja ela um filme, um show ou um capítulo da novela das oito. Melhor ainda quando o drama, em vez de personagens fictícios, é protagonizado por pessoas reais. Isso lhe aumenta a catarse, ou seja, a capacidade de nos aliviar de certas tensões da alma.&lt;br /&gt;            Muita gente não desligou a TV naquela noite pelo desapontamento de ter deixado de saber mais sobre a plataforma dos candidatos.  Desligou por terem lhe frustrado a expectativa de um programa atraente, marcado pela logomaquia (duelo verbal). Como hoje somos telespectadores antes de sermos eleitores, houve quem não perdoasse o ludíbrio e procurasse traduzir isso no voto. Mas vem aí o segundo turno, digo, o segundo round  (para encerrar com uma metáfora). E desta vez ninguém vai deixar o ringue vazio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-4747203450645470181?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/4747203450645470181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=4747203450645470181' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/4747203450645470181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/4747203450645470181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/10/eleicoes-na-ponta-da-lingua.html' title='Eleições na ponta da língua'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-591345887485865469</id><published>2010-09-26T18:55:00.000-07:00</published><updated>2010-09-26T18:57:26.473-07:00</updated><title type='text'>Bicho cruel</title><content type='html'>A “Veja” da semana retrasada trouxe reportagem sobre a crueldade com os animais. Não é aconselhável que ninguém a leia antes de dormir nem de almoçar, pois certamente vai perder o sono ou o apetite. O texto é uma provação para as almas sensíveis, cristãs ou não, e um apelo indireto ao vegetarianismo.&lt;br /&gt;           Depois do que sabemos ali, como degustar sem remorso um tenro peito de novilho -- se para que ele adquira essa consistência celestial tem que sofrer penas dignas do inferno? Ou próximas disso, pois os novilhos “vivem confinados em cercados exatamente do seu tamanho, com a cabeça presa. Isso para que não se exercitem e sua carne permaneça macia”.&lt;br /&gt;         Ninguém discute que nosso cérebro precisa de proteínas e que a fonte mais rica nesse tipo de nutriente é a carne dos animais. Sem ela, conforme demonstram estudos na área da biologia e da nutrição, não teríamos alcançado um nível intelectual capaz de nos tornar aptos a fabricar aviões, produzir computadores ou criar obras artísticas que refletem a complexidade do nosso espírito. &lt;br /&gt;           O problema é quando para conseguir esse precioso alimento parecemos negar que temos espírito, retrocedendo a um nível de barbárie que só metaforicamente se pode chamar de animal -- pois os animais podem ser ferozes, mas nunca são cruéis. Quando matam, o fazem por necessidade, sem a percepção de que estão tirando uma vida.&lt;br /&gt;Uma das formas de aferir nossa humanidade é nos compararmos com os que estão abaixo de nós na escala zoológica. Essa comparação reforça o “sentimento da diferença”, matriz do pecado original -- uma diferença que é percebida como, força, domínio, poder. É tão forte esse sentimento, e a matriz dele resultante, que na mitologia das religiões aparece como transgressão. Na condição de transgressores, precisamos nos redimir estendendo à natureza um olhar igualitário e piedoso.&lt;br /&gt;           Os primeiros beneficiários desse olhar são justamente os animais, que têm vida como nós mas permanecem no limbo da irracionalidade. A piedade para com eles é um dos preceitos de uma consciência verdadeiramente humana; nem um filósofo como Nietzsche, que escreveu “O Anticristo”, escapou a essa lei. Certo dia o alemão presenciou um carreiro açoitar o cavalo que conduzia. Desesperado, correu até a rua, abraçou-se ao pescoço do animal e mergulhou no negrume da loucura. &lt;br /&gt;            Basta de supliciar os bichos, que nada de ruim nos fazem nem têm como se defender. Se é necessário que morram para sobrevivermos, que pelo menos isso ocorra sem sadismo e sem dor. Comemos para nos sentir saudáveis e felizes, e alguns fazem desse ato um deleite. Fica difícil deleitar-se quando se pensa no sacrifício por que passa o animal cuja carne nosso organismo tem de absorver para continuar vivo. Por alguma química misteriosa, o conteúdo dessa proteína deve envenenar a nossa alma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-591345887485865469?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/591345887485865469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=591345887485865469' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/591345887485865469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/591345887485865469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/09/bicho-cruel.html' title='Bicho cruel'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-7354979672155733613</id><published>2010-08-30T10:59:00.000-07:00</published><updated>2010-08-30T11:00:21.729-07:00</updated><title type='text'>Nova entrevista com Propinildo Caixadois</title><content type='html'>Propinildo Caixadois, para quem não se lembra, é aquele primo de Justo Veríssimo que se elege deputado há várias gerações. Ele já perdeu a conta de quantas vezes se candidatou (mas não de quanto ganhou durante os mandatos) e vai novamente pleitear uma vaga no Legislativo. &lt;br /&gt;Conversamos na sacada da sua nova cobertura de cinco quartos, todos suítes, inclusive o da empregada (“É preciso tratar bem os pobres.”). O apartamento foi caríssimo, e ele não sabe se conseguirá quitá-lo (“Isso vai depender da vontade do povo...”). Começo a entrevista:&lt;br /&gt;             - Deputado, qual a sua filosofia de campanha?&lt;br /&gt;          - Como ninguém ganha estas eleições sem alguma ligação com o atual presidente, meu marqueteiro procurou manter o apelo socialista do seu governo -- mas com uma ligeira adaptação. Transformou o “Tudo pelo social” em “Tudo pelas socialites”.&lt;br /&gt;         - Pelas socialites? E com que objetivo?&lt;br /&gt;          - Enaltecer o valor dessas bravas e caridosas mulheres. Os chás, almoços e jantares beneficentes que elas promovem melhoram as condições de vida de muita gente.&lt;br /&gt;         -  Mas elas pouco se preocupam com o regime!  &lt;br /&gt;        - Aí é que você se engana. Regime é a maior preocupação delas. A maioria vive em dieta. E não são poucas as que arriscam a vida em cirurgias de lipoaspiração para melhorar a silhueta.  &lt;br /&gt;         - Qual a sua plataforma para a educação? O senhor é a favor, por exemplo, do ensino a distância?&lt;br /&gt;         - Plenamente a favor. Para mim, os alunos devem ficar o mais distantes possível do ensino. Livro demais prejudica a inteligência e faz pensar besteira.  &lt;br /&gt;        - E quanto ao nepotismo? Qual a sua opinião?&lt;br /&gt;         - Essa prática tem sido mal compreendida e injustamente criticada. O nepotismo é uma virtude. Ele confirma o apreço que nós, políticos, temos pela família -- a começar da nossa. Todo o mundo destaca a importância da instituição familiar, mas estranha quando a gente nomeia um parente para trabalhar conosco.&lt;br /&gt;         - Mas o senhor nomeou vinte!&lt;br /&gt;        - Para evitar conflagrações internas. Ou você é a favor de brigas na família? Esse tipo de discórdia é o pior de todos, pois ocorre entre pessoas do mesmo sangue.&lt;br /&gt;         - Mas precisava colocar sua esposa na chefia de gabinete?&lt;br /&gt;         - Houve incoerência da mídia na interpretação desse episódio. Primeiro eles disseram que eu ia pouco ao Congresso, só “trabalhava” em casa. Depois criticaram a nomeação da minha mulher. Ora, quem melhor do que ela para supervisionar o meu local de trabalho?&lt;br /&gt;           - Por sinal, dizem que o senhor é muito bem-casado. O que o atraiu em sua esposa?   &lt;br /&gt;          - Ela me conquistou com uma declaração.&lt;br /&gt;           - Ah!... Então sob essa casca de político escolado pulsa um coração romântico, que não resistiu a uma declaração de amor!&lt;br /&gt;         - Que de amor! De bens! Fui tocado pela relação patrimonial do pai dela. Essa foi a minha “flecha de Cupido”. &lt;br /&gt;          - E quanto à causa ecológica? O senhor pretende fazer alguma coisa para combater o efeito estuda?&lt;br /&gt;         - Na verdade, já estou fazendo. Diminuí a quantidade de cerveja semanal, pois notei que ela estufava meu estômago e levava à emanação de  gases que prejudicam a qualidade do ar. Aqui em casa, pelo menos, todos passaram a respirar melhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-7354979672155733613?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/7354979672155733613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=7354979672155733613' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/7354979672155733613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/7354979672155733613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/08/nova-entrevista-com-propinildo.html' title='Nova entrevista com Propinildo Caixadois'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-6984363951939139408</id><published>2010-08-10T14:04:00.000-07:00</published><updated>2010-08-10T14:05:44.350-07:00</updated><title type='text'>Sobre pais e deuses</title><content type='html'>O escritor norte-americano Paul Auster apresentava um programa radiofônico em Nova Iorque, e um dia teve uma curiosa ideia: pedir às pessoas comuns que lhe enviassem histórias, depoimentos, comentários sobre aspectos ou experiências da vida que as impressionaram.&lt;br /&gt;Muita gente lhe escreveu, e o material era tão interessante que o Auster decidiu -- depois de dar uma burilada -- publicá-lo em livro. O título, “Pensei que meu pai fosse Deus”, é o de um dos relatos mais pungentes da obra.&lt;br /&gt;Vez por outra utilizo um desses textos para tema de redação. Os alunos devem escrever livremente, sem a preocupação de obedecer aos preceitos dos gêneros em que se exercitam para o vestibular e o Enem (resumo, carta argumentativa, artigo de opinião, resenha crítica etc.). Devem sobretudo comentar um evento que os tenha tocado, impressionado, levado a refletir sobre o mundo. O resultado sempre é bom; motivados emocionalmente, os estudantes escrevem melhor.&lt;br /&gt;Transcrevo abaixo uma dessas redações. Dois são os motivos: o primeiro, meio maroto, é que hoje se comemora o Dia dos Pais; o texto do aluno (uma mulher) vai então me ajudar, sem mais trabalho, a sintonizar a coluna com a data especial. &lt;br /&gt;O segundo motivo, bem mais sério e importante, é que a autora escreveu um depoimento, sincero, corajoso e demasiadamente humano na forma de declarar o seu amor. Também não descuidou do aspecto literário; vale destacar a relação intertextual que ela estabeleceu com o colaborador do livro de Auster -- relação essa que já se manifesta no título da redação: “Pai, deus ou homem?”. Vamos ao texto:&lt;br /&gt;“É difícil falar sobre algo que você não lembra. Mas quando esse ‘algo’ é um acontecimento que mudou completamente a sua vida, falar se torna mais fácil.&lt;br /&gt;“Tinha pouco mais de um ano de idade, portanto, não tenho lembranças de quando ele nos deixou; fico apenas com relatos parciais de seus motivos e atitudes.&lt;br /&gt;“O que deveria ser normal em nossas vidas, para mim fica só na imaginação -- reclamações por desobediência, castigos por má-criação e até ciúmes do namorado. Não paro de imaginar o quão diferente minha vida teria sido se ele tivesse ficado, se tivesse sido um pai e marido presente. Ouso dizer que, em 18 anos, apareceu poucas vezes, sempre com muitas promessas e com grandes expectativas em relação a nós, filhos.&lt;br /&gt;“Muitos filhos veem seus pais como deuses, super-heróis, pessoas que nunca erram. Para mim, meu pai é apenas um mortal; um homem que errou bastante, que fez muitas escolhas ruins e que sempre esteve ausente. Porém, um homem trabalhador, que eu tanto admiro e amo.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-6984363951939139408?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/6984363951939139408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=6984363951939139408' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/6984363951939139408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/6984363951939139408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/08/sobre-pais-e-deuses.html' title='Sobre pais e deuses'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-5370535187924024305</id><published>2010-08-08T06:40:00.000-07:00</published><updated>2010-08-08T06:42:44.190-07:00</updated><title type='text'>Questões transcendentes (e respostas nem tanto)</title><content type='html'>1) O que vem após a morte? O enterro.&lt;br /&gt;2) É possível encontrar o significado da vida? É. No dicionário.&lt;br /&gt;3) De onde veio o homem? Depende de para onde ele foi.&lt;br /&gt;4) O que o leva a se sentir vazio? Não ter almoçado ou jantado bem.&lt;br /&gt;5)  Acha que “o inferno são outros”? Os outros não sei, mas mulher com TPM é. &lt;br /&gt;6) O que mais o amedronta? Chegar ao outro mundo e não ver Deus. &lt;br /&gt;7) É verdade que o sexo entristece? Triste é não conseguir fazê-lo.&lt;br /&gt;8) O que acha da literatura mediúnica? Acho que lhe falta espírito.&lt;br /&gt;9) Faria um pacto com o diabo? Não sei se ele ia aceitar.&lt;br /&gt;10) Beleza é fundamental? O essencial para o amor não é a beleza, mas a compatibilidade. Não amamos o que é belo, mas o que nos gratifica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-5370535187924024305?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/5370535187924024305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=5370535187924024305' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5370535187924024305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5370535187924024305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/08/questoes-transcendentes-e-respostas-nem.html' title='Questões transcendentes (e respostas nem tanto)'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-3816069915669428064</id><published>2010-07-29T07:28:00.000-07:00</published><updated>2010-07-29T07:29:58.384-07:00</updated><title type='text'>"Eclipse"</title><content type='html'>Fui assistir a “Eclipse” com minha filha adolescente. Vez por outra eu olhava de lado e via que ela estava suspirando, lacrimejando, ou as duas coisas juntas. Devia perpassar seus pensamentos a certeza de que “o amor é lindo”, pois o filme aparentemente não quer mais do que isto: mostrar a beleza de uma relação amorosa ameaçada por obstáculos e capaz de os vencer. Todo grande amor precisa tê-los, do contrário não desperta a resistência, ou mesmo o heroísmo, que engrandece os amantes. O Romantismo consagrou essa fórmula.&lt;br /&gt;O curioso no filme é que os obstáculos não são as famílias, como em Romeu e Julieta. O pai de Bella, a protagonista, é separado da mulher e aceita que a filha vá se casar com o vampiro Edward. A mãe tem remorsos por viver distante e não implica com as preferências da menina -- por mais estranhas que elas sejam.&lt;br /&gt;Os entraves à realização desse esdrúxulo amor se reduzem na verdade a um -- o sexo. O único fantasma nesse filme de vampiros é o desejo sexual, que ronda sobretudo a moça e encontra uma rejeição enfática em seu noivo. Edward sabe que, possuindo-a, vai tirar-lhe a humanidade e transformá-la num zumbi frio igual a ele, mas não se opõe a isso desde que o ato sexual ocorra depois do casamento.&lt;br /&gt;O filme não deixa claro em que a condição de casada reduzirá em Bella os efeitos dessa metamorfose, mas isso é o de menos; o que conta como “mensagem”, digamos assim, é o que há de espiritual e transcendente na recusa de Edward. &lt;br /&gt;Ele defende o amor sacramentado pelo pacto nupcial e para isso tem que lutar contra os impulsos da moça, que quer o sexo antes de se casar e enquanto é humana, ou seja, enquanto pode sentir prazer como alguém de carne e osso. O vampiro resiste mesmo com o risco de que Bella chegue a esse prazer com Jacob, que ao contrário dele é puro instinto.&lt;br /&gt;Jacob é um lobo que se transfigura em homem, ou vice-versa, e com seu abdômen “tanquinho” e tórax de estivador constitui uma antítese à pele anêmica e ao olhar ictérico de Edward. Deseja Bella e acha, com razão, que a moça também o quer. Há uma cena em que, estando os três conversando, o vampiro pergunta enciumado por que Jacob não veste uma camisa; não é difícil imaginar o que, para dizer isso, ele terá lido nos pensamentos da moça (pois Edward lê pensamentos, e tem condições de alimentar não apenas com suspeitas os seus ciúmes).&lt;br /&gt;Edward, Jack e Bella compõem um triângulo amoroso em que não é difícil saber quem vai ficar com quem. Dois vértices desse “triângulo” constituem na verdade um, pois Edward e Jacob são partes de um mesmo ser. Na fantasia inconsciente, que em última instância comanda nossos desejos, eles representam o velho contraste entre corpo e alma, desejo e espírito. Ou melhor dizendo, para ser fiel ao ideário do filme, entre liberalidade e instituição. A imagem final, com Edward e Bella em casto idílio numa natureza enfim apaziguada, sugere a segurança e a eternidade do lar.&lt;br /&gt;Na saída do cinema, enquanto minha filha enxugava as lágrimas, eu fazia um retrospecto da história e dava razão ao pai de Bella. É difícil a gente não gostar desse Edward!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-3816069915669428064?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/3816069915669428064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=3816069915669428064' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3816069915669428064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3816069915669428064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/07/eclipse.html' title='&quot;Eclipse&quot;'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-4396346244069523096</id><published>2010-07-18T16:06:00.001-07:00</published><updated>2010-07-18T16:06:49.260-07:00</updated><title type='text'>Marketing funerário</title><content type='html'>Li que as funerárias estão em crise devido à estabilização da taxa de mortalidade. Antigamente morria-se mais, hoje as pessoas se cuidam e  adiam para bem longe a partida deste mundo. É natural que essa longevidade resulte em prejuízo para um setor que vive basicamente da morte.&lt;br /&gt;         Li também (tudo tem outro lado) que o setor funerário vai reagir. Não sei bem que tipo de reação vai ser essa, mas certamente ela envolverá estratégias de marketing para convencer as pessoas de que morrer tem suas vantagens. Pode ser, literalmente, uma coisa do outro mundo.&lt;br /&gt;Um bom marqueteiro não terá muita dificuldade para demonstrar isso. Basta chamar a atenção para os desprazeres a que o indivíduo tem de se submeter quando busca uma vida longa. Ele ganha uns anos, é verdade, mas tem que comer repolho e alface. Verá nascer os bisnetos, mas com a cara enjoada de quem se privou de uma série de delícias gastronômicas e não espera nenhuma recompensa disso. A não ser a de estar vivo, o que em si não quer dizer muita coisa. A vida não é só biologia.&lt;br /&gt;O marketing funerário terá de explorar o dilema entre viver muito, e ralo, ou pouco e intenso. E deverá sobretudo salientar as aporrinhações que tornam a existência um suplício. Entre elas estão o trânsito, as filas de bancos, os serviços de telemarketing, a propaganda eleitoral gratuita, e vai por aí. Será importante lembrar que, morto, o indivíduo vai se livrar dos guardadores de carros e dos guardas que vêm lhe pedir propina. E não terá de se deparar com calamidades como incêndios, inundações ou Maradona de terno. &lt;br /&gt;Os marqueteiros terão de ser muito criativos para contestar o “politicamente correto” que hoje vigora nos costumes. Vão ter que se esmerar em slogans do tipo: “Se você está com um pé na cova, vá em frente”. “Viver é perigoso, enquanto que a morte não traz perigo nenhum.”  “Melhor do que sonhar com a eternidade é vivê-la.” Junto com isso virá a conclamação para que o indivíduo não se preocupe muito com a saúde, pois isso pode matar (um pequeno artifício retórico que aparentemente previne as pessoas de um risco no qual se deseja que elas incorram).&lt;br /&gt;Uma boa alternativa seria o resgate de imagens ligadas ao Romantismo; os artistas dessa escola, como se sabe, faziam questão de morrer cedo. Podia-se botar lado a lado Álvares de Azevedo e um desses jovens sarados que malham na academia -- e fazer a pergunta: “Quem é mais brilhante?” A seguir viria a legenda: “Ele não precisou de mais do que 20 anos para fazer o que fez.” Isso não nos traria um novo “mal do século”, mas levaria as pessoas a refletir sobre se é mesmo preciso viver tanto para executar sua missão na Terra. Muitos se convenceriam de que não têm missão alguma, estão aqui de graça, e tratariam de procurar um bom desfecho para suas vidas.&lt;br /&gt;Se o leitor considera lúgubre ou pessimista o tom desta crônica, trate de achar uma solução para o mercado funerário. Como qualquer outro setor, ele tem que sobreviver, e só pode conseguir isso caso morramos. Uma solução já, antes que as Parcas da publicidade nos enredem em suas teias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-4396346244069523096?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/4396346244069523096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=4396346244069523096' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/4396346244069523096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/4396346244069523096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/07/marketing-funerario.html' title='Marketing funerário'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-2432645579075686304</id><published>2010-06-28T18:39:00.001-07:00</published><updated>2010-06-28T18:39:38.555-07:00</updated><title type='text'>Que língua é essa?</title><content type='html'>- Hoje estou meio pra baixo.&lt;br /&gt;- Pra baixo?&lt;br /&gt;- Down.&lt;br /&gt;- Ah! Agora entendi. Por que você não vai ao shopping? Lá, quem sabe, você dá um upgrade no seu ânimo. Um stop nesse baixo-astral.&lt;br /&gt;          - Sorry, mano, mas não dá. Indo ao shopping, vejo aquelas novidades fashion que estão fora do meu alcance e fico na pior. Por falta de money.    &lt;br /&gt;         - Mas dá para aproveitar os produtos on sale, brother. Não se sinta tão out.&lt;br /&gt;         - Tenho tentado ficar in, mas não consigo.&lt;br /&gt;         - Eu sei qual é o seu problema. Inputs errados. &lt;br /&gt;         - Explain, please.&lt;br /&gt;- Você só assimila o que não presta. Tem uma mentalidade de bad boy.&lt;br /&gt;         - Você quer dizer que o meu espírito é hard?&lt;br /&gt;         - Isso. Você precisa ficar mais soft, botar um pouco de technicolor na tela da sua vida.&lt;br /&gt;         - De fato, ela está meio dark.   &lt;br /&gt;         - Meio? Está noir toda. Procure uma alternativa.&lt;br /&gt;         - Infelizmente não me vem nenhum insight quanto a isso. &lt;br /&gt;         - Que tal uma girl? Nada como um love story para tornar o mundo interessante.&lt;br /&gt;         - Mas só enquanto a paixão dura... Depois se volta ao real, ao the dream is over. &lt;br /&gt;         - Eu sei, é tudo uma questão de time. Mas se a gente for pensar nisso, não faz nada. Você parece uma pessoa que quer viajar e se recusa a fazer o check-in. Desse jeito não voa, fica sempre no chão.&lt;br /&gt;         - Como fazer o check-in se me falta o ticket? Eis o que sou, existencialmente falando: alguém que quer viajar sem ter comprado a passagem.&lt;br /&gt;         - Depois dessa eu vou indo, senão sua tristeza passa pra mim. Good bye.&lt;br /&gt;         - Good bye.  Quando nos veremos de novo?&lt;br /&gt;         - Quer mesmo saber? Se você continuar desse jeito, talvez never.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-2432645579075686304?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/2432645579075686304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=2432645579075686304' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2432645579075686304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2432645579075686304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/06/que-lingua-e-essa.html' title='Que língua é essa?'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-744646465386818830</id><published>2010-06-08T12:58:00.001-07:00</published><updated>2010-06-08T12:58:51.790-07:00</updated><title type='text'>O melhor amigo</title><content type='html'>Nestor tinha pavor de ser traído. Casado há dois anos com Verinha, sofria pesadelos imaginando-a com outro. Como esse medo se tornava uma obsessão, ele sentiu que precisava desabafar com alguém para não enlouquecer. Pensou em Eduardo, seu melhor amigo. E um dia, entre uma cerveja e outra, falou-lhe da sua angústia.  &lt;br /&gt;O amigo, para surpresa de Nestor, não lhe tirava a razão:&lt;br /&gt;- Longe de mim duvidar da honestidade de Verinha, mas hoje os tempos são outros. Li recentemente que as mulheres estão traindo tanto quanto os homens.&lt;br /&gt;- Você leu? Onde? -- quis saber Nestor, aflito, passando sem querer a mão na testa.  &lt;br /&gt;- Ah, li em vários lugares... E tenho uma tese sobre isso: as mulheres traem justamente os pudicos, os certinhos. &lt;br /&gt;- Os certinhos, como eu? Explique melhor.&lt;br /&gt;duardo emborcou a metade do copo de cerveja e prosseguiu:&lt;br /&gt;- Para mim, mulher só é fiel quando tem medo de ser traída. A fidelidade nela não é uma virtude, mas uma estratégia de defesa. A mulher só ignora os outros homens quando convive, concretamente, com a possibilidade de perder o seu.  &lt;br /&gt;- Mas isso é um absurdo. Ou você está doido, ou leu muito Nelson Rodrigues.&lt;br /&gt;- Vá por mim, Nestor. Quer que Verinha seja fiel a você? Dê a entender a ela que tem outra -- ou melhor: tenha mesmo outra! Ela vai ficar tão concentrada nisso, que não enxergará no mundo outro homem além de você.&lt;br /&gt;  A conversa não saiu da cabeça de Nestor, que terminou vendo algum sentido nas palavras de Eduardo.  Precisava “preocupar” Verinha para que ela não tivesse tempo nem ânimo de pensar em outro. Uma semana depois começou a namorar Alzira, caixa de uma lanchonete que, havia já algum tempo,  enrubescia quando dava o troco a ele. Como trabalhavam de dia, marcaram para se ver de noite pelo menos uma vez na semana.&lt;br /&gt;Verinha, claro, começou a desconfiar. O que podiam significar aquelas fugas noturnas senão outra mulher? Sofreu em silêncio até que não aguentou mais e resolveu se abrir com alguém. E ninguém mais adequado para confidente do que Eduardo, o melhor amigo do marido. Ele devia saber de alguma coisa.&lt;br /&gt;E sabia mesmo. Eduardo lhe propôs um encontro numa lanchonete (a mesma, por sinal, onde Alzira trabalhava) para conversarem sobre “o caso de Nestor”.&lt;br /&gt;- Ele tem um caso? - foi a primeira pergunta que Verinha fez antes de pedirem um sanduíche com suco de laranja.  &lt;br /&gt;- Infelizmente, sim. Você não merecia... ou melhor: merecia.&lt;br /&gt;- Eu merecia? Por quê?&lt;br /&gt;- Verinha, você não conhece a psicologia masculina. A fidelidade no homem não é uma virtude, mas uma estratégia de defesa. O homem só ignora as outras mulheres quando convive, concretamente, com a possibilidade de perder a sua. Por que não lhe dá uma lição?&lt;br /&gt;- Lição?&lt;br /&gt;- Claro. Arranje alguém. Quando Nestor desconfiar de que você tem outro, vai ficar desesperado e se tornar de novo um marido fiel.&lt;br /&gt;Verinha ficou impressionada com a conversa. Dias depois, telefonou para Eduardo a fim de aprofundarem o assunto. E não só para isto. Se tinha mesmo que trair Nestor, que fosse com alguém que lhe dissera palavras tão sábias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-744646465386818830?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/744646465386818830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=744646465386818830' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/744646465386818830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/744646465386818830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/06/o-melhor-amigo.html' title='O melhor amigo'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-7950643767449882827</id><published>2010-05-18T07:45:00.000-07:00</published><updated>2010-05-18T07:46:21.379-07:00</updated><title type='text'>"Sofisma" ou "subterfúgio"?</title><content type='html'>“Quando lhe disseram que devia reformular o trabalho, ele veio com o &lt;strong&gt;sofisma&lt;/strong&gt; de que já se esforçara demais e merecia ser poupado.” (Redação de aluno)   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na passagem acima não cabe o uso da palavra “sofisma”. Sofisma, ou paralogismo, é “qualquer argumentação capciosa, concebida com a intenção de induzir em erro” (Houaiss). Significa também “logro”, “embuste”.&lt;br /&gt;Por exemplo: a afirmação de que o indivíduo “fuma por vontade própria” é um sofisma para contestar as campanhas antifumo do Ministério da Saúde. Nela se usa o pretexto da liberdade individual para justificar um prejuízo infligido a si e a outros.   &lt;br /&gt;O argumento de que “se esforçara demais” é antes um subterfúgio, ou seja, “uma manobra ou pretexto para evitar dificuldades”. Ele foi apresentado como um estratagema para se fugir a um dever. Eis a frase corrigida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Quando lhe disseram que devia reformular o trabalho, ele veio com o &lt;strong&gt;subterfúgio&lt;/strong&gt; de que já se esforçara demais e merecia ser poupado.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-7950643767449882827?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/7950643767449882827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=7950643767449882827' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/7950643767449882827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/7950643767449882827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/05/sofisma-ou-subterfugio.html' title='&quot;Sofisma&quot; ou &quot;subterfúgio&quot;?'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-1719465549148765594</id><published>2010-05-09T13:41:00.000-07:00</published><updated>2010-05-09T13:43:17.431-07:00</updated><title type='text'>À luz do dia</title><content type='html'>Recentemente uma aluna minha foi assaltada num dos principais restaurantes da cidade. O episódio não aconteceu à noite, nem ela estava sozinha. Estava com um grupo de amigas. Almoçavam no intervalo de uma dessas bizuradas para concursos, que ocorria no prédio em frente, quando o fato aconteceu.&lt;br /&gt;          Os ladrões não apareceram de repente, como se poderia pensar. O grupo percebera o casal bem-vestido que comia a umas poucas mesas de distância. Notaram que ele olhava muito para elas, e por um momento tiveram pena da mulher. Devia sofrer muito com um parceiro tão enxerido. &lt;br /&gt;          Em dado momento a mulher se levantou da mesa e, como que distraidamente, dirigiu-se ao grupo e pegou a bolsa da minha aluna. Quando esta foi reclamar, o parceiro se adiantou e apontou-lhe o revólver na cabeça. O grupo ficou estarrecido, paralisado, enquanto o casal calmamente deixava o restaurante e entrava num carro que o esperava a poucos metros.&lt;br /&gt;Conto essa história para confirmar uma sensação que hoje, mais do que nunca, acomete os habitantes desta cidade. A outrora pacata João Pessoa se transformou num território de insegurança e desrespeito à lei.&lt;br /&gt;          Foi-se o tempo em que se procurava a Cidade das Acácias para fugir da violência dos grandes centros urbanos. Agora isso não é mais possível; a violência está aqui, e tem-se exercido de variadas formas. Ora é o crime brutal contra mulheres, que são encontradas seminuas em lugares solitários; ora o assalto seguido de morte a poucas quadras do nosso maior shopping; ora a tentativa de sequestro de empresários em área nobre da praia.    &lt;br /&gt;         Os casos acima chocam, mas pelo menos ocorreram na sombra. Seus autores tiveram o cuidado de se encobrir, conscientes de que estavam do “outro lado” da lei e temiam ser justiçados. No roubo da bolsa ninguém foi ferido, mas não se viu da parte dos meliantes o desejo de se esconder. Estavam ali à luz do dia, num ambiente público, como qualquer cidadão de bem que no intervalo do trabalho engole seu justo almoço. Parecia natural que de repente um dos dois se levantasse, pegasse o objeto, e que o outro ameaçasse matar a dona caso ela protestasse. &lt;br /&gt;          Hoje a violência invade os espaços rotineiros do homem comum. Já não precisa de capuz nem de sombra para esconder seu rosto. Afronta a lei com acinte e descaro, pois sabe que ninguém a punirá -- e nisso João Pessoa já não é diferente das outras cidades.&lt;br /&gt;          O roubo foi uma espécie de sobremesa para os bandidos, que saíram sem pagar a conta. Minha amiga pagou-a graças a uma “vaquinha” das amigas, mas não pôde fazer o concurso porque os ladrões levaram documentos imprescindíveis para que ela entrasse na sala. Quer dizer: perdeu não só a bolsa, mas talvez a possibilidade de mudar o futuro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-1719465549148765594?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/1719465549148765594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=1719465549148765594' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1719465549148765594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1719465549148765594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/05/luz-do-dia_09.html' title='À luz do dia'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-807561261025215977</id><published>2010-04-27T12:36:00.000-07:00</published><updated>2010-04-27T12:37:10.423-07:00</updated><title type='text'>Sol e esquecimento</title><content type='html'>Reaberto ao público o Cristo Redentor. A TV mostra uma bela manhã de sol, com os turistas deslumbrados olhando lá de cima a capital carioca. De um lado a ponte Rio-Niterói, do outro o Pão de Açúcar, mais atrás a lagoa Rodrigo Freitas.&lt;br /&gt;         Volta o sol para aos poucos sepultar as lembranças da catástrofe provocada pelas chuvas. Não dá para lembrar coisas tristes, ligadas a morte e luto, diante do recorte sensual daquela geografia. A visão da cidade ali deitada  parece um irrecusável apelo à vida, e ninguém é mórbido o bastante para ignorá-lo.&lt;br /&gt;         Mas não precisa ser o Rio, que tem como aliado sua deslumbrante beleza. Onde quer que a chuva tenha destruído e matado, agora estamos em tempo de esquecer. Basta para isso vir o sol, que nos convoca à vida e nos captura também graças à frivolidade do nosso espírito.&lt;br /&gt;          Somos levianos, irresponsáveis, inimigos da previdência e da lembrança. Está certo que esquecer é condição para prosseguir, quem vive preso ao passado não realiza o futuro. Mas tendemos a recusar do passado seu legado mais precioso: o que ele pode nos trazer de lição. O resultado é que, por uma amnésia consentida, alargamos o domínio do imprevisível. Com isso reforçamos as garras do destino, cujo poder se multiplica quando a ação do homem se subtrai.  &lt;br /&gt;         O desmoronamento do morro do Bumba, em Niterói, ainda reboa em nossos ouvidos. Foi uma trágica sinfonia de choros e urros em volta de dezenas de corpos sepultados vivos. Isso num momento em que a terra estava molhada e densas nuvens escureciam o céu. A desgraça tinha o seu décor, e todo o mundo estava concentrado nela. Naquele momento os moradores e o poder público se dispunham a evitar que tragédias como aquela voltassem a acontecer.&lt;br /&gt;         Mas passa o tempo, vem o sol para aclarar o céu e livrar a cabeça de cuidados enfadonhos. Daqui a pouco a terra endurecerá e o aterro sanitário ganhará aspecto de rocha (tudo é possível na fantasia dos que não têm onde morar). Novos casebres vão se reerguer, animados pela esperança.  Ninguém se lembrará de que um dia aquilo foi uma tumba coletiva.&lt;br /&gt;         E a vida vai prosseguir dentro de uma normalidade aparente -- até que volte a chover. Mas para que pensar nisso agora?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-807561261025215977?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/807561261025215977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=807561261025215977' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/807561261025215977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/807561261025215977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/04/sol-e-esquecimento.html' title='Sol e esquecimento'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-2057906474158027087</id><published>2010-04-23T13:57:00.000-07:00</published><updated>2010-04-23T13:58:35.999-07:00</updated><title type='text'>Teia de equívocos</title><content type='html'>Dizem que no início dos tempos não havia distância entre as palavras e as coisas. Cada objeto ou ser eram o que significavam e, reciprocamente, significavam o que eram.  A palavra “fogo” queimava, a palavra “medo” tremia, e um vocábulo como “dor” parecia gemer. &lt;br /&gt;            Falar disso é entrar no reino da animização, mas não podemos fugir da metáfora quando nos referimos às origens do homem e da linguagem. A própria ideia de que palavra e coisa se identificavam é uma interpretação mítica. &lt;br /&gt;            Quem éramos antes de começarmos a falar? A Bíblia remonta o início de tudo à palavra: “No princípio era o Verbo”. Para as Escrituras, antes da palavra não havia o homem. A linguagem é que nos engendrou. Lacan repetiria isso séculos depois ao afirmar que o homem não fala porque é; é porque fala.  &lt;br /&gt;            Especulações metafísicas à parte, sabemos hoje que é próprio das palavras representar o que não são. O pai da linguística moderna, Ferdinand de Saussure, descreve essa característica como arbitrariedade do signo. Os signos são arbitrários porque não existe relação necessária entre eles e os objetos ou seres que designam.&lt;br /&gt;            O que nos faz chamar bola de “bola”? O artefato esférico de couro com que jogamos uma boa pelada bem podia se chamar “linguiça”. E diríamos com a maior naturalidade: “chute a linguiça”, “rebata a linguiça”, “encaixe a linguiça”.  &lt;br /&gt;            Se o sentido das palavras é convencional, não existe uma essência da linguagem. Toda semântica, ou seja, toda relação entre significante e significado envolve uma mentira, um jogo em que a verdade se dissimula pela própria insuficiência do signo.&lt;br /&gt;            Se acrescentamos a isso a natural má-fé do ser humano, que é um mestre na arte de disfarçar seus desejos e intenções, compreendemos o quanto estamos longe de nos entendermos. A comunicação entre os homens é uma teia de equívocos, em que cada um imagina dizer o que os outros supõem estar ouvindo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-2057906474158027087?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/2057906474158027087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=2057906474158027087' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2057906474158027087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2057906474158027087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/04/teia-de-equivocos.html' title='Teia de equívocos'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-8718266792642642236</id><published>2010-02-08T17:25:00.000-08:00</published><updated>2010-02-08T17:27:05.171-08:00</updated><title type='text'>Poema do navegador solitário</title><content type='html'>internet&lt;br /&gt;                               internoite&lt;br /&gt;                               internada        &lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;                               interninguém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                               nas  terras onde aporto&lt;br /&gt;                               não há porto&lt;br /&gt;                               só o indeciso reflexo  &lt;br /&gt;                               de uma saudade virtual&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-8718266792642642236?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/8718266792642642236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=8718266792642642236' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/8718266792642642236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/8718266792642642236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/02/poema-do-navegador-solitario.html' title='Poema do navegador solitário'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-1701546037453034063</id><published>2010-01-10T11:46:00.000-08:00</published><updated>2010-01-10T11:47:25.838-08:00</updated><title type='text'>Mensagem ou massagem?</title><content type='html'>Vou a uma dessas confraternizações de fim de ano, cheias de bebida, nostalgia e violão. Praticamente só se canta Roberto Carlos. E Chico Buarque? -- fico me perguntando. E Caetano? E Milton? Cantarolo Chico o tempo, maravilhado com as letras e a melodia, e não ouço nada dele naquela tertúlia.   &lt;br /&gt;A verdade é que em música somos sentimentais. Preferimos, aos autores que pensam, os que sonham, gemem, recordam.  Como para confirmar isso, ao meu lado uma senhora levemente ébria suspira com lacrimejante nostalgia: “São tantas emoções...”&lt;br /&gt;Chico, Caetano e Milton são autores-cabeça, fazem música com mensagem. Ora, o ser humano não quer mensagem -- quer massagem. Sem saída, e já na segunda dose de vinho, trato de aderir batucando discretamente na mesa: “Você foi/ o maior dos meus casos./ De todos os abraços/ o que nunca esqueci...”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-1701546037453034063?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/1701546037453034063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=1701546037453034063' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1701546037453034063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1701546037453034063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2010/01/mensagem-ou-massagem.html' title='Mensagem ou massagem?'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-3730936837506789078</id><published>2009-12-30T14:09:00.000-08:00</published><updated>2009-12-30T14:12:45.886-08:00</updated><title type='text'>Glossário do "fica"</title><content type='html'>Minha geração não conheceu esse tal de “ficar”. Isso não quer dizer que fôssemos mais bem-comportados ou que, nos namoros e noivados, sempre honrássemos os compromissos. Havia as deserções, os desvarios, o imediatismo do desfrute físico. Só que essas atitudes eram a exceção e não recebiam uma designação específica.&lt;br /&gt;         “Ficar” entre os da minha geração era ficar mesmo – sem meios-termos nem ironias. Quem ficava com alguém escolhia-o como parceiro não apenas de uma noite, mas de anos, décadas, às vezes de toda a vida. O contrário de ficar era sair, deixar, partir para outra. Hoje, quem “fica” não está nem aí.&lt;br /&gt;Naquele tempo, ai do marmanjo se a garota soubesse que ele a queria apenas para uns instantes de prazer físico; para uns amassos, como se diz hoje. Ele seria convidado a dar o fora, e nem sempre de forma gentil. As meninas tinham um nome a zelar e queriam estabilidade nas relações. Abraços e sobretudo beijos, que hoje são uma espécie de couvert do relacionamento, eram um prêmio à persistência e à fidelidade. Só os obtinha o conquistador perseverante, que acenasse com a promessa de vínculos futuros. É isso mesmo, leitor: naqueles tempos severos o sexo não vinha de graça. Era um trunfo, um troféu, um instrumento de barganha muito bem manipulado.&lt;br /&gt;Pedi a meus alunos que fizessem uma redação sobre o fica (assim ele é chamado), e para minha surpresa muitos criticaram esse tipo de relação. As garotas, sobretudo, demonstraram desconforto com a sua natureza efêmera e pouco afetiva. Desejavam algo mais sentimental e persistente.&lt;br /&gt;Mas o objetivo aqui não é comentar o ponto de vista deles. Como para entender qualquer segmento social, ou cultural, é preciso primeiro observar sua linguagem, resolvi a partir das redações compor uma espécie de glossário do “fica”. Achei que isso podia interessar ao leitor. Para mim, que sou de outro tempo e de outro mundo, é tudo novidade. Confira: &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Balada&lt;/strong&gt;: agito, festa onde se pratica ou não o “fica”.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fica &lt;/strong&gt;(s.): o mesmo que ficar.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ficante&lt;/strong&gt;: aquele ou aquela que fica.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Galinha&lt;/strong&gt;: rapaz ou garota que fica com muitos parceiros de uma vez (geralmente numa mesma noite).&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Garanhão&lt;/strong&gt;: rapaz que fica com muitas garotas de uma vez (idem).&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Menino estribado&lt;/strong&gt;: garoto rico ou famoso com quem se fica.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nega&lt;/strong&gt;: garota com quem se fica; breve namorada que se arranja no “fica”. &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Queimação&lt;/strong&gt;: censura, crítica. Aplica-se a quem fica em festa de família.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Resenha&lt;/strong&gt;: assédio a uma pessoa (geralmente uma garota) difícil.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rolo&lt;/strong&gt;: fase entre o “fica” e o namoro. É sinal de que o relacionamento está ficando sério. Rodada ou queimada (adj.): garota que já ficou muito ou praticou o “fica” em local ou ocasião inadequada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-3730936837506789078?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/3730936837506789078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=3730936837506789078' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3730936837506789078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3730936837506789078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2009/12/glossario-do-fica_30.html' title='Glossário do &quot;fica&quot;'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-4305265519473025186</id><published>2009-11-21T13:43:00.000-08:00</published><updated>2009-11-21T13:45:25.434-08:00</updated><title type='text'>Soneto desnaturado</title><content type='html'>(variação sobre um velho tema)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             Ser mãe é cuidar bem do próprio corpo&lt;br /&gt;                             (de preferência, numa academia); &lt;br /&gt;                             é desmamar o pirralho bem cedo  &lt;br /&gt;                             para livrar o seio das estrias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             É dormir como um justo, ressonando,  &lt;br /&gt;                             depois de uma passagem na “balada”,&lt;br /&gt;                             e acordar sem remorsos, no outro dia,   &lt;br /&gt;                             por ter deixado o filho com a empregada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             É não abdicar dos seus projetos,&lt;br /&gt;                             fugir de ser babá dos próprios netos&lt;br /&gt;                             (caso venham chamá-la para isso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             É desprezar o chato que a condena,&lt;br /&gt;                             dizendo que a pior de suas penas   &lt;br /&gt;                             seria “padecer num paraíso”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-4305265519473025186?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/4305265519473025186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=4305265519473025186' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/4305265519473025186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/4305265519473025186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2009/11/soneto-desnaturado_21.html' title='Soneto desnaturado'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-5989410853891585997</id><published>2009-11-10T04:01:00.000-08:00</published><updated>2009-11-10T04:05:11.258-08:00</updated><title type='text'>Nudez imprópria</title><content type='html'>Numa passagem de “Dom Casmurro”, Bentinho passeia com o agregado José Dias numa das ruas centrais do Rio. Vão conversando amenidades (José Dias disparando seus superlativos) quando uma mulher tropeça a poucos metros deles. Com a queda, ela deixa ver parte da liga que lhe aperta uma das meias.            &lt;br /&gt;               Para Bentinho, seminarista sem vocação, o efeito é arrebatador. Os dois continuam a conversa mas o rapaz não consegue tirar a cena da cabeça. Sua perturbação não diminui quando ele chega ao seminário, pois, como escreve Machado, “as batinas tinham ar de saias”. Ou seja, a indumentária dos padres evocava o tombo da mulher e a exposição do artefato erótico.&lt;br /&gt;            “Uma liga!” -- se espantará o leitor de hoje. É certo que não se usam mais ligas, nem meias, nem aqueles vestidões compridos que pareciam embalsamar o corpo feminino. Naquele tempo a roupa quase não mostrava nada, e justamente por isso o pequeno elástico que fazia a meia aderir à coxa era um poderoso estopim erótico. Era uma pista, um indício que acendia a imaginação e com ela o desejo (o erotismo não está no que se explicita, mas no que se entremostra).            &lt;br /&gt;              Lembrei-me dessa passagem a propósito da estudante de São Bernardo do Campo que foi vaiada, e quase linchada, por haver ido à faculdade seminua. A televisão mostrou e repetiu a cena: a moça acuada numa sala, chorando, e do lado de fora uma multidão uivando como uma horda de lobos morais. Se pudessem a estraçalhavam ali, em nome dos bons costumes. Quando ela saiu, sob escolta, teve que ouvir gritos de p... até deixar o estabelecimento. &lt;br /&gt;             Muito se discutiu o comportamento da turba, que parecia tomada por uma ira santa. Uns o consideraram injustificável numa época de costumes arejados. Não se explicaria tanto puritanismo em pleno século 21, quando a mulher quebrou tabus a ponto de usar biquíni e fio dental. Mais do que zelo pelos bons costumes, haveria nas vaias intolerância e preconceito.&lt;br /&gt;             A reação não parecia coisa de civilizados, concordo, mas é preciso reconhecer que a moça apelou. Foi para a faculdade com um microvestido vermelho que lhe deixava as pernas de fora e era um chamariz para os olhares masculinos. Quem vai às aulas daquele jeito quer mesmo estudar? Ou quer chamar a atenção para si com a mira em outros propósitos? O exibicionismo do corpo não se harmoniza com a concentração e o recato exigidos numa sala de aula.&lt;br /&gt;             Se faltou à turba moderação, faltou à garota senso. O despropósito com que se vestiu mostra que ela não tinha noção de onde estava. Ou, se tinha, ignorou a praxe e acabou atentando contra o decoro. As vaias agressivas seriam uma forma de revidar o acinte.&lt;br /&gt;            Estamos longe do tempo em que a visão de uma liga era capaz de tirar o sono de um adolescente. A liga se foi, e com ela o pudor, que tornava o corpo feminino um mistério. Ninguém precisa fantasiar o que se escancara nas ruas, nos bares, nas praias, e torna banal a nudez. Certos limites, contudo, devem ser preservados. Se à mulher não é mais proibido se desnudar, que pelo menos ela se dispa em locais convenientes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-5989410853891585997?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/5989410853891585997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=5989410853891585997' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5989410853891585997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5989410853891585997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2009/11/nudez-impropria_10.html' title='Nudez imprópria'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-5001964115453676424</id><published>2009-10-13T10:42:00.000-07:00</published><updated>2009-10-13T10:43:39.351-07:00</updated><title type='text'>Rio olímpico</title><content type='html'>Lula chorou quando anunciaram o Rio como sede da Olimpíada de 2016. Chorou e fez questão de se mostrar chorando, o que levou alguns a ver nas lágrimas presidenciais mais encenação do que sinceridade.  Não sou lulista, mas discordo de quem acha que ele se aproveitou daquele momento para regar a candidatura de Dilma nas próximas eleições. O presidente estava sinceramente emocionado, e nisso externou um sentimento que perpassava toda a nação.&lt;br /&gt;            A realização das competições aqui vai concorrer para diminuir nosso velho “complexo de vira-latas”. Dizem que Barcelona virou outra cidade depois que sediou os jogos; esperemos que o mesmo aconteça com o Rio. A “cidade maravilhosa” receberá muito dinheiro para investir em infraestrutura, turismo, obras sociais. Se os recursos forem aplicados com sensatez e sobretudo honestidade, ela sairá do evento mais rica e talvez mais humana.&lt;br /&gt;             Sediar a Olimpíada é um desafio que termina em tudo ou nada. Não há possibilidade de meio sucesso; ou ele acontece, ou não, e cada país-sede se esforça para suplantar o anterior em brilho, originalidade, espetáculo. Isso quer dizer, por exemplo, que teremos de mostrar algo mais bonito do que a percussão iluminada dos tambores chineses, que ainda por muito tempo ecoará nos olhos e ouvidos do mundo.&lt;br /&gt;            O que me preocupa não é a cerimônia de abertura ou de encerramento. Não tenho dúvida de que nisto seremos bambas e deixaremos o mundo impressionado. Se os chineses tinham tambores e luzes, nós temos frevo, maracatus, escolas de samba, que servirão ao sensual embalo de passistas, mulatas ou baianas. Trata-se de um rico material que não faltarão artistas sensíveis para orquestrar e dele obter o melhor efeito.&lt;br /&gt;            O ponto delicado, e um tanto preocupante, será o desempenho de nossos atletas. A realização dos jogos aqui vai representar uma pressão adicional para vencer. Com toda essa tensão, é possível que tombos como o de Diego Hypolito em Pequim se tornem comuns. O mesmo se diga de quiproquós como o da vara surripiada, que tirou de Fabiana Murer a chance de subir ao pódio. E se atletas consagrados podem passar por tais vexames, que dizer desses que agora se precipitam rumo a pistas, piscinas e academias na esperança de em 2016 ganhar uma medalha olímpica?&lt;br /&gt;            O fenômeno é curioso e vem dando o que falar. Mal saiu o anúncio em Copenhague, e nem bem secaram as lágrimas de Lula, potenciais campeões começaram a brotar de todos os cantos do Brasil. A esperança de reconhecimento e ascensão, que até então se depositava no futebol, agora se estende a outros esportes. Em alguns deles não temos tradição mas ganhamos como anfitriões o direito de competir, e muitos imaginam que vão desbancar europeus, asiáticos e americanos também nessas modalidades.&lt;br /&gt;            Vamos devagar, pessoal. Uma coisa é a proximidade física dos jogos; outra é a simbólica distância que separa a participação da vitória. Por enquanto é melhor continuar mantendo a humildade de um vira-latas, e só depois -- quem sabe? -- latir com a empáfia de um rottweiler.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-5001964115453676424?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/5001964115453676424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=5001964115453676424' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5001964115453676424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5001964115453676424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2009/10/rio-olimpico.html' title='Rio olímpico'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-6223171485455371767</id><published>2009-10-09T05:31:00.000-07:00</published><updated>2009-10-09T05:34:13.807-07:00</updated><title type='text'>Palavreando</title><content type='html'>O maior desafio do casamento é impedir que a fase do “só nos dois” termine em “nós dois sós”.&lt;br /&gt;                                           ****&lt;br /&gt;Sou de um de um tempo em que filme de mulher pelada era filme de freira.&lt;br /&gt;                                          ****&lt;br /&gt;Uma das provas do narcisismo humano é que ninguém tapa o nariz para o próprio pum.&lt;br /&gt;                                          ****&lt;br /&gt;O “nu artístico” era tão antigo, mas tão antigo, que a modelo já tinha estrias e flacidez.&lt;br /&gt;                                           ****&lt;br /&gt;         A linguagem é a vestimenta do espírito. Use-a com elegância.&lt;br /&gt;                                                    ****&lt;br /&gt;Antigamente filme nacional sem pornografia era como pizza sem queijo. Não tinha graça. Os filmes feitos no Brasil eram ou pornográficos, ou intelectuais -- dois extremos que afugentavam o público.  Hoje eles são industriais, e os cinemas em que passam vivem cheios.&lt;br /&gt;                                          ****&lt;br /&gt;Hoje, no esporte brasileiro, o Cielo é o limite.&lt;br /&gt;                                          ****&lt;br /&gt;Em matéria de vida, sou um neófito com muita experiência.&lt;br /&gt;                                           ****&lt;br /&gt;Há um limite para a chamada grandeza moral. Não existe virtude sem algum apoio da natureza.&lt;br /&gt;                                         ****&lt;br /&gt;No “fundo do poço” há sempre um elevador.&lt;br /&gt;                                                  ****&lt;br /&gt;O pessoal anda surpreso com o que está acontecendo no Senado. Parece que não aprendeu! Buscar decência na política é como procurar castidade num prostíbulo.&lt;br /&gt;                                                    ****&lt;br /&gt;O sol nasceu para todos; a lua, por enquanto, só para os americanos.&lt;br /&gt;                                                    ****&lt;br /&gt;Susto é quando você tem medo; pânico é quando o medo tem você.&lt;br /&gt;                                                     ****&lt;br /&gt;Quando o chamaram de ignorante, estrebuchou; já quando o chamaram de apedeuta, sentiu uma ponta de vaidade. Nada como se sentir “uma coisa difícil”...&lt;br /&gt;                                                     ****&lt;br /&gt;         Uma mulher que não menstrua seria a única exceção que não confirma a regra.&lt;br /&gt;                                                     ****&lt;br /&gt;Não sou de fazer sacrifícios. Só renuncio ao que me desagrada.&lt;br /&gt;                                           ****&lt;br /&gt;É tanta gente querendo aparecer, que no futuro os tais “15 minutos” de Andy Warhol vão acabar se reduzindo a três. &lt;br /&gt;                                                    ****&lt;br /&gt;Se o seu marido é um porre, console-se. Há os que são uma ressaca.&lt;br /&gt;                                           ****&lt;br /&gt;            Psicólogo: “Pronto, o senhor está curado do seu complexo de superioridade.”&lt;br /&gt;            Paciente: “Estou? Só mesmo eu para conseguir isso em tão pouco tempo!!”&lt;br /&gt;                                                   ****&lt;br /&gt;         O melhor do nu frontal é imaginar o que está por trás.                 &lt;br /&gt;                                                     ****&lt;br /&gt;            Para um bom improviso, é preciso muito treino.&lt;br /&gt;                                                    ****&lt;br /&gt;            Mesmo que fossem outros os condicionamentos históricos e sociais, a prostituição não prosperaria entre os homens. É possível fingir tudo, menos uma ereção.&lt;br /&gt;                                                    ****&lt;br /&gt;            O vaidoso se acha o tal. O orgulhoso tem certeza.&lt;br /&gt;                                                    **** &lt;br /&gt;O pior de perder a memória é que a gente nunca se lembra de onde a deixou.&lt;br /&gt;                                                    ****&lt;br /&gt;         A prudência nada mais é do que uma covardia sofisticada. &lt;br /&gt;                                                    ****&lt;br /&gt;                  Os gays quando se casam juntam mesmo as trouxas.&lt;br /&gt;                                                    ****&lt;br /&gt;        Creio em Deus, mas não sei se Ele existe.&lt;br /&gt;                                                    ****&lt;br /&gt;Grave não é desistir de um projeto, de um emprego, de um amor. Grave é desistir de si mesmo. &lt;br /&gt;                                                    ****&lt;br /&gt;         Uns entram nas academias para conquistar a imortalidade. Outros, para confirmar que estão mesmo mortos.&lt;br /&gt;                                                   ****&lt;br /&gt;                   O cínico é um cético que perdeu a vergonha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-6223171485455371767?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/6223171485455371767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=6223171485455371767' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/6223171485455371767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/6223171485455371767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2009/10/palavreando.html' title='Palavreando'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-2315191883309890087</id><published>2009-09-29T10:33:00.000-07:00</published><updated>2009-09-29T10:41:30.250-07:00</updated><title type='text'>Coloquialismo na sala de aula</title><content type='html'>A leitora Elizabeth Califrer, em carta ao nosso site, lamenta que “o uso do nosso idioma esteja sucumbindo ao uso meramente coloquial da língua”. Professora de português há mais de trinta anos, ela não aceita que um professor de Língua Portuguesa da escola em que seus filhos estudam tenha usado em classe a expressão “facinho, facinho”.             &lt;br /&gt;           “É ser enjoada achar que professor de português (principalmente) deve falar corretamente (sem ser pesado) para a criança assimilar o próprio idioma?” -- pergunta. “Então é válido um dentista com dente estragado".                                                   &lt;br /&gt;                                                                            ****           &lt;br /&gt;           Não há dúvida de que um professor de português deve ensinar aos alunos o bom uso da língua. Quando digo “bom uso” não me refiro apenas ao que é sancionado pela norma, mas ao registro que melhor se ajusta ao contexto comunicativo.           &lt;br /&gt;          “Facinho, facinho” é, de fato, uma expressão extremamente coloquial. Resulta da simplificação de “facilzinho, facilzinho” e só se justifica em situações marcadas por certa irreverência e afetividade. Num rápido passeio pela internet encontrei-a, por exemplo, em letra da funkeira Mc Katia (“Vem, vem, prepare o Sabãozinho que ele tá facinho facinho...”).           &lt;br /&gt;           Um professor de português não está proibido de usá-la em classe, desde que deixe claro para o aluno o tom jocoso, informal e paródico com que o faz. Para dar uma boa aula, afinal de contas, não se precisa usar fraque e cartola.&lt;br /&gt;             Grave é se o professor deu a entender que uma expressão como essa tem curso livre e pode ser usada, por exemplo, numa reunião de trabalho ou num artigo de opinião. Se ele fez isso, então está mesmo mostrando suas cáries intelectuais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-2315191883309890087?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/2315191883309890087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=2315191883309890087' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2315191883309890087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/2315191883309890087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2009/09/coloquialismo-na-sala-de-aula.html' title='Coloquialismo na sala de aula'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-3977819276587792632</id><published>2009-07-26T05:58:00.000-07:00</published><updated>2009-07-26T06:00:26.167-07:00</updated><title type='text'>À Lua, de novo</title><content type='html'>Vejo comemorações discretas a propósito dos 40 anos da chegada do homem à Lua. “Discretas” é eufemismo; a maior parte da imprensa relembra o fato com alguma decepção. Destaca o contraste entre a grandiosidade da conquista e a insignificância do que se seguiu.&lt;br /&gt;Esperava-se que quatro décadas depois o homem tivesse voltado ao nosso satélite mais vezes ou até pousado em Marte. Como nada disso aconteceu, parece que o feito de Armstrong e seus colegas foi inútil. &lt;br /&gt;Não falta quem se alegre com esse pífio resultado. Nem todo o mundo acredita nas imagens que mostram a descida do módulo lunar naquela superfície arenosa e o passeio do primeiro homem em solo extraterrestre. Considera tudo isso montagem, “mentira” dos americanos.&lt;br /&gt;A Lua e os demais astros seriam territórios de Deus, e querer conquistá-los equivaleria a desafiar o Criador. Nosso lugar é a Terra; pretender sair dela seria uma transgressão semelhante à que nos tirou do reino da natureza para nos lançar no domínio do pensamento. Até hoje pagamos caro por isso...&lt;br /&gt;A maior parte das pessoas, contudo, ressente-se da pasmaceira que se seguiu à viagem da Apolo 11. A Lua sempre nos pareceu um trampolim intergalático; a partir dali seria possível pular para outras luas, planetas, constelações.Se nessas quatro décadas nem conseguimos voltar a ela, como esperar algum um dia chegar a outros mundos?&lt;br /&gt;Precisamos do sonho das viagens espaciais, mesmo que ele nunca passe mesmo de sonho. Nada nos garante que exista vida em outros planetas - e que, existindo, isso possa de alguma forma alterar a nossa realidade. Mas nos faz bem imaginar que seres longínquos, mentalmente superiores a nós, detêm a resposta para alguns de nossos enigmas.&lt;br /&gt;Essa é uma das razões pelas quais a Nasa promete uma nova volta do homem à Lua (as outras, bem mais fortes, ligam-se aos interesses da ciência). A viagem ocorrerá a daqui a 10 anos, e dessa vez os astronautas não se limitarão a caminhar sobre areia e pedra. Vão morar por algum tempo lá. Em vez de um passo, uma longa estada, a fim de avaliar o comportamento do organismo humano num meio tão diferente do nosso.&lt;br /&gt;A humanidade estará de olho na missão. E dessa vez o comandante vai precisar de mais do que uma boa frase para nos convencer de que a aventura terá sentido e, sobretudo, sequência.&lt;br /&gt;                                         &lt;br /&gt;                                                PALAVREANDO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou famoso por ter vivido no mais completo anonimato.&lt;br /&gt;                                                  ****&lt;br /&gt;O pior do preconceito é que ele é um pecado sem remorso. Não passa pelo crivo da consciência e toma a aparência de naturalidade. Vencer um preconceito é vencer a si mesmo.&lt;br /&gt;                                                  ****&lt;br /&gt;Sou capaz de renunciar à vaidade, desde que isso chegue ao maior número de pessoas.&lt;br /&gt;                                                 ****&lt;br /&gt;“Grande lascivo, espera-te a voluptuosidade do nada.” Machado, como sempre, certeiro.  O orgasmo é uma sensação, é um nada -- mas nós o perseguimos como se nele houvesse um além, um sentido.&lt;br /&gt;                                                 ****&lt;br /&gt;Quem já beijou não é virgem. O primeiro beijo é o defloramento da alma.&lt;br /&gt;                                                 ****&lt;br /&gt;Nem todas as partes do corpo são bonitas, por isso a nudez precisa de ângulo. Um bom ângulo é o que faz a diferença entre erotismo e anatomia. Já o que separa erotismo e pornografia é a linguagem. As coisas são bonitas ou feias de acordo com a forma como as nomeamos.&lt;br /&gt;                                                ****&lt;br /&gt;         Tudo é possível, inclusive a felicidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-3977819276587792632?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/3977819276587792632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=3977819276587792632' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3977819276587792632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3977819276587792632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2009/07/lua-de-novo_26.html' title='À Lua, de novo'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-9089036585437406636</id><published>2009-07-18T13:01:00.000-07:00</published><updated>2009-07-18T13:02:23.092-07:00</updated><title type='text'>Palpite infeliz</title><content type='html'>Em sua última coluna na revista “Veja”, Diogo Mainardi afirmou que Chico Buarque era uma fraude. Fiquei espantado e, ao mesmo tempo, com uma sensação de logro. Desde a adolescência ouço Chico; já cantarolei muito “A banda”, “Carolina”, “Olê, olá”, “Partido alto” e tantos outros sucessos dele.&lt;br /&gt;Também já trabalhei com letras de suas músicas em classe, e o resultado sempre foi bom. Nem de longe me passava pela cabeça que naqueles versos inspirados e tecnicamente perfeitos houvesse alguma intenção de ludíbrio. Agora fiquei sabendo que havia, e devo essa intrigante revelação ao colunista de “Veja”.&lt;br /&gt;“Intrigante” porque Chico sempre foi considerado unanimidade nacional. Dizia-se que ele estendeu um olhar agudo tanto ao subúrbio quanto à metrópole. Rastreou e descreveu o percurso do “malandro”, substituído aos poucos pela picaretagem dos meliantes profissionais, e fez a crônica dos amores e da miséria comum no asfalto. Sua obra demonstra uma rara conciliação entre o lírico e o social.&lt;br /&gt;Era isso o que mais ou menos se falava do compositor, mas agora sabemos que estávamos enganados. Mainardi veio nos tirar do escuro. Até então estávamos como Pedro Pedreiro, esperando inutilmente o trem; ou como Carolina, postada à janela sem ver o tempo nem a banda passar. Agora despertamos. E se antes apenas escutávamos o dono da voz, agora podemos escutar a voz do dono. E a voz do dono, engrossada pela opinião de uma escritora estrangeira (tinha que ser!), não admite outra designação a não ser “uma fraude”.&lt;br /&gt;Pode-se objetar que Diogo não se referiu a todo o Chico, mas apenas ao Chico romancista. Menos mal, mas essa ressalva não desfaz a contundência do julgamento. Ninguém é falsificado pela metade; uma meia falsificação (se é que existe isso) é já uma falsificação inteira. Sabemos que o autor de “Trocando em miúdos” não é um grande ficcionista, mas daí a considerá-lo um embuste vai uma grande distância. Talvez isto se explique pelo ciúme de quem também é um romancista sofrível e não tem para contrabalançar essa carência um talento excepcional em outros domínios -- como tem o Chico na música. &lt;br /&gt;Mas é possível que nas palavras de Mainardi exista um elogio. Não há nada mais glorioso para um artista do que se identificar com o seu país e o seu povo; e quem acompanha os textos do acrimonioso jornalista sabe qual o conceito que ele tem do Brasil e dos que nele moram.&lt;br /&gt;Segundo a visão mainardiana do mundo, nossa arte, nossos hábitos, nossa mentalidade não passam de um grande engodo. É natural, por esse raciocínio, que um artista da dimensão de Chico seja também uma fraude.&lt;br /&gt;Mas eu ainda prefiro um Chico Buarque fraudulento a um Diogo Mainardi legítimo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-9089036585437406636?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/9089036585437406636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=9089036585437406636' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/9089036585437406636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/9089036585437406636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2009/07/palpite-infeliz.html' title='Palpite infeliz'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-5761013740625671388</id><published>2009-06-21T14:40:00.000-07:00</published><updated>2009-06-21T14:42:39.025-07:00</updated><title type='text'>Lugares-comuns</title><content type='html'>“&lt;strong&gt;Frêmito&lt;/strong&gt;” é de prazer, volúpia.&lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;Esgar&lt;/strong&gt;” é de pavor ou nojo.&lt;br /&gt; “&lt;strong&gt;Retidão&lt;/strong&gt;” se aplica ao caráter e é geralmente usada por pessoas de moral curvilínea.   &lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;Espasmos&lt;/strong&gt;” são de dor, ou gozo.&lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;Vazio&lt;/strong&gt;” é em relação ao absoluto (menos mal do que em relação ao bolso).&lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;Convicção&lt;/strong&gt;” é o que alardeiam os que estão em dúvida.&lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;Prurido&lt;/strong&gt;” é de honestidade (se não for de micose) e comumente aponta para uma falsa moral.&lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;Flacidez&lt;/strong&gt;” é do pênis; “moleza”, da vontade (ou vice-versa); “tibieza”, do espírito. &lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;Carolice&lt;/strong&gt;” é a ocupação das carolinas. &lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;Vontade política&lt;/strong&gt;” é a panaceia que curaria todos os nossos males econômicos e sociais. Infelizmente está sempre em falta – ninguém sabe por quê.&lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;Hormônios a mil&lt;/strong&gt;” é o que explica a inquietude dos adolescentes.&lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;Curvas perigosas&lt;/strong&gt;” ou são de estrada, ou de mulher.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-5761013740625671388?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/5761013740625671388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=5761013740625671388' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5761013740625671388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/5761013740625671388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2009/06/lugares-comuns.html' title='Lugares-comuns'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-1268120141530309237</id><published>2009-03-06T12:43:00.001-08:00</published><updated>2009-03-06T12:43:47.410-08:00</updated><title type='text'>Gordura verbal</title><content type='html'>É noite de sábado, e o meu telefone toca. Tenho um arrepio. Um telefonema numa noite de sábado é a possibilidade de tudo – um acidente, uma queixa, um convite, um pedido, um engano. Mas logo a minha ansiedade se desfaz. Quem me liga é a Náiade Descarnada. Quer que eu lhe tire uma dúvida de português.&lt;br /&gt;Antes, falemos um pouco dessa mulher. Chamo-a “Náiade Descarnada” devido à sua obsessão em fazer regime. Ela tem horror a gordura e por isso malha diariamente na academia, onde sua até a alma. É tão exigente com a silhueta que considera Gisele Bünchen obesa. E quando fala nas linhas do seu corpo, devemos entender isso em sentido literal. A Náiade é linear, quase incorpórea.&lt;br /&gt;Pergunto-lhe qual é o problema desta vez. Ela estava fazendo uma carta para o seu guru, o professor de ginástica com quem tem aulas particulares, e esbarrou numa dificuldade com pronomes. Quer saber se é correto escrever: “Não tiveram efeito os comprimidos que eu os comprei numa loja de conveniência”.&lt;br /&gt;Explico à Náiade que a construção não é boa. Há nela um pleonasmo vicioso, pois o “os” repete a idéia representada pelo pronome relativo “que”. Esse pronome já retoma “comprimidos”, por que então acrescentar outro? Consolo-a dizendo que é muito comum esse tipo de engano. Escreve-se, por exemplo: “Ali estão as pessoas que mais as considero” – como se o pronome “que” já não repetisse “pessoas”.&lt;br /&gt;         A fim de lhe tornar mais digerível a explicação, digo-lhe que o “os” da sua frase constitui um excesso, uma gordurinha verbal. “É preciso cortar, fazer uma espécie de lipo, entendeu?”. Horrorizada, ela diz que sim. Cortar gordura é com ela mesmo. E desliga o telefone depois de um suspiro comovido e grato.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-1268120141530309237?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/1268120141530309237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=1268120141530309237' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1268120141530309237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/1268120141530309237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2009/03/gordura-verbal.html' title='Gordura verbal'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-9142725669987155985</id><published>2009-02-13T05:50:00.000-08:00</published><updated>2009-02-13T05:53:23.833-08:00</updated><title type='text'>"O curioso caso de Benjamin Button"</title><content type='html'>“O curioso caso de Benjamin Button” não é apenas a história de um menino que nasce velho. Não é só o percurso de um garoto que vem ao mundo no estado físico em que normalmente os outros o deixam – enrugado e decrépito. É sobretudo uma reflexão sobre a passagem do tempo.&lt;br /&gt;               Benjamin nasce feio, encarquilhado, como se tivesse envelhecido no útero. Sua mãe morre do parto, e o aspecto do menino horroriza o pai. De início este pensa em matá-lo, depois desiste da ideia e o deixa na escadaria de um asilo para velhos. Aí Benjamin cresce, vendo os que o cercam morrerem aos poucos. Ele, ao contrário, vai rejuvenescendo fisicamente. As rugas se desfazem, a pele ganha brilho, o corpo adquire vigor.&lt;br /&gt;              O menino parece a concretização de uma poderosa imagem que aparece no filme: a do relógio cujos ponteiros andam para trás. O autor desse inusitado invento perdeu um filho na guerra do Vietnã e exprime no “relógio invertido” o desejo de fazer voltar o tempo. Só assim seria possível resgatar a vida de tantos jovens que morreram naquela e em outras guerras.&lt;br /&gt;             Esse é o lado político do filme, que protesta contra o belicismo de uma parte da América que não hesita em sacrificar seus filhos em nome de valores duvidosos e causas inúteis. Bush preencheu exemplarmente esse figurino; mentiu para invadir o Iraque e foi embora entre sapatadas. Muitos pais cujos filhos morreram na invasão desse país também quereriam que o tempo voltasse.&lt;br /&gt;             Mas o tempo segue implacavelmente o seu rumo, e mesmo quem aparenta escapar dessa progressão está marchando para a morte. Benjamin evolui (ou involui) do fim para o começo, envelhece ao contrário. Aos poucos, vai-se dando conta de que falta em sua vida a perspectiva de um futuro.&lt;br /&gt;            O fato de voltar à infância o coloca num extremo oposto ao da mulher e da filha. Vendo que essa distância será cada vez maior e não haverá possibilidade de encontro, Benjamin resolve abandoná-las para evitar que o apego torne, depois, mais difícil o corte. A mulher ainda tenta convencê-lo a mudar de ideia. Observa, numa das melhores frases do filme, que ele não é tão diferente dos outros; o destino de nós todos, afinal de contas, é um dia voltar a usar fraldas.&lt;br /&gt;            Mas Benjamin as abandona ao mesmo tempo em que começa a sofrer mentalmente os males da velhice: esquecimento, irascibilidade, demência. Morre feito bebê, nos braços da esposa. Não o bebê metafórico em que nos transformamos perto de morrer, mas um curioso bebê de pele fina e olhos claros. No ponto em que muitos começam, ele termina. E termina como todos, pois também para ele o tempo passou. Quer o relógio ande para a frente, quer ande para trás, a marcha dos ponteiros nos carrega com ela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-9142725669987155985?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/9142725669987155985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=9142725669987155985' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/9142725669987155985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/9142725669987155985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2009/02/o-curioso-caso-de-benjamin-button.html' title='&quot;O curioso caso de Benjamin Button&quot;'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-8561559375254233947</id><published>2009-01-17T12:49:00.000-08:00</published><updated>2009-01-17T12:50:11.835-08:00</updated><title type='text'>Maysa e a vida que não foi</title><content type='html'>Maysa pertence à família espiritual de Dolores Duran e Antônio Maria. Eles tinham em comum a extrema sensibilidade e a tendência a transformar a própria vida em roteiro das canções. Há nas letras de suas músicas uma sinceridade indisfarçadamente autobiográfica, expressa em tom franco e confessional. Uma espécie de despudor em desnudar a alma.&lt;br /&gt;               O drama de Maysa decorreu de uma junção entre contexto social e características individuais. Sempre foi difícil para as mulheres conciliar profissão com família. No caso das artistas essa dificuldade é maior, pois a arte supõe um desregramento que lhes inviabiliza ou dificulta tarefas como dirigir a casa, orientar os filhos, servir de esteio ao marido.&lt;br /&gt;               Os efeitos desse conflito foram multiplicados pelos traços da personalidade da cantora. Maysa era egocêntrica e temperamental. Vivia o terrível paradoxo de não suportar a solidão e afastar os que lhe estavam próximos.&lt;br /&gt;               Sabendo-se dotada, pois tinha uma bela voz e compunha, parecia achar que seu talento era suficiente para manter as pessoas junto de si. Como isso não acontecia, desesperava-se e mergulhava cada vez mais em seu exílio. Um autoexílio regado a fumo, soníferos e muito álcool. Nesse ponto lembrava Edith Piaf, um dos seus ídolos.&lt;br /&gt;               Um dos fatores para o sucesso da série recém-exibida pela TV Globo foi o texto bem-escrito, em que nada parecia sobrar ou faltar (tão diferente dos desdobramentos rocambolescos e incoerentes de algumas novelas, em que vilãs inexplicavelmente viram mocinhas e vice-versa). Outro foi o elenco afinado, no qual se destacou o trabalho da atriz principal.&lt;br /&gt;               Certamente o diretor Jayme Monjardim, filho de Maysa, orientou Larissa Maciel a trabalhar com os olhos – mas não bastaria isso para fazê-la compor com tanta densidade a personagem. O mérito maior foi mesmo dela, que parecia uma reencarnação da cantora. “Sua” Maysa roubou a cena – para usar uma expressão hoje comum. Era ao mesmo tempo dura e frágil, terna e agressiva, sádica e aflita no desespero com que buscava o amor.&lt;br /&gt;               Um dos aspectos positivos do roteiro foi mostrar a ambigüidade que torturou a cantora ao longo de quase toda a vida. Queria cantar, vencer no mundo artístico, mas ao mesmo tempo sofria o remorso de estar longe do filho e do marido.&lt;br /&gt;               Os flashbacks recorrentes, criticados por alguns, me pareceram um adequado recurso para traduzir isso. Traziam cenas de um passado aparentemente tranqüilo, que se opunha ao cotidiano febril e solitário da artista. Eram uma dolorosa imagem da “vida que podia ter sido e que não foi”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-8561559375254233947?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/8561559375254233947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=8561559375254233947' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/8561559375254233947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/8561559375254233947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2009/01/maysa-e-vida-que-no-foi.html' title='Maysa e a vida que não foi'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-4602994737193457317</id><published>2009-01-03T06:40:00.001-08:00</published><updated>2009-01-03T06:41:08.059-08:00</updated><title type='text'>Enigma de Natal</title><content type='html'>Nunca fui precoce, por isso acreditei em Papai Noel até o dia em que me disseram a verdade. Invejo quem desconfia cedo de que ele não existe, é uma invenção dos adultos para iludir as crianças. Ao contrário desses espíritos atilados e céticos, dei crédito absoluto a essa fantasia. E fiquei desapontado quando, numa noite de Natal qualquer, desvendaram-me o embuste.&lt;br /&gt;               Quando acordava no dia 25 e via o presente ao lado da cama, eu ficava me perguntando como o Bom Velhinho entrara no quarto. Na casa não havia chaminé, nem sótão, nem clarabóia por onde ele se metesse enquanto a rena planava lá fora, envolta num halo azul. Devia ter entrado mesmo pela porta da frente, mas quem lhe dera a chave?&lt;br /&gt;               O presente ao lado da cama era a indicação de um mistério. Mas o presente era a “coisa”, o objeto com que eu brincaria dali por diante como o faria com outro presente qualquer. O importante era a origem, o trajeto por ele percorrido até chegar ao meu quarto. Eu queria desvendar o percurso pelo qual esse mistério se fizera presença concreta, materializada num revólver, num jogo ou num carrinho de corridas.&lt;br /&gt;               Nada me levava a desconfiar de que Papai Noel pudesse não existir. A busca pelos detalhes não tinha por objetivo contestar a lenda, mas robustecê-la com os apetrechos da razão – uma incipiente razão infantil. Eu tinha, no fundo, uma grande necessidade de acreditar. E a lógica da crença não é a de São Tomé. Pelo contrário: é crer para ver. Eu acreditava, por isso via, mas queria uma visão sem sombras . &lt;br /&gt;               Antes que essas coisas se revolvessem na minha cabeça, minha mãe revelou-me que o Bom Velhinho não existia. O curioso é que me senti dividido quando soube a verdade. Por um lado, não era mais preciso imaginar detalhes para dar verossimilhança à crença; isso trazia uma espécie de alívio. Por outro, o sentimento de ter sido logrado tirava um pouco da beleza do Natal.&lt;br /&gt;               “Se Papai Noel não existe, por que me enganaram?” Ruminei por um tempo essa pergunta, com raiva não tanto dos que promoveram a farsa, mas de mim mesmo. Essa é a reação que temos quando nos sabemos ludibriados. Depois, aos poucos, fui-me consolando graças a um sentimento novo: a sensação de superioridade perante os outros irmãos. Como não sabiam a verdade, eles faziam ingenuamente os pedidos. E na manhã do dia 25 abriam triunfantes os pacotes. Eu os olhava com uma ponta de piedade.&lt;br /&gt;               Fingia que abria o meu pacote e via o presente pela primeira vez. Mas já brincara com ele na noite anterior, entre os adultos, pois o conhecimento do segredo me dera também o direito de dormir tarde. De que valia dormir cedo na noite de Natal se não era para esperar o Bom Velhinho?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-4602994737193457317?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/4602994737193457317/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=4602994737193457317' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/4602994737193457317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/4602994737193457317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2009/01/enigma-de-natal.html' title='Enigma de Natal'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-3360510776732581386</id><published>2008-12-26T06:34:00.000-08:00</published><updated>2008-12-26T06:37:21.252-08:00</updated><title type='text'>Machado e traições</title><content type='html'>A pergunta agora não é se Capitu traiu ou não traiu Bentinho. É se Luiz Fernando Carvalho traiu ou não traiu Machado de Assis. Se tivesse assistido à série da TV Globo, o Bruxo só não esbravejaria no túmulo porque tinha horror à controvérsia. Mas certamente franziria o cenho de surpresa e contrariedade.&lt;br /&gt;            Como fez uma leitura livre do romance, o diretor tinha o direito de aproveitar a história como lhe conviesse. O problema é saber até que ponto sua opção manteve-se em sintonia com o espírito da obra.&lt;br /&gt;            “Dom Casmurro” é um romance realista, com tintas de naturalismo. O narrador faz um retrospecto da vida centrando as lembranças na paixão pela adolescente Capitu, com quem veio a se casar.&lt;br /&gt;            O relato é basicamente a história de uma traição, pois um dos propósitos do narrador é mostrar que a Capitu adulta estava na Capitu menina. Os olhos de ressaca engolfaram o Bentinho adolescente tanto quanto, anos depois, a ressaca marinha engolfaria mortalmente o amante Escobar. Capitu é natureza, desejo, é o feminino ardiloso que escapa à compreensão do seminarista tímido e cheio de medos.&lt;br /&gt;            No romance, esses ingredientes aparecem de maneira sóbria. Bentinho narra suas angústias, mas não se desespera. Julga a esposa e o amigo, que “se juntaram para traí-lo”, com uma amargura temperada de ironia. Uma ironia sem trejeitos nem esgares, própria de quem não perdoou ser traído mas – de certa forma –  já se resignou aos fatos.&lt;br /&gt;            Luiz Fernando Carvalho deu um tratamento farsesco ao romance. Acrescentou a isso a pantomima circense. Os atores, em sua maioria, posam, rebolam e empostam a voz. Bentinho se transformou num narrador redundante e tenso, que mais atrapalha do que ajuda a compreensão da história. Refere os eventos como se eles não tivessem ocorrido, mas ainda fossem ocorrer, numa ansiedade injustificável em já viveu tudo aquilo. Nada menos machadiano.  &lt;br /&gt;            O diretor optou por uma estética expressionista que tem muito pouco a ver com o clássico e “transparente” Machado de Assis. O que admiramos no autor de “Dom Casmurro” é a sutileza, a ironia, o meio-tom. Na série televisiva varreu-se tudo isso em prol do excesso formal, da pseudo-imponência, do kitsch entre cinema e teatro que acabou dando à encenação um tom de caricatura.&lt;br /&gt;           Mas há um consolo em tudo isso. Um dos pontos positivos da série foi concorrer para desvendar o enigma de Capitu. Quem, “vendo” um Ezequiel  que é a cara de Escobar, terá mais dúvida sobre a traição? No romance, a semelhança pode ser atribuída a fantasia do narrador. Na tela, ou deliramos todos, ou a mulher enganou mesmo Bentinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-3360510776732581386?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/3360510776732581386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=3360510776732581386' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3360510776732581386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/3360510776732581386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2008/12/machado-e-traies.html' title='Machado e traições'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6576252501150562001.post-4929762784982620657</id><published>2008-12-23T12:31:00.000-08:00</published><updated>2008-12-23T12:33:48.362-08:00</updated><title type='text'>Dicas de estilo (sem estilo)</title><content type='html'>1 - Interjeições excessivas? Evite-as!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - Não abuse de metáforas futebolísticas. Esse tipo de tabelinha com a linguagem do futebol nem sempre satisfaz a galera. O leitor pode se sentir driblado e dar cartão vermelho para o escritor, mandando-o antes do tempo para o chuveiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - Falhas na concordância denuncia falta de conhecimento gramatical. Evite-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 - Não misture as pessoas gramaticais. Tu podes pode fazer isso quando usares a linguagem coloquial, mas nunca em sua redação para vestibular ou concurso. Nela escrevemos com alguma formalidade e você tem que seguir a norma culta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 - Das inversões fuja. Comprometem elas das idéias a clareza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 - Evite repetições, pois elas dão a impressão de que o texto não progride. Repetir gera no leitor a sensação de que as idéias ficam no mesmo lugar, não evoluem. Quem repete permanece no mesmo círculo de idéias e faz o texto circular em torno de um mesmo tema, sem sair do canto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 – Tenha cuidado ao usar as reticências, pois elas... lacunas no pensamento e... sem saber direito o que o autor quer dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 - As longas intercalações entre sujeito e predicado, por fazer o leitor esquecer o que o que foi dito no início, levando-o a suspender a leitura e ter de reler toda a frase, o que termina prejudicando a compreensão do texto como um todo, devem ser evitadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 - Evite exageros. A hipérbole é o pior entre os piores pecados que podem acometer um escritor em todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 - Há que escoimar o texto de vocábulos preciosos ou pernósticos. O uso de tais palavras é próprio dos alarves e apedeutas. Indica, outrossim, uma mente deslumbrada com as reverberações de um saber despiciendo, que leva a conclusões inanes sobre os transcendentais enigmas do Homo sapiens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11 - Prefira a linguagem denotativa; ela é um lago transparente de onde emerge com clareza o sentido das palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 - Evite em seu texto manifestar preconceito contra as mulheres. Do contrário, elas vão reclamar de você o tempo todo sem lhe dar chance de se defender. Mulher – todo o mundo sabe – não tem paciência para compreender as razões do outro e termina transformando o que deveria ser um diálogo esclarecedor num monólogo interminável – em que, obviamente, só ela fala.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13 - Medite nesta verdade preciosa: rima é bom em poesia, não em prosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14 - Fuja dos enunciados vagos e genéricos. Eles dão aquela sensação de algo que não se sabe bem o que é, embora todos de alguma forma já tenham sentido em certos momentos da vida. Alguns têm disso uma longínqua idéia, mas só conseguem defini-la em determinados contextos ou por algum tipo de sugestão diferente da que experimentaram no início, antes de tudo fazer sentido. Ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15 - Ao estar fugindo do gerundismo, você não estará fazendo mais do que sua obrigação. Vá ficando atento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 - Você acha que o excesso de perguntas retóricas torna mais eficiente o seu texto? Será que elas necessariamente facilitam o diálogo com o leitor? Ou podem deixar o discurso redundante, sugerindo questões que na verdade não existem? Não será melhor usar frases afirmativas, deixando logo claro o que se quer dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17 - Portanto, não inicie o texto pela conclusão. Comece-o mesmo pelo começo, apresentando o tema e depois os argumentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18 - Um texto com excesso de “que” parece que tropeça a cada momento e mostra que a pessoa que o produz tem que melhorar o ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19 - Sem essa de gírias, mano. Se você, tipo assim, se amarra nesse tipo de modismo, mostra que não tá com nada. Com certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20 - Seja evitado em sua redação o excesso de voz passiva analítica, para que você não seja visto pelo leitor como alguém a ser desprezado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21 - É bom moderar o uso da mesóclise. O bom escritor evitá-la-á em nome da simplicidade, pois a colocação do pronome no meio do verbo trar-lhe-ia aspereza acústica e transformá-lo-ia num monstrengo aos ouvidos de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22 - Evite. Fragmentar o período. Pois isso é uma grave falha. Gramatical e estrutural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23- Sei que é difícil fugir das frases feitas, mas faça um esforço. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6576252501150562001-4929762784982620657?l=chviana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chviana.blogspot.com/feeds/4929762784982620657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6576252501150562001&amp;postID=4929762784982620657' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/4929762784982620657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6576252501150562001/posts/default/4929762784982620657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chviana.blogspot.com/2008/12/dicas-de-estilo-sem-estilo.html' title='Dicas de estilo (sem estilo)'/><author><name>Chico Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02196927483779993921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
